Uma reflexão sobre técnicas de produtividade

Eu já falei por aqui sobre o quanto o excesso de informação é prejudicial à nossa produtividade e mesmo à nossa saúde mental. E isso se refere a todo e qualquer tipo de informação em excesso. Inclusive quando estamos pesquisando e buscando aprender mais sobre como melhorar nossa produtividade. Como assim?

Primeiro, vamos lembrar que o excesso de informação ocorre quando recebemos mais informação do que somos capazes de processar. E hoje, quando tudo está ao nosso alcance com poucos cliques, é algo extremamente comum. Claro que isso tem suas vantagens, por exemplo a facilidade de pesquisarmos e aprendermos sobre os mais diversos assuntos. Porém, o outro lado é aquele que pode nos prejudicar justamente por não conseguirmos lidar com tanta informação.

Este problema tem vários aspectos:

  • estresse e cansaço mental, já que nosso cérebro está constantemente processando algum tipo de informação;
  • perda de tempo ao consumir informação que não é útil nem relevante;
  • dificuldade em selecionar fontes confiáveis, levando a um consumo excessivo de conteúdo fraco, repetitivo e que em nada agrega;
  • paralisia por análise, onde não conseguimos transformar o conhecimento que adquirimos em algo útil e aplicável;
  • dificuldade em tomar decisões perante a grande quantidade de opções.

Tudo isso vale para todo e qualquer tipo de informação. Inclusive para quem está pesquisando sobre produtividade. Vamos entender então como é que a busca por aprender mais sobre métodos e técnicas para ser mais produtivo pode ter um efeito oposto ao esperado, afetando negativamente nossa produtividade.

Digamos que você decidiu ser uma pessoa mais produtiva. Não importa o motivo, nem quais suas tarefas, nem o que você precisa fazer. Muito provavelmente sua primeira ação é recorrer ao Google. Onde, logicamente, você vai encontrar infinitas opções: milhares de artigos, blogs sobre o assunto, indicações de livros, opiniões de especialistas.

Qual seria o caminho mais natural? Escolher algumas dicas ou técnicas que pareçam atender as suas necessidades e se adaptar a sua rotina e ao seu gosto pessoal e começar a aplicá-las imediatamente no seu dia a dia. Talvez, se você simpatizar com algum especialista da área ou com algum site específico, passar a acompanhá-lo regularmente. Quem sabe, comprar um ou dois livros sobre o tema.

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Foto de Nathan Riley em Unsplash

Acontece que não é isso que muitas pessoas fazem. Muita gente vai querer ler e conhecer o máximo número possível de técnicas antes de escolher uma. Vai querer acompanhar tantos especialistas quanto possível para ter “pontos de vista diferentes”. Vai pretender ler todos os livros que aparecerem para ver se “aprende algo novo”.

Ok, isso não é obrigatoriamente algo ruim. Buscar conhecimento nunca será ruim. O ponto é: o que você está fazendo com esse conhecimento? Se o que te impulsionou a pesquisar foi melhorar sua produtividade, do que adianta não colocar em prática a informação que você está encontrando?

Dos pontos que eu listei lá em cima, referentes aos problemas relacionados ao excesso de informação, os dois últimos são os que melhor explicam a questão de porque a sua busca por melhorar sua produtividade pode tornar você ainda mais improdutivo.

A paralisia por análise tem duas particularidades. A primeira e mais óbvia é explicada diretamente pela grande quantidade de conteúdo que você lê. É tanta informação que nos sentimos literalmente paralisados. Gastamos tanto tempo pesando os prós e os contras, as vantagens e desvantagens de cada dica (ou método ou técnica…) que acabamos não agindo. É o mesmo caso de quem faz um planejamento perfeito mas não o coloca em prática. Por mais que a intenção seja boa, o resultado obtido é zero.

A outra particularidade se relaciona com a busca pela perfeição, pela necessidade de ter e fazer sempre o melhor. Na busca pelo melhor método, pelo método ideal, acabamos não usando nenhum porque acreditamos que o próximo sempre será melhor. E assim, continuamos sem agir e sem obter resultado algum. Aqui ainda pode-se considerar outro ponto, a dificuldade de tomar uma decisão tendo em vista a ampla possibilidade de escolha (no caso, definir qual a melhor técnica dentre todas as que você encontrou).

Pode acontecer também que alguém troque de técnicas o tempo todo. Começa a usar uma metodologia, acha que não está funcionando como o esperado, então começa a usar outra. Essa segunda também parece não entender as expectativas, e troca-se de novo. E assim sucessivamente. Obviamente isso não quer dizer que você tenha que usar sempre o mesmo método ou que não possa fazer alguns testes antes de escolher algum. Até porque as circunstâncias da vida mudam e uma técnica que te atende hoje pode não mais atender amanhã. O problema é o excesso, a troca constante, que não permite que o método seja efetivamente implantado e possa apresentar resultados.

notebook oculos caderno caneta

Foto de Trent Erwin on Unsplash

Fica a pergunta: como fazer então para que esse interesse no assunto não acabe tendo o efeito contrário ao esperado? Acredito que o primeiro passo é entender que você não está obtendo os resultados que deseja. Se você está o tempo todo testando métodos de produtividade e pesquisando e lendo sobre o tema, mas ainda continua perdendo prazos e não dando conta de todas as suas tarefas, algo está errado. Se você leu esse post e sentiu uma identificação, já é um primeiro passo porque você percebeu a existência do problema.

O segundo passo é: consistência. Ninguém se torna mais produtivo do dia para a noite. Usar uma técnica por uns poucos dias não é suficiente para dizer se ela funciona ou não. Então, quando escolher qual dica seguir, qual aplicativo usar, qual metodologia de produtividade adotar, mantenha isso de forma consistente. E faça o possível para escolher aquela técnica que de fato irá atender a sua real necessidade.

Eu já falei aqui no blog sobre os três fundamentos da produtividade: tempo, energia e atenção. Se você não consegue ser produtivo, é porque seu problema é em um (ou mais desse) fundamentos: falta de tempo, falta de energia e/ou falta de atenção. Quando eu falo de escolher uma técnica que atenda suas necessidades é identificar se o que te falta é tempo, energia ou atenção e usar alguma metodologia que resolva esse problema.

Por exemplo, se você tem tempo disponível, mas não consegue finalizar suas tarefas e está sempre procrastinando e perdendo prazos, não adianta usar técnicas ou seguir dicas sobre administração do tempo porque o que te falta é energia ou atenção (ou ambas). Nesse caso, você precisa de algum método que te ensine a driblar essa falta de energia e aprender a lidar com ela. Da mesma forma, não adianta estudar sobre técnicas para melhorar sua concentração e foco, se o seu problema não é falta de atenção e sim de tempo.

O reflexão final que eu quero deixar com esse post é que qualquer técnica ou método de produtividade é apenas uma ferramenta para te ajudar a lidar melhor com seu tempo e suas tarefas. Mas, como qualquer ferramenta, ela não é capaz de fazer nada sozinha. Toda ferramenta só cumpre seu papel quando usada de forma correta. Cuidado com métodos de produtividade que prometem milagres, técnicas que garantem mudar sua vida ou dicas milagrosas. E cuidado também para não gastar tempo demais lendo, pesquisando, estudando, enchendo seu cérebro com informações que não estão sendo transformadas em conhecimento e não são aplicadas no dia a dia. Isso pode inclusive trazer um sentimento de frustração porque você fica com aquela sensação de que nada funciona e vai continuar improdutivo.

Vamos conversar sobre esse assunto? Acho importante refletir sobre a utilidade e a relevância do conteúdo que consumimos, sobre a forma pela qual escolhemos esse conteúdo e, claro, como isso afeta a nossa vida. Deixem a opinião de vocês nos comentários.

Até mais,

Juliana Sales

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20 comentários sobre “Uma reflexão sobre técnicas de produtividade

  1. Acho que a pessoa em questão pode usar da técnica que quiser para ser mais produtiva, mas ela não será eficaz caso ela não se conheça, entenda como ela funciona e o que a motiva. Eu, por exemplo, estou nesse processo agora, de entender meus horários, as coisas que gosto de fazer e como gosto. Minha semana foi relativamente bem proveitosa graças a essas pequenas anáqlises, tanto que minhas amigas falamdo que “o dia da Luh têm 72 horas” haha.
    Adorei você ter abordado esse assunto por aqui. Seus posts são muito engrandecedores ❤

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    • Tem muito disso também Luana. Muitas vezes as pessoas não conhecem suas reais necessidades e onde estão seus principais problemas. Ai, ficam pulando de uma técnica para a outra sem saber ao certo porque nada funciona. Fico feliz que goste do posts! 🙂

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  2. Eu vivo procurando formas de poder me tornar uma pessoa mais produtiva. Uso principalmente o Pinterest para encontrar tais coisas. Sempre anoto tudo, mas sempre acabo deixando de lado, pois nunca consigo parar para focar em produtividade por causa das responsabilidades. Seu post me ajudou a perceber que ficar com anseio por produtividade é algo que polui um pouco a nossa mente ❤

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  3. Acho que o fator principal é a pessoa conhecer quais são realmente suas necessidades atuais, suas possibilidades de chegar ao ponto que deseja, os caminhos que lhe são viáveis. Aí sim escolher o método que melhor atenda seus anseios e focar. Não adianta conhecer mil métodos se não vai conseguir aplicá-los, com certeza isso mais atrapalha do que ajuda.

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    • É exatamente isso Patrícia! A pessoa precisa conhecer bem sua rotina, sua necessidade e quais problemas precisa resolver para conseguir escolher um técnica que funcione para ela. O problema é que a maioria não tem esse momento de reflexão.

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  4. Olha Juliana, esse é um assunto que me aborreceu durante algum tempo, aliás, desde o surgimento da internet em que parecia ser impossível (lá no começo) não receber informações de todos os cantos do mundo. Me lembro que discuti o tema com um professor sobre o quão isso seria ruim para as pessoas, que intensificaria a questão da solidão.
    Eu me afastei das redes sociais por não conseguir manter distância de certos temas e as pessoas estão muito agressivas, certas de tudo, principalmente de suas opiniões sobre tudo e nada. Ninguém para e analisa. Ninguém aprende, apenas se pauta pelo que disse o outro e escolhe um lado. É muito cansativo.
    Uso os grupos e confesso que as bolhas criadas me aborrecem. rs
    Bem, fora isso, evito ler muitas coisas na internet, sigo dando preferência ao jornal e revistas escritas que gosto e aprecio e a conversa com pessoas sensatas, por sorte, conheço algumas ainda. Nos blogues, leio em maioria, os literários porque são os que preenchem certas lacunas e são úteis ao meu trabalho. rs

    bacio

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    • Sim Lunna, realmente as vezes fica difícil se blindar contra o tanto de informação que a gente recebe. Eu acho que o segredo é ser seletivo mesmo, sabe, e isso passa por autoconhecimento e por selecionar bem suas fontes de informação. Afinal, a ideia é agregar e não deixar tudo mais confuso!

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  5. Oi Juliana! Tudo bem?
    Nossa, esse post veio em ótima hora.
    Tenho passado por isso na minha vida. Estou tentando encontrar o método correto para estudar mas acabo não conseguindo fazer nada porque não sei por qual método começar.
    São muitas opções e é difícil avaliar logo de cara qual melhor se adapta à minha rotina e acabo estacionada apenas pesquisando e não executando.
    Espero que eu consiga mudar isso em breve. Visitarei mais seu blog em busca de dicas que me auxiliem.
    Beijos!

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    • Olá! Fico feliz que o post tenha chegado em um momento em que será útil pra você! Dica aqui é o que não falta, espero que logo você consiga encontrar o melhor método para melhorar sua produtividade e os seus estudos.

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  6. Oi Juliana!

    Essa parte do excesso de informação é sempre perceptível, eu já me afastei de alguns grupos e coisas que deveriam me ajudar a fazer alguma tarefa ou objetivo porque, no fim das contas, era tanta coisa pra absorver que eu não dava conta de, efetivamente, ser produtiva, concluir o que era necessário. Acho que qualquer assunto que decidimos estudar, analisar, aprender, corrermos esse risco, como você pontuou.
    Sobre organização com certeza não é distinto. Às vezes me pego testando uma coisa, depois outra e, daí, quando vejo estou só nessa “fase de teste” e não aplico nada de fato, não dou tempo do processo internalizar. Agora ando dando passos mais seletos e com foco, pra ver se consigo realmente resultados.
    Adorei o post e acho que é um ótimo alerta pra pensarmos em como lidar com esse mundo de informações que estamos inseridos.
    xoxo

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    • É bem como você disse Renata, é muita informação, mais do que o nosso cérebro consegue processar. Mesmo que seja informação que em teoria seria para nos ajudar. Ainda mais se for uma pessoa ansiosa, por exemplo, que espera resultados imediatos. Fico feliz que tenha gostado do post.

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  7. Nossa Juliana, seu texto parece que foi escrito pra mim!
    Sério, tem dias que o excesso de planejamento me faz ficar tão paranoica que eu acabo não fazendo NADA do que havia planejado anteriormente. Mas isso está mudando (felizmente!), e graças ao novo “método” de organização e planejamento que estou tentando usar de uns tempos pra cá (pois é, eu ficava mudando de metologia sempre :S).
    Acredito que isso seja algo que devemos pensar com carinho e muita atenção; e no final das contas, creio que cada um saiba qual a melhor forma de se organizar e manter uma “rotina” sem que a procrastinação venha – muito embora às vezes a gente precise de uns empurrõezinhos e de alguém ou algo (livro, artigo, texto, enfim…) que nos guie no caminho certo a se seguir.
    Enfim, adorei seu texto e agradeço por estar sempre compartilhando seu conhecimento com a gente num assunto tão importante que é a organização e planejamento *-*
    Beijinhos e boa semana.

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    • Belle, eu sei bem como essa coisa de planejar muito e não sair do lugar, acredite. Já fui muito assim e mesmo hoje ainda tenho alguns momentos em que isso acontece. Mas tudo é questão de entender o que funciona melhor para nós e, como você disse, lá no fundo todo mundo sabe, só é necessária parar e refletir um pouco. Fico feliz que goste do conteúdo que compartilho por aqui!

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  8. Oi Juliana realmente o excesso de informações prejudica…As vezes nem sabemos por onde começar. Então é hora de parar e filtrar as informações mais cabíveis as suas necessidades.
    Abraços

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  9. Realmente, as vezes menos é mais hoje em dia. Existem tantas alternativas que querer abraçar a todas de uma só vez acaba sendo sinônimo de fracassar em todas ao mesmo tempo. Também tenho postagens semelhantes no meu blog, fiz um resumo um tempo atrás de todas as técnicas de meta-aprendizado que me deparei ao longo da vida, e atualmente estou lendo “O poder do Hábito”, e embora já tenha muitas das técnicas no meu método, vou refinando as idéias cada vez mais. Criei o método Objetivo, Observar, Absorver e Orientar! Uma técnica que dependendo do objetivo consigo aprender uma nova habilidade em até 3 dias ou 20 horas

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    • Olá, obrigada pela visita. Você falou muito bem quando disse que querer abraçar tudo de uma vez é sinônimo de fracassar. É exatamente isso. O Poder do Hábito é um excelente livro, já até fiz post sobre ele aqui no blog. Fui conhecer seu blog mas o site parece estar fora do ar. :/

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  10. As pessoas ao adotar uma metodologia, precisa ir até o final para saber se dará certo ou não, chegar no meio do caminho e ficar trocando de técnicas, fará com que ela empaque no seu projeto e o mesmo não fluirá.

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  11. […] Outra coisa que eu vejo que está diretamente relacionada a essa busca superficial pela produtividade é o excesso de informação. E aqui vale tanto quando se fala em informação de forma geral, como eu já expliquei nesse post, quanto o excesso de métodos e técnicas de produtividade, como eu também já falei nesse outro post. […]

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