Método RPM: mantenha o foco nos resultados.

O RPM (Rapid Planning Method ou, em português, Método de Planejamento Rápido) é uma metodologia desenvolvida por Anthony Robbins, um famoso escritor, palestrante e coaching norte-americano. É um método bastante simples, que propõe organizarmos nossas tarefas em função do objetivo ao qual elas estão relacionadas.

Segundo a metodologia, não devemos focar no que precisamos fazer, em quais as nossas tarefas e sim no que desejamos alcançar, nos nossos objetivos. Tendo nosso propósito em mente fica mais fácil definirmos e priorizarmos nossas tarefas, além de nos permitir trabalhar no que de fato é importante para nós e não para os outros.

A ideia por trás do método é algo que já falei por aqui: tudo o que nós fazemos, todas as nossas tarefas tem (ou deveriam ter) um propósito. É só parar um pouquinho para ver que isso faz muito sentido. Afinal, por que você trabalha? Alguns (ainda poucos, infelizmente) podem dizer que trabalham porque gostam do que fazem. Mas a maioria trabalha por que tem contas a pagar. Uma família para sustentar. Uma viagem que deseja fazer. Algum bem que almeja comprar.

Robbins, o criador do método, aponta que o problema em se guiar por uma lista de tarefas é que focar no que precisamos fazer não garante que estamos de fato progredindo em relação as nossos objetivos. As listas de tarefas nos mantém ocupados e, como eu sempre digo por aqui, estar ocupado não é a mesma coisa que ser produtivo. Podemos passar o tempo todo ocupados com afazeres que em nada contribuem para chegarmos aos nossos objetivos.

Robbins afirma ainda que, mais do que um sistema de gerenciamento de tempo ou de tarefas, o RPM é um sistema de pensamento que ensina a focar nos resultados que queremos obter e não apenas nos afazeres que precisamos realizar.

É simples, mas não necessariamente fácil, encontrar o propósito de cada tarefa que fazemos. Basta se perguntar: por que estou fazendo isso? Por que é importante? O que estou buscando alcançar? O que pode acontecer se eu não fizer? As respostas a essas perguntas indicam o objetivo de cada tarefa.

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Fonte: Foto de STIL em Unsplash

É importante pensar sempre em termos de resultados porque é isso que fundamenta o método RPM. Para entender melhor o funcionamento, o processo pode ser dividido em 3 componentes principais.

  • Foco e clareza: ter sempre em mente o resultado que queremos alcançar, os motivos pelos quais fazemos as nossas tarefas. É importante também que os resultados sejam específicos, definidos em termos concretos que você possa medir. Por exemplo, se você quer um aumento e recebe apenas 1 real a mais no seu salário, seu objetivo terá sido alcançado? Se quer emagrecer e perder apenas 1 kg em 3 meses poderá dizer que obteve o resultado desejado?
  • Finalidade: além de saber o resultado desejado é preciso ter consciência do porque, de qual a razão que te leva a buscar esse resultado. Esse é um importante componente motivacional, uma vez que entender porque queremos alguma coisa ajuda a manter foco no caminho e não desanimar diante de dificuldades.
  • Plano de ação: são as ações que precisam ser executadas para chegar até o resultado que você quer, as tarefas a serem feitas.

Pode-se dizer então que são três as perguntas a serem respondidas para aplicar o método RPM: o que eu realmente quero? por que eu quero isso? quais ações devo realizar para que o que eu quero aconteça? É importante que as questões sejam respondidas nessa ordem porque se você não sabe o que deseja e o porquê antes de criar um plano para chegar até seu objetivo, suas ações não serão sustentáveis ao longo do tempo e através dos problemas e obstáculos.

Na prática, são poucos os passos a serem seguidos: listar todas as tarefas, reuni-las em grupos, determinar o resultado esperado para cada grupo e organizar a execução das tarefas.

Listando as tarefas

Para começar, faça uma lista de tudo o que você precisa fazer. Não se preocupe em organizar de qualquer forma as tarefas, apenas vá anotando a medida em que as tarefas forem surgindo na sua mente. A organização será feita depois. Anthony Robbins chama esse processo de captura e isso tem muito sentido uma vez que lembra o conceito semelhante que faz parte do método GTD.

Assim como David Allen, Robbins acredita que manter as tarefas flutuando em sua mente apenas aumenta o estresse, além do risco constante de você se esquecer de algumas coisa. Portanto, o recomendado é que você documente cada tarefa que deve ser concluída, cada objetivo e até mesmo situações e idéias que exigem sua atenção.

Organizando a lista de tarefas

Após escrever todas as tarefas, organize-se juntando as que são similares. Use como critério agrupar as tarefas que estão relacionadas, que fazem parte de uma mesma área da sua vida. Robbins exemplifica: quais tarefas, situações e metas estão relacionadas a dinheiro ou finanças? Quais se relacionam com a família e relacionamentos? Quais estão ligados ao seu desenvolvimento pessoal? Quando você começa a pensar em suas tarefas como agrupamentos de resultados desejados, é possível manter o estresse sob controle e se concentrar nos objetivos maiores, em vez de ficar sobrecarregado com os mínimos detalhes.

mesa caderno caneta celular

Fonte: foto de Dose Media em Unsplash

Identificando o resultado

Agrupadas as tarefas, a próxima etapa é identificar qual o propósito de cada grupo, qual o resultado esperado. Observe que para isso as tarefas precisam ter similaridades. Talvez seja preciso reagrupar as atividades de modo que o objetivo fique mais claro. Aqui também é o momento de priorizar as tarefas, ou seja, identificar, dentro de cada grupo, quais as mais importantes para o que o resultado seja alcançado. Lembre-se também de manter um equilíbrio entre os grupos, para não descuidar de nenhuma área da sua vida.

Focando no propósito

Identificar o resultado é fundamental para se ter sempre em mente qual o motivo pelo qual fazemos cada uma de nossas tarefas. Isso é a base do que é proposto pelo método: trabalhar nosso cérebro para focar nos objetivos que queremos alcançar e não no que precisamos fazer. Entender porque fazemos o que fazemos ajuda a se manter motivado. No post que eu já fiz aqui falando sobre motivação esse foi um ponto importante que eu mencionei: ter em mente o que queremos alcançar é um aspecto fundamental para se manter motivado.

O que eu gosto nessa metodologia é que ela foca mais em mudar a forma de encarar nossas tarefas do que simplesmente propor formas de organizá-las. Observe que o ponto chave do método é focar nos resultados. Tudo gira em torno dos objetivos e do propósito: são eles que guiam nossas ações diárias e a forma como lidaremos com elas. Métodos de gerenciamento de tempo e de organização de tarefas existem aos montes. Mas mais importante do que usar mil e uma técnicas é ter uma mentalidade voltada para resultados, desenvolver um mindset produtivo, criar a intenção de equilibrar nossa vida e não apenas trabalhar e se encher de tarefas que não levam a lugar nenhum e algumas vezes apenas nos deixam cansados e infelizes.

Claro que os métodos de administração de tempo e gestão de tarefas funcionam e tem sim muita utilidade. Você inclusive consegue obter resultados com ele mesmo se não trabalhar sua mentalidade. Entretanto, tais métodos combinados com o trabalho mental certamente nos levam muito mais longe.

Esse método é um pouco diferente dos que eu já falei por aqui justamente por focar na mudança de pensamento. O que você achou da metodologia? Acha que cuidar dessa parte mental é realmente importante? Você se preocupa com isso? Me conta nos comentários, vamos trocar algumas ideias!

Até mais,

Juliana Sales

20 comentários sobre “Método RPM: mantenha o foco nos resultados.

  1. Apesar de comprovada a sua eficácia sou um pouco reticente quanto à utilização de métodos de forma rígida, sou mais aquela pessoa de que se tem algo para fazer é fazer e pronto, o que vem primeiro é o que faço. A nível laboral aí sim convém seguir um método onde se definam quais as tarefas prioritárias e não tanto pela ordem que surgiram. Portanto aceito métodos a nível laboral e não tanto no meu dia-a-dia.

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    • Olá! Você mencionou um ponto que eu repito o tempo todo aqui no blog: quando de trata de organização e produtividade pessoal, nada deve ser muito rígido. Defendo sempre que não existe certo ou errado e nem um método que seja melhor do que o outro. O que vale é se organizar e buscar ser produtivo de uma forma que funcione para você. Por isso eu já mostrei tantos e tantos métodos e formas diferentes aqui no blog: cada um deve ser capaz de escolher o melhor jeito de levar sua vida. 😉

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  2. Focar no resultado acaba por ser tornar uma motivação a mais para realizar a tarefa da melhor forma possível e não apenas fazer por fazer. Inclusive cria-se a possibilidade de aperfeiçoar a tarefa a fim de obter os resultados mais positivos possíveis.

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  3. Oi Juliana!
    As coisas são tão engraçadas, esses dias mesmo uma amiga minha estava me falando. Anota seus objetivos, faz uma lista na ordem de prioridade e vai trabalhando para alcançar. Foca em um, quando conseguir, parte pro próximo… E, querendo ou não, tem um pouco de relação com esse método, que faz a gente ver se as tarefas que realizamos estão sendo feitas em prol de alguma coisa. Achei bem legal isso, ajuda a pensar no “resultado final” e pode ser conciliado com outros métodos de organização de tarefas.
    Estou na fase de me organizar, escrever tudo que quero no papel e traçar expectativas e meios de alcançar. Acho que essa visualização que o RPM propõe é uma boa pra auxiliar! ❤
    xoxo

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  4. Oi Juliana!
    Eu adoro seus posts e eles sempre me trazem boas reflexões.
    Foco e plano de ação, sinto que preciso trabalhar melhor estes temas.
    Confesso (bem baixinho) que às vezes morro de preguiça de listar e detalhar estas etapas e por isso não faço
    Com certeza a questão emocional é importantíssima
    Beijos, querida

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  5. Oi Juliana, gostei bastante do método achei interessante realmente focar no resultado pode ser uma motivação a mais principalmente quando temos aqueles desafios em que nossa tendência é procrastinar por medo de não atingir os resultados, no meu dia a dia costumo fazer lista de afazeres pois me ajudam a não deixar os pensamentos soltos então sobra mais espaço na minha mente para outras coisas, esse post veio bem a calhar na questão em que preciso ver o que é melhor pra mim, achei super interessante! Bjs.

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  6. Esse método me lembrou um pouco o que eu me forçava a fazer no ensino médio: eu estudava matemática pensando na nota boa que ia tirar na prova, mas como nunca gostei dessa matérias, a nota boa não vinha. Mas, fora isso, percebo que sigo esse método há tempos, pois, querendo ou não, a maioria das coisas que fazemos são feitas pensando em recompensas futuras 🙂 todos temos um propósito maior do final das contas!

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  7. Olha, eu acho que foco e objetivo são coisas essenciais e quando a gente consegue mesclar tudo isso é maravilhoso. Eu tenho objetivos práticos-direitos e geralmente consigo realiza-los, quando a preguiça não aparece e faz tudo parecer um castelo de cartas.
    Eu sempre precisei mais do objeto motivação que de qualquer outra coisa. Não sei fazer coisas apenas para pagar contas, por exemplo. Não funciona comigo, não me leva a lugar algum. Preciso de algo que me instigue a realizar um projeto. Um não, por exemplo, é bastante motivador. No ano passado foi uma negativa que me fez elaborar um dos melhores projetos pessoais… rs
    Uma coisa que me motiva também é um período de ócio. Até discuti isso em terapia há algum tempo e descobri que a parte criativa do cérebro precisa realmente de ócio. O problema é que a mente, se a gente não tomar cuidado, nos traí e não saí do tal ócio.
    Em suma, haja mecanismos para existir e realizar alguma coisa.
    bacio

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  8. Cada vez que venho ao seu blog eu penso que preciso mudar e tomar vergonha na cara rs. Eu não sou nada organizada, eu sempre fico protelando e procrastinando rs.
    Eu sempre fiz listas na minha vida, buscava metas e fazia lista e ia seguindo e a vida dava certo. Não sei quando e nem o motivo que larguei de mão dessa lista de objetivos.
    E esses dias me dei conta que engordei 20 quilos, parei de ler como lia antes, parei realmente de produzir. Eu não havia percebido isso, e foi chocante notar como me perdi na minha vida sem objetivos claros. Pois ainda tenho meus objetivos, mas alcançar sem um foco esta muito mais difícil. Seu post só me mostrou mais um pouco que ter um objetivo, traz clareza e melhores resultados.

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  9. […] Método RPM: mantenha o foco nos resultados. O método RPM, desenvolvido por Anthony Robbins ensina que focar nos resultados pode ser a chave para aumentar sua produtividade e realizar suas metas. Segundo a metodologia, não devemos focar no que precisamos fazer, em quais as nossas tarefas e sim no que desejamos alcançar, nos nossos objetivos. Tendo nosso propósito em mente fica mais fácil definirmos e priorizarmos nossas tarefas, além de nos permitir trabalhar no que de fato é importante para nós e não para os outros. […]

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