Como aumentar sua produtividade usando mapas mentais

Todo mundo quer ou precisa ser mais produtivo. Se você está aqui no blog é porque esse assunto desperta um mínimo de interesse em você.

Existem vários métodos, ferramentas e técnicas para melhorar sua produtividade. Cabe a cada um testar e identificar o que funciona melhor para si. Para mim, produtividade está diretamente relacionada a clareza de pensamento. É bem mais difícil ser produtivo quando existem várias ideias, problemas e situações rondando sua cabeça. Você não sabe por onde começar, o que é mais importante, você sequer tem dimensão de quantas e quais são as coisas que você precisa fazer.

Uma ferramenta para ajudar a obter essa clareza de pensamento, e que pode ser usada em inúmeras situações, é o mapa mental.

Mas o que é isso?

Mapa mental é o nome atribuído a um tipo específico de diagrama, uma técnica simples e eficiente de registrar informações e ideias. Foi sistematizado pelo inglês Tony Buzan, uma autoridade mundial em aprendizado, memória e funcionamento do cérebro. Segundo definição de seu próprio criador, trata-se de um método para armazenar, organizar e priorizar informações, usando Palavras-chave e Imagens-chave, que desencadeiam lembranças específicas e estimulam novas reflexões e ideias (Mapas Mentais, editora Sextante, 2009).

Na prática, nada mais é do que uma forma de organizar conhecimento e pensamentos, clareando seu raciocínio e ajudando na memorização e entendimento. Sendo assim, pode ser usado em inúmeras situações:

  • você está estudando e simplesmente não consegue assimilar o conteúdo estudado. Não consegue definir os pontos mais importantes, a relação entre eles e muito menos fixar o que foi aprendido. Um mapa mental sobre o assunto pode ser a solução.
  • você tem uma ideia para um projeto ou precisa escrever uma redação ou um relatório. Mas não consegue sair da primeira página porque não sabe quais os itens mais relevantes que devem constar no seu projeto ou quais tópicos deve abordar na sua redação; tem uma série de ideias soltas, mas não consegue hierarquizar, separar as úteis das desnecessárias e estruturar tudo isso em um texto. Organize-se fazendo um mapa mental.
  • você tem um problema para resolver mas não sabe nem por onde começar. Faça um mapa mental do seu problema e das situações ligadas a ele. Tire da sua cabeça e coloque no mapa mental como o problema surgiu, porque, onde, quais as consequências, quem é afetado. Enxergar tudo isso de forma clara vai te ajudar a encontrar a resposta.

Eu uso muito mapas mentais no meu dia a dia, principalmente para planejamento de projetos e organização de ideias. Logo abaixo tem um exemplo, o mapa mental que eu usei para ordenar minhas ideias ao escrever o post sobre planejamento aqui para o blog. Esse mapa foi feito no MindMapr.

mapa mental planejamento post

Enfim, esses são apenas alguns exemplos de como os mapas mentais são úteis em diversas situações e de como eles podem melhorar sua produtividade. A princípio, mapas mentais são ferramentas de estudo, para ajudar a compreender e fixar conteúdos; mas podem ir muito além disso. Tony Buzan sugere em seu livro diversas outras aplicações: usado para planejamento diário, mensal e anual, quase como uma agenda; na educação, seja para tomar notas em aulas e palestras ou para se preparar para testes e avaliações; no trabalho, para tornar uma reunião mais proveitosa, preparar apresentações orais mais bem feitas e mesmo como uma ferramenta de gestão administrativa.

Mapas mentais proporcionam uma considerável redução do tempo de planejamento por facilitarem significativamente a estruturação de ideias. Acredita-se que isso aconteça porque a forma como as informações são organizadas dentro do mapa espelha a forma com o cérebro organiza as ideias. Segundo Tony Buzan, um mapa mental é desenhado de forma a estimular o cérebro a trabalhar com mais rapidez e eficiência. Isso é baseado no conceito de pensamento radiante, que diz que o cérebro não funciona de forma linear.

Tudo muito interessante, mas em termos práticos, como é que se faz um mapa mental? Bem, essa é uma questão um pouquinho polêmica e mais a frente vou dizer porque. Mas vamos começar mostrando o que o Buzan explica em seu livro sobre a forma de se produzir um mapa mental.

Mapas mentais são baseados nos conceitos de Palavra-chave (um termo que é uma referência única de algo importante. Palavras estimulam o lado esquerdo do cérebro) e Imagem-chave (imagem associada a Palavra-chave). Uma Palavra-chave representa uma imagem ou um conjunto de imagens; uma Imagem-chave permite que o cérebro recupere uma série de informações relacionadas a palavra associada à Imagem-chave.

As regras para a elaboração de um mapa mental são divididas em dois tópicos: técnica e desenho.

Técnica

Envolve destaque, associações, clareza e estilo pessoal.

Destaque

  • Use uma imagem central com três ou mais cores: uma imagem chama mais a atenção do que uma palavras e as cores estimulam o cérebro;
  • Use perspectiva em imagens e palavras, para realçar as mais relevantes;
  • Faça uma mistura de sentidos: crie o mapa de forma que as memórias sensoriais sejam ativadas;
  • Varie o tamanho das letras, imagens e linhas: traz a ideia de hierarquia e importância;
  • Deixe o espaço do mapa organizado (para reforçar a ideia de hierarquia) e adequado (visualização clara e agradável).

Associação

  • Use setas: criam conexões. Guiam o olhar. Dão ideia de movimento, o que estimula o cérebro;
  • Use cores: além das cores intensificarem o aprendizado, podem ser usadas como um tipo de codificação (cores específicas para diferentes finalidades);
  • Use códigos: poupam tempo e permitem fazer conexões imediatas entre diferentes partes do mapa. Podem ser usados asteriscos, cruzes, triângulos, círculos, etc.

Clareza

  • Use uma Palavra-chave por linha;
  • Use letra de forma;
  • Faça as linhas do mesmo tamanho das palavras.

Estilo pessoal

Quanto mais pessoal for seu mapa, quanto mais ele for do seu jeito e tiver “a sua cara”, com mais facilidade você se lembrará dele.

Desenho

É a forma como o mapa é estruturado.

  • Hierarquia: permite diferenciar níveis de importância, ajudando no entendimento, raciocínio e memorização.
  • Ordem Numérica: ajuda na ordenação das ideias e, por consequência facilita o entendimento e ajuda a tomada de decisão.

Sabendo então as normas e regras estabelecidas, pode-se começar a criar o mapa mental:

  1. No centro da folha desenhe uma Imagem que é o propósito do seu mapa mental. Pode ser o tema principal se for um mapa de estudo, o assunto a ser tratado se for o mapa de planejamento de uma reunião ou de uma redação, o problema se o objetivo for encontrar a solução para uma determinada situação. Use cores como recomendado nas regras
  2. Trace linhas grossas saindo da imagem central. Use linha curvas e não retas, pois são mais atrativas para o cérebro.
  3. Em cada ramificação escreva uma Palavra-chave relacionada ao assunto. Mais uma vez: se for um mapa de estudo, coloque os sub-temas relacionados; se for o planejamento de uma reunião ou redação, escreva os tópicos a serem abordados; se for a resolução de um problema, mencione as causas, as circunstâncias relacionadas, as pessoas afetadas, as possíveis consequências.
  4. Deixe algumas ramificações em branco: o cérebro instintivamente vai querer preenchê-las, permitindo que considerações importantes que a princípio foram esquecidas possam ser lembradas.
  5. Coloque ramificações secundárias, se for preciso terciárias, e assim sucessivamente. Como anteriormente, em cada ramificação coloque informações relacionadas com Palavra-chave principal.

Completadas todas as etapas, seu mapa mental está concluído. Sendo um mapa mental usado para estudar, você terá ali resumido todo o conteúdo em seus tópicos mais importantes; além da elaboração ter contribuído para a memorização e o entendimento, uma futura revisão será realizada com maior facilidade. Ao planejar uma reunião (ou uma redação ou uma palestra) todas a ideias estão ali reunidas, sendo mais simples identificar todos os pontos importantes que não podem ser esquecidos. Ao ter diante de si todas as situações relacionadas a um problema, essa visão global facilita a tomada de decisão ao se buscar uma solução.

Tudo isso dito acima é a forma estabelecida por Tony Buzan sobre como uma mapa mental deve ser elaborado. Podemos notar que as regras são bem rígidas, e ao ler o livro dele, isso fica ainda mais explícito. Entretanto, quero falar de uma coisa chamada liberdade criativa. Cada de um de nós é um indivíduo único e cada um de nós “funciona” melhor de uma maneira. Veja bem, Buzan recomenda fortemente o uso de imagens nos mapas mentais, mas eu particularmente as uso poucas  vezes, e mesmo assim os mapas mentais funcionam muito bem para mim. Alguém que está lendo pode não gostar de usar muitas cores e preferir fazer o mapa mental usando uma única caneta, outro alguém pode não querer usar letra de forma. O que eu quero dizer é que cada um deve testar e fazer seu mapa mental da forma que funcione melhor para si, uma vez que a ideia é que ele seja útil para você, que te ajude a ser mais produtivo. Não adianta muito seguir todas as regras e não conseguir atingir seu objetivo. A ideia é que o mapa mental seja uma ferramenta para te ajudar e não algo que não funcione. Muitas pessoas podem e vão discordar disso, alegando que as regras tem que ser seguidas para que a técnica funcione. Eu insisto em dizer que só quem pode dizer se funciona ou não é você que está fazendo o mapa.

Pra finalizar esse post, quero falar um pouco das ferramentas que podem ser utilizadas na criação do seu mapa mental.

Quando  Tony Buzan formalizou a ideia dos mapas mentais, por volta do final da década de 60, a tecnologia que temos hoje, facilmente disponível, não era uma realidade do dia a dia. Portanto, para se desenhar um mapa mental usava-se basicamente folhas de papel e canetas coloridas. Hoje em dia já existem inúmeros softwares que servem para se desenvolver mapas mentais. Claro que se você é adepto do tradicional papel e  caneta (como eu e muitas outras pessoa são), continue usando-os sem problema. Para aqueles que preferem usar o computador/tablet, veja alguns softwares disponíveis:

  • IMindMap: software desenvolvido pelo próprio Tony Buzan. É pago e a licença mais barata custa US$ 100. Existe uma versão trial, disponível por um determinado período gratuitamente, com o intuito de permitir um teste ao futuro comprador. Está disponível para computador, tanto Windows quanto Mac, e para smartphone (Android e IOS). 
  • Mind Meister: acredito que seja um dos mais usados. É pago, com o valor de US$ 4.99 anuais a versão mais em conta. Existe um plano gratuito, mas permite a elaboração de um número limitado de mapas. É online, não sendo necessário fazer nenhum tipo de download nem instalar no computador. 
  • Mind Manager: também é pago e para saber o valor é necessário solicitar um orçamento pelo site. Existe uma licença perpétua, que você paga uma vez e usa para sempre, e uma licença que é renovada anualmente. Requer download e está disponível para Windows e Mac.
  • CMapTools: software gratuito, desenvolvido pelo IHMC (Florida Institute for Humans & Machine Cognition). Disponível para Windows, Mac e Linux.
  • GoConqr: não serve apenas para elaboração de mapas mentais. Trata-se de, como o próprio site define, “uma rede de aprendizagem social”. Para usar você pode se cadastrar usando Facebook ou sua conta Google. Após o cadastro você escolher um perfil (estudo, ensino ou trabalho) e escolhe algumas áreas de interesse. Existem diversas ferramentas além da que permite criar mapas mentais: é possível criar fluxogramas, notas, slides, dentre outros.
  • MindMapr: trata-se uma extensão para o navegador Google Chrome. Você pode criar seus mapas mentais diretamente no navegador e não preciso estar online para usar. É só instalar pela web store do Chrome.
mapa mental imindmap
Mapa Mental elaborado com o software iMindMap (fonte: imindmap.com)

E você, usa mapas mentais? Ou nunca tinha ouvido falar? O que acha de experimentar e ver como isso pode te ajudar a ser mais produtivo? Espero que esse post tenha sido um incentivo para você. Qualquer dúvida é só me mandar um e-mail ou deixar aqui mesmo nos comentários.

Até mais,

Juliana Sales

9 comentários sobre “Como aumentar sua produtividade usando mapas mentais

  1. Guria seu post me ajudou muito. De verdade. Eu estou em processo de escrita do meu livro. Estou no começo. Eu já sei como vai acabar e algumas coisas que vão acontecer no meio, mas não sei ainda como uma coisa se liga a outra, sabe? Partiu fazer uma listinha do que eu sei que vai acontecer e ir criando conexões pra elas. Agradicida.

    Vidas em Preto e Branco

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    • Nossa Lary, fiquei muito feliz em ler isso! Meu objetivo com o blog é bem esse mesmo, ajudar as pessoas com dicas de produtividade e organização. É um assunto que eu amo e quero muito dividir o que eu sei sobre o assunto. Muito obrigada pelo comentário! E depois me conta se funcionou pra você.

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  2. […] Veja bem, todos nós fazemos esse processo naturalmente o tempo todo. Se você vai receber alguém para jantar em sua casa, mentalmente você analisa o que vai fazer para comer, se você mesmo vai cozinhar, contratar alguém, encomendar alguma coisa, o que vai ser consumido, que horas precisa chegar em casa, esse tipo de coisa. Se tem um telefonema a fazer, avalia o que precisa dizer, quais argumentos usar, quais informações apresentar. Mas essas são situações cotidianas. Para uma viagem, um projeto maior, de longo prazo e que envolve outras pessoas, o brainstorming precisa ser melhor estruturado, através de algumas técnicas que garantam que nenhuma ideia será esquecida, nenhum aspecto será negligenciado, nenhuma boa inspiração será perdida. Uma ferramenta interessante para se fazer um brainstorm é o mapa mental. […]

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