Minimalismo e Produtividade

Quando se fala em minimalismo, o que vem muitas vezes a nossa cabeça é a ideia de viver com o mínimo possível, se livrar de tudo que não é útil e viver só com o básico. Minimalismo até pode ser isso, mas não obrigatoriamente.

Já há algum tempo tenho ouvido e lido por aí sobre minimalismo e admito que a princípio não foi uma ideia que me atraiu. Como assim eu preciso me livrar das minhas coisas? Meus preciosos livros, minhas fotos, minha coleção de tampinhas de garrafa? (brincadeira, eu não tenho uma coleção de tampinhas de garrafa, foi só um exemplo). O fato é que todos nós temos apego com certos objetos, que por mais que não tenham nenhuma utilidade, são coisas que queremos manter conosco.

Mas minimalismo não é necessariamente isso. Por tudo que já li sobre o assunto, a minha ideia de minimalismo é: ficar com apenas o que é importante. E importante pode ser algo útil, necessário ou com valor emocional. Minimalismo é manter o importante e é você quem define o que é importante.

Nesse sentido, o conceito de minimalismo vem de encontro a uma premissa básica da organização: não se organiza tralha. Antes de se organizar você deve fazer um processo de classificação, para definir o que é tralha e o que não é. Tralha é o que você pode descartar, doar ou jogar fora. O que fica é o que tem importância e o que será organizado.

Sendo sincera, minimalismo ainda não é uma coisa que eu pratique no meu dia a dia, em termos de coisas materiais. Exceto pelo hábito que eu tenho de a cada três ou quatro meses fazer uma limpa no meu guarda roupas e doar o que eu não uso mais, quase não faço esse processo de desapego. Sei, por exemplo, que eu tenho muitos livros e não tenho a intenção de me livrar de nenhum deles. Também acho que tenho bolsas e sapatos mais do que o necessário, mas não é algo que eu considere desapegar.

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Foto de Thomas Quaritsch em Unsplash

Enfim, aonde eu quero chegar é que eu aplico o minimalismo na minha vida de outra forma, que não estritamente ligada a coisas materiais. O conceito para mim se refere mais a planos, projetos, ideias, tarefas e obrigações que eu assumo.

Quanto mais eu lia sobre minimalismo, mais comecei a pensar que o conceito é muito mais amplo do que consumir menos, comprar menos ou descartar objetos.  O que faz sentido para mim é usar tais recomendações para gerenciar minha mente, meu dia a dia, meu tempo e minhas tarefas.

Algumas situações em que eu procuro aplicar a ideia do minimalismo na minha vida:

  • eu sempre fui uma pessoa com mil e uma ideias e com vários planos. Tantos, que muitas vezes eu não fazia nada porque eram ideias demais e tempo de menos. Eu dividia meu tempo entre tantas coisas diferentes, que acabava que nenhuma delas saía do lugar. Eu fazia várias coisas e não obtinha resultado nenhum. E isso é exatamente o oposto de ser produtivo. Continuo tendo mil ideias na cabeça? Sim! A diferença é que eu procuro identificar qual a mais importante no momento e me dedicar a ela.
  • além da minha profissão regular, tenho alguns projetos paralelos (inclusive o blog). Eu trabalho como autônoma, então minha rotina é bem variável. Em alguns períodos tenho vários clientes e vários projetos para gerenciar e em outros tenho bem menos trabalho. Isso, combinado com meus projetos extras, acaba ocupando boa parte do meu dia. Eu já cheguei a sacrificar horas de sono e de lazer para me dedicar à trabalho/projetos.  Hoje não faço mais. Minhas horas de descanso são intocáveis. Se isso significa recusar algum cliente ou ter que deixar algum projeto pessoal suspenso, paciência.
  • diretamente relacionado ao item anterior está a forma como organizo minhas tarefas e administro meu tempo. Procuro dividir bem as horas de descanso e as horas de trabalho. E no horário de trabalho, priorizo aquilo que é realmente importante: projetos com prazo de entrega, pendências, coisas urgentes que surjam eventualmente. Eu não tento encaixar na minha lista de tarefas uma quantidade absurda de coisas.

Tudo isso que eu falei tem relação direta com aprender a definir prioridades. Se minimalismo é manter o que é essencial, você deve ser capaz de identificar quais são as prioridades. Elas são as coisa essenciais que devem ser mantidas.

No final das contas, a ideia do minimalismo é uma só: simplificar. Isso implica em eliminar o excesso, as coisas desnecessárias e que acabam de atrapalhando e desviando seu foco. E isso vale tanto para um guarda roupas abarrotado onde você demora horas para achar uma peça (e as vezes nem acha) quanto para uma lista de tarefas cheia de atividades poucos importantes.

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Foto de Sebastian Bednarek em Unsplash

Algumas dicas para colocar todo esse conceito de minimalismo em prática para melhorar a sua produtividade:

  • identificar suas prioridades. Como já falei antes, para manter só o que é importante você precisa ter consciência do que é importante. Por isso a necessidade de saber quais são suas prioridades. E lembre-se, que tem 10 prioridades na verdade não tem nenhuma.
  • aprender a dizer não. Quando você conhece suas prioridades fica mais fácil dizer não para aquelas coisas que não fazem parte delas ou não contribuem para alcançar seus resultados. E isso inclui  tarefas que você pode delegar, responsabilidades que você assume mas não são suas, reuniões longas e desnecessárias.
  • organize o seu espaço de trabalho. Vale para sua mesa e para o seu computador. Mantenha a mão só o que você realmente usa no seu dia a dia. Mantenha no seu desktop apenas os ícones de uso frequente ou que você está trabalhando no momento.
  • elimine o máximo de distrações possível.  Ao sentar para escrever um relatório, por exemplo, silencie o celular. Desative as notificações de mensagens. Deixe aberto no seu computador só o que realmente está usando no momento.
  • faça um coisa de cada vez. Não seja multitarefa. Eu já falei muitas vezes por aqui o quanto e porque a multitarefa é prejudicial à produtividade (no link tem um post só sobre isso).

Eu quis trazer nesse post o conceito de minimalismo mais para a área de gerenciamento de tarefas, projetos e das coisas que influem na nossa produtividade. Acho importante lembrar  que a forma como cada um coloca o minimalismo em prática nunca será igual de uma pessoa para a outra. Isso porque ele foca no que é essencial, é essa percepção varia para cada indivíduo. O que é essencial para mim pode não ser para você e vice-versa.

Outra coisa importante é que quem está em busca de melhorar sua produtividade e quer adotar a mentalidade minimalista precisa também fazer uma autocrítica com relação a forma como tem buscando essa melhoria. É mais ou menos o que eu disse no post de alguns dias atrás sobre os fundamentos da produtividade. Ser produtivo é simples. Os três pilares que você deve cuidar para se manter produtivo são: tempo, energia e atenção.

A ideia do minimalismo complementa esse post onde eu falo sobre simplificar a busca pela produtividade. O ponto é que não adianta querer estudar, entender e usar todas as técnicas ao mesmo. Não adianta querer usar todos os aplicativos de organização e produtividade se você passa mais tempo no celular gerenciando esses aplicativos do que de fato fazendo tarefas ou se organizando. Não adianta também ler mil e um livros, encher sua cabeça de ideias e não colocar em prática. Deu para entender a ideia?

O que vocês acham do conceito de minimalismo, especialmente da forma como eu apresentei aqui? Parece uma boa ideia? Já aplicam algo parecido no seu dia a dia?

Até mais,

Juliana Sales

 

16 comentários sobre “Minimalismo e Produtividade

  1. Acho incrível quem consegue ser minimalista, já pensei em tentar, mas é muito difícil HSUHSAU
    Sou canceriana, ou seja, acumulo muitas coisas, tô sempre guardando tudo com a desculpa de “vai que eu preciso”, sabe ? Mas ainda sim consigo fazer uma faxina nas minhas coisas e doar ou jogar fora coisas que não preciso mais e organizar minhas coisas, porém não dá uma semana e já tô desorganizando e guardando tudo de novo!

    Talvez um dia eu tente ser minimalista, não vou desistir! HUSHUAS

    Amei seu post e suas dicas 🙂

    Beijos
    http://invernode1996.blogspot.com

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  2. Sou acumuladora, confessor, mas ser minimalista às vezes é essencial! E adorei sua dica de praticar isso também nos planos, projetos, ideias e afins! Sei

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  3. Esse é o melhor método pra mim, que bom seria se eu conseguisse ser minimalista em vários aspectos da vida. Simplificar e manter só o básico contribui muito pra se manter uma rotina diária mais leve, já tento aplicar esse conceito nas minhas tarefas, o próximo passo é desapegar de itens materiais.

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  4. Oi Ju!
    Acho que você resumiu minha vida nesse post. No começo do ano/fim do ano passado tentei começar um projeto do tipo ‘desafio minimalista’, em que a gente se propunha e desapegar, rever várias coisas.
    Não é de se esperar que eu não tenha completado os 30 dias. Primeiro, porque, como você, eu posso muito bem dizer que tenho livros demais, mas não dá pra eu dizer que quero ou vou me livrar de alguns por essa razão, simplesmente, porque meus livros tem um valor para mim, assim como várias outras coisas da minha vida.
    E, uma das coisas que percebi nesse ano de 2018, foi que, a medida que eu aceitei que sim, sou alguém que tem e guarda muitas coisas e que isso também está ok e que o que eu preciso aprender é a focar nos projetos, não em todos ao mesmo tempo, tenho conseguido avançar na execução das coisas. Como você disse, é questão de saber filtrar e escolher. Não havia feito essa relação com o minimalismo antes, mas gostei muito da forma que você abordou aqui.
    xoxo

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  5. Aquele conceito de minimalismo “radical” onde a pessoa vive com o mínimo do mínimo com certeza é algo que eu não conseguiria viver, e acho que isso está relacionado com a minha criação. Não que meus pais sejam minimalistas, mas passei minha vida toda ouvindo que o “ideal de vida” a ser alcançado era uma casa “de rico”: organizada, móveis claros e vazia. Não sei se conseguiria viver desse jeito, até porque se tem uma coisa que eu gosto mais que livro é uma barganha hahaha.
    Bom, mas até certo ponto eu concordo com o minimalismo, especialmente no que se refere a organização. Essa semana estou planejando doar um monte de livros que não pretendo ler mais. Também costumo me livrar de coisas sem uso. Ajuda a manter o ambiente organizado e limpo 🙂
    Eu adorei o post e o modo coml você “juntou” o minimalismo e a organização!

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  6. Oi Juliiana,

    Sempre que eu ouço falar em minimalismo, me lembro de Fernando Pessoa, cuja vida cabia dentro de uma maleta. Que inveja eu sentia desse homem. Eu tenho uma casa inteira de coisas. E não sei onde diminuir nada. Consegui reduzir os livros, no mês passado. Mas eu sei bem a que custo. aff
    Eu tenho tentado juntar menos papel, mas já consegui não comprar roupas nos últimos seis meses e descobri que é possível existir sem dúzias de tenis (sei o quanto é difiícil não comprar um par de tênis novo da timberland) e ter apenas uma mochila. Dio santo. Mas já desisti da idéia de não comprar mais livros, enquanto não ler todos os que tenho a casa. Isso é piada e não funciona comigo. rs
    Consciência é tudo. Vamos em frente.

    Adorei o post, vou ler de novo, pela manhã… e pensar melhor no que falta reduzir nessa mesa insana, já estamos quase no meio do mês e em breve, será ano novo para mim. Preciso me organizar.

    bacio

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  7. Finalmente um lugar que fala sobre minimalismo do jeito que eu considero que seja! Acho importante disseminar essa ideia de que minimalismo não é jogar tudo fora, só assim as pessoas vão conseguir unir essa ideia com a vida real!

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    • Oi Graziele. Fico feliz que tenha gostado da forma como eu abordei o minimalismo. Realmente para mim essa coisa de jogar tudo fora não funciona. Claro que para algumas pessoas dá certo, mas não é o meu perfil. Acho importante falar que não necessariamente tem que ser igual para todo mundo sabe? Obrigada pela visita e pelo comentário.

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