Picos de energia: aprenda a identificar os seus e seja mais produtivo

Produtividade não tem a ver com trabalhar mais para produzir mais, e sim com produzir mais e melhor utilizando o tempo de forma mais eficiente, ou seja, organizar suas atividades e gerenciar seu tempo para conseguir fazer tudo o que precisa e também o que não precisa mas gosta de fazer por prazer ou hobbie. E estabelecer uma rotina é uma das formas mais simples de administrar nosso tempo.

Muitos acreditam que seguir uma rotina é fazer as mesmas coisas todos os dias da mesma forma. Quem pensa assim vê rotina como sinônimo de tédio e tenta fugir dela sempre que possível. Essa coisa repetida diariamente também é rotina, mas rotina vai além disso. O estabelecimento de uma rotina é o resultado na prática de um bom planejamento.

Quando planejamos nossas tarefas e as distribuímos ao longo do tempo (dias, semanas) estamos criando uma rotina.

Ter uma rotina melhora significativamente nossa produtividade porque:

  1. Ao termos previamente definido o que precisamos fazer e quando vamos fazer, economizamos tempo  porque não temos que parar a todo momento para decidir o que precisa ser feito. Isso também evita o que podemos chamar de “fadiga de decisão“. Não percebemos isso, mas tomar decisões gera um cansaço mental, mesmo as decisões mais simples. E quanto mais decisões vamos acumulando em um dia, maior o cansaço mental. Existem diversos estudos que mostram que você não consegue tomar uma decisão atrás da outra sem pagar um preço por isso: quanto mais escolhas você faz ao longo do dia, mais difícil se torna para o seu cérebro tomar a próxima decisão. Aqui tem um artigo se você quiser saber mais sobre (é em inglês, mas você pode usar a tradução automática do seu navegador se não dominar o idioma). Resumindo: ter uma rotina evita o desperdício de tempo e diminui o cansaço mental, dois grande inimigos da produtividade.
  2. Quando temos uma rotina somos capazes de entender em quais períodos estamos mais ativos e motivados e quando estamos mais cansados, com dificuldade de concentração e com maior tendência a procrastinar. Usando isso de forma inteligente podemos melhorar muito nossa produtividade.

Vamos falar um pouco mais sobre esse segundo ponto. Por mais produtivas que algumas pessoas sejam, todos temos momentos de cansaço, indisposição, procrastinação, falta de motivação, foco e atenção. Não dá pra escapar disso, é fisiológico, tem a ver com o nosso ritmo biológico. Existem momentos em que estaremos menos produtivos, devido ao próprio funcionamento do nosso corpo, e não dá para fugir disso.

O que fazer então? O segredo é distribuir nossos diferentes tipos de tarefas de acordo com a nossa energia mental, aproveitando ao máximo os momento de maior produtividade e contornando como for possível os momento de baixa energia. Nesse sentido a rotina é fundamental em dois aspectos: para identificarmos quais são os períodos de alta/baixa energia e para ordenarmos nossas tarefas segundo esse critério.

E como funciona na prática? Primeiro precisamos identificar quais momentos estamos mais energizados bem como os momentos opostos. Uma forma de fazer isso é rastreando nossa rotina.

Isso nada mais é do que controlarmos, hora a hora do nosso dia, o que estamos fazendo e qual nossa disposição para fazê-lo. Você só vai precisar de uma tabela que contenha as 24 horas do dia. Nessa tabela você vai anotar o que você está fazendo ao longo do dia e como está se sentindo.

Anote tudo: quando estava com sono, quando se sentiu cansado, quando teve dificuldades para se concentrar, quando procrastinou, quando conseguiu se dedicar e seu trabalho rendeu. Seja sincero, não anote que você estava trabalhando quando estava procrastinando nas redes sociais, senão o rastreamento não vai funcionar.

Faça esse controle durante uma semana, 10 dias, 15 dias. Faça por tempo suficiente até conseguir identificar um padrão. Quando identificá-lo saberá em quais momentos você mais procrastina, quando está mais cansado e quando está mais focado. Isso será o seu guia para estabelecer a sua rotina e distribuir suas atividades.

Pode parecer uma coisa chata e até meio boba, mas vai te ajudar a identificar quando acontecem seus picos de energia e quando são os momentos de maior lentidão e cansaço.  E identificar isso é fundamental para sermos mais produtivos. Se você tem uma tarefa chata ou muito complexa para realizar, será ainda mais difícil se você for fazê-la quando estiver menos disposto e mais desatento.

Essa questão dos picos de energia ao longo do dia é tão real, que pode ser representada pelo que conhecemos como ritmo biológico. Ritmo biológico nada mais é que qualquer processo periódico relacionado a um ser vivo. Quando falamos dos altos e baixos de energia estamos no referindo ao ciclo circadiano que é o ritmo biológico para um período de 24 horas. O ciclo ou ritmo circadiano é a forma como nosso metabolismo se comporta e se adapta as variações de luz ao longo do dia, ou seja, ao dia e a noite.

A cronobiologia é o ramo da ciência que estuda esse assunto. Existem inúmeros artigos científicos, textos e livros sobre esse tema. Um dos mais famosos chama-se O Poder do Quando, de Michael Breus, especialista em medicina do sono.

Em seu livro, Michael Breus define quatro diferentes cronotipos aos quais os seres humanos podem pertencer. Um cronotipo é basicamente a forma como o seu relógio ou ritmo biológico funciona. Segundo Breus, todas as pessoas se enquadram em um do cronotipos a seguir:

  • Golfinhos: pessoas com sono leve e com tendência a insônia e a acordar várias vezes durante a noite. São cerca de 10% da população.
  • Leões: pessoas matinais, cheias de energia pela manhã. Representam de 15 a 20% da população.
  • Ursos: pessoas que funcionam segundo o ciclo circadiano tradicional, se guiando pelo nascer e o por do sol, ativos durante o dia e descansando a noite. São o cronotipo mais comum: 50% da população.
  • Lobos: pessoas noturnas, sentem-se melhor dormindo e acordando tarde. Em torno de 15 a 20% da população.

Para cada um desses cronotipos teremos momentos de maior disposição e momentos de distração variando ao longo do dia. Golfinhos são aquelas pessoas que acordam se sentido um pouco cansadas, que ficam mais alertas tarde da noite e tem momentos de concentração espalhados ao longo do dia. As pessoas com cronotipo classificado como leão estão alertas no momento em que o sol começa a nascer ou até antes e se sentem mais cansados ao fim da tarde. Estão mais atentas ao meio dia e são mais produtivas pela manhã.

Os ursos são aquelas pessoas que estão sempre utilizando o “botão soneca” do despertador, tem muita dificuldade em levantar da cama pela manhã. Começam a ficar mais alertas só no meio da manhã, permanecendo assim até o meio da tarde. São mais produtivos próximo ao final da manhã.  Lobos acham difícil acordar antes das nove da manhã e quando o fazem ficam mau humorados. Permanecem levemente atordoados até o fim da manhã. Ficam mais alertas no começo da noite e são mais produtivos no fim da manhã e da tarde.

Cada um dos cronotipos recebe o nome do animal cujo metabolismo é semelhante as características de sono, atenção, concentração e cansaço descritas. No livro também são apresentados diversos outros traços de cada cronotipo, características e comportamentos chave, bem como qual seria a rotina ideal de cada um: os melhores horários para se exercitar, para ser criativo, para planejar e para recarregar as energias.

Se quiser saber mais detalhadamente sobre o assunto, recomendo o livro do Michael que traz uma quantidade enorme de informações e recomendações muito úteis. Não vou me estender mais aqui sobre o conteúdo do livro porque falei sobre ele apenas para reforçar a ideia de que temos ao longo do dia momentos de maior concentração e energia, e devemos transformar esses momentos em picos de produtividade, de forma que nossa vida se torne mais produtiva como um todo.

O primeiro passo então é conseguir identificar quais são esses momentos, também conhecidos pelo termo “biological prime time”, ou seja, quando nos sentimos mais dispostos e com mais energia para fazer nosso trabalho. Esse termo foi criado por Sam Carpeter em seu livro Work the System.

Existem várias formas de identificar nosso “biological prime time”. Uma delas é o rastreamento da rotina, que eu já expliquei no começo do post. Outra forma é analisar as características de cada cronotipo e ver qual representa melhor a sua realidade. Existem também testes que podem ser feitos para identificar o cronotipo: aqui tem um teste online (em inglês) e o livro também conta com um.

Feito isso, o segredo é estabelecer uma rotina que privilegie esses momentos. Busque realizar suas tarefas mais complexas, complicadas, que requerem um grande esforço e energia mental nesse horários. Quando você identificar um momento de baixa energia, onde é mais difícil se concentrar e mais fácil se distrair, faça aquelas atividades que exigem menos da sua atenção e do seu cérebro.

Claro que muitas vezes nosso trabalho e nossas obrigações podem não nos permitir fazer esse tipo de escolha. Mas tente manter isso em mente e seguir essas recomendações sempre que possível. Aliás, planeje-se para que você consiga realizar suas atividades dessa forma. Você observará uma grande melhora na sua produtividade quando parar de  forçar seu cérebro e seu corpo a trabalharem quando eles estão com baixa energia. Você até pode achar que consegue contornar essa situação, com o consumo de cafeína por exemplo, mas com o tempo isso vai parar de dar resultado, principalmente se feito com frequência.

Enfim, eu espero ter conseguido mostrar nesse post que a rotina não precisa ser aquela coisa chata e repetitiva. Ela é uma importante ferramenta para identificar seus momentos de maior energia e também para organizar suas tarefas de forma a aproveitar esses momentos para ser mais produtivo. Li em algum lugar que as pessoas mais produtivas não são aquelas que só gerenciam bem o seu tempo, mas sim aquelas que também gerenciam sua energia e sua atenção. E é sobre isso que eu quis falar nesse post.

O que você pensa sobre isso? Já tinha pensando o quão importante é ir além do gerenciamento do tempo? Se identificou com algum dos cronotipos ou prefere usar o rastreamento de rotina para identificar quando você consegue ser mais produtivo? Me conta aqui nos comentários!

Até mais,

Juliana Sales

41 comentários sobre “Picos de energia: aprenda a identificar os seus e seja mais produtivo

  1. Adorei o seu post e concordo quando diz que :” Produtividade não tem haver com trabalhar mais para produzir mais, e sim com produzir mais e melhor”, sou muito do tipo está em movimento sempre e as vezes acho que está faltando alguma coisa e seu post me ajudou muito. obrigada.

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  2. Ficou muito bem explicativo esse texto, eu gostei demais. E é assim mesmo, temos que sempre acrescentar uma coisinha para que não fique massante o dia.

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  3. Eu sou golfinho. Durmo mal pra caramba, acordo tarde e cansada, meu dia parece não render e a noite eu sinto vontade de fazer tudo de uma vez. É bem estressante. Eu estou tentando acordar mais cedo. Durante meus horários de preguiça eu leio ou vejo vídeos. É uma forma que encontrei de fazer algo mesmo estando preguiçosinha. Eu preciso organizar melhor minha rotina porque agora trabalho em casa. E tem o blog. E tem a casa. E tem meu filho. É muita coisa pras 24 horas do dia.

    Vidas em Preto e Branco

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  4. A rotina é muito importante mesmo,principalmente relacionada ao sono.Como sempre temos um milhão de coisas para fazer antes de dormir,sendo 70% dispersão nrsrsr demoramos muito a dormir e no outro dia acordamos cansados e sem animo.Para identificar o momento de maior pico de energia leva um maior tempo ou talvez nem consiga devido a noite de sono perdida anteriormente.

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  5. […] Devemos lembrar sempre, que mesmo que cuidemos da nossa saúde física e mental, mesmo que nos mantenhamos motivados, ainda sim podemos passar por momentos de baixa energia. Isso porque nosso nível de energia varia ao longo do dia, é fisiológico. Então, entender e aprender a gerenciar seus níveis de energia também é importante. Veja aqui como funcionam os picos de energia. […]

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