A Mente Organizada, Daniel Levitin

Este é o segundo post do projeto de leitura aqui do blog, onde eu me propus a ler, em 5 meses, 5 livros sobre produtividade/organização e temas relacionados. É um projeto bem simples, que eu criei com o objetivo de me ajudar a ler mais sobre esses assuntos, que tanto me interessam, mas que acabavam ficando de lado, já que eu estava lendo muito mais obras de ficção. Escolhi cinco livros da minha lista e todo mês tem post aqui no blog sobre o livro lido.

Mês passado o livro da vez foi O Milagre da Manhã, de Hal Erold ( e você pode clicar ali no link para ler) e esse mês a leitura foi A Mente Organizada, de Daniel J. Levitin. O autor é um psicólogo cognitivo e neurologista, além de professor universitário e pesquisador.

Pela introdução do livro já fica clara como será a abordagem do autor ao longo de todo o texto: bem detalhada, cheia de evidências científicas e com muitas informações e termos técnicos. Resumidamente, a proposta do livro é explicar como nossa mente e nosso cérebro funcionam em termos de organização, memória, aprendizado –  tudo isso no contexto da era da sobrecarga de informação. O autor explica como funciona a organização e o processamento de informações em nossa mente e como isso pode ser usado para organizarmos nossa casa, nosso tempo, os negócios, as relações sociais e até para tomarmos decisões.

Quero avisar logo de cara que não é uma leitura rápida e fácil, como foi O Milagre da Manhã, por exemplo. Se você está esperando por um livro cheio de dicas práticas sobre organização e produtividade, esse não é o caso. Ele tem sim várias dicas muito úteis, mas antes de chegar nelas o autor apresenta e explica todas as evidências científicas que comprovam porque aquela dica funciona.

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Foto de Pinho em Unsplash

Quanto ao conteúdo, o livro é composto por três parte, sem contar a Introdução. Na Parte Um são dois os focos: como o excesso de informação ocasiona um excesso de decisões e quais são os conceitos que precisam ser entendidos para compreendermos como nossa mente funciona. A Parte Dois traz aplicações de como as descobertas neurocientíficas podem ser aplicadas para organizarmos nossa vida em geral. Claro, todas essas aplicações são antecedidas de extensas e detalhadas explicações sobre a ciência por trás de cada conclusão. A Parte Três fala sobre como lidarmos com todo esse excesso de informação e como preparar as próximas gerações para isso.

Para mim, a parte dois foi a mais interessante, justamente por apresentar aplicações de todo o conhecimento e das descobertas científicas apresentadas durante o livro. Eu gostei muito de ver por lá várias dicas que eu mesma uso no meu dia a dia, e que eu já apresentei aqui. E o mais legal é que todas essas dicas vieram acompanhadas de explicações científicas de porque elas funcionam e resultados encontrados em diversos estudos que realmente comprovam sua eficiência. Vamos ver algumas dessas dicas.

Ainda na parte um, quase no final, o autor falar sobre seleção ativa ou triagem, que nada mais é que separar as coisas que você precisa fazer agora das coisas que podem ficar para depois. Esse é um conceito básico relacionado a definição de prioridades e também é essencial na hora de organizar sua lista de tarefas, para não ficar sobrecarregado em um sem fim de atividades que, em sua maioria, não são urgentes nem importantes. Ele diz também que essa triagem pode ser feita de muitas formas e que não há um único jeito certo de fazê-la. Como exemplo, ele mostra a forma que um ex-chefe separava a correspondência recebida: 1) coisas que precisam ser resolvidas imediatamente; 2) coisas que são importantes, mas podem esperar; 3) coisas que não são importantes, mas que mesmo assim devem ser guardadas e 4) coisas que podem ser jogadas fora.

Parece familiar? Eu já falei muito por aqui sobre fazer esse tipo de separação, tanto ao organizar objetos físicos quanto para organizar tarefas, projetos e ideias. Essa proposta, inclusive, ecoa um conceito também defendido por David Allen no método GTD: analisar cada item de sua caixa de entrada e decidir se ele vai ser arquivado, descartado, feito na hora, adiado, delegado. É o mesmo princípio, separar as coisas em categorias para facilitar o gerenciamento.

David Allen, aliás, é citado algumas vezes durante o texto para reforçar uma das principais ideias defendidas no livro: exteriorizar algumas funções do cérebro, de forma a poupar energia mental que pode ser usada com coisas mais importantes. E exteriorizar se refere a utilizar ferramentas para tirar do cérebro algumas funções, principalmente relacionadas à memória, a se lembrar das coisas. Allen é mencionado por defender que devemos “limpar a mente” (a famosa “mente clara com água”) e essa limpeza nada mais é que trazer para o mundo físico tudo que fica rondando em nossa mente: compromissos, prazos, ideias, projetos futuros, coisas a fazer, endereços, telefones, etc.

Isso vem de encontro ao que eu já falei aqui sobre a importância de ter uma caixa de entrada. O princípio é que as coisas que você não quer ou não pode esquecer devem ser inseridas em um sistema confiável: a anotação. Anotar economiza energia mental que seria gasta com a preocupação de não se esquecer de algo e com o esforço para não esquecer. Isso é especialmente interessante para quem trabalha com a criatividade ou em algum tipo de emprego que exige resolução de problemas difíceis ou situações complicadas. A energia mental que você poderia usar para criar coisas e encontrar soluções acaba sendo desperdiçada se fica a cargo do cérebro a função de lembrar de tudo.

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Foto de Kari Shea em Unsplash

O conteúdo sobre organização do tempo também é um dos mais interessantes: fala sobre como a capacidade de gerenciar o tempo é essencial para sermos produtivos; a importância do planejamento; o valor que devemos dar ao sono e aos períodos de descanso; porque procrastinamos e como lidar com a procrastinação. Nessa parte também aparecem várias dicas que eu já mencionei aqui com a Regra dos Cinco Minutos: se alguma coisa leva menos de 5 minutos para fazer, faça agora. O tempo que você gasta colocando a tarefa no seu sistema é melhor utilizado se você de fato fizer a tarefa imediatamente.

Ainda sobre o conteúdo, fiz um rápido apanhado de dicas gerais que podem ser encontradas durante a leitura:

  • Ao organizar sua casa ou escritório, use a regra do lugar próprio: tenha um local específico para colocar aquelas coisas que você vive perdendo. Se você nunca sabe onde estão as suas chaves do carro, por exemplo, deixe uma bandeja ao lado da porta e SEMPRE coloque a chave ali ao chegar. Com o tempo, seu cérebro automaticamente vai te fazer colocar a chave sempre naquele lugar e, portanto, ele também não precisará se esforçar para localizá-la. A ideia é usar o próprio ambiente para lembrá-lo das coisas.
  • Ao criar sistemas de arquivamento/categorização/classificação, eles precisam refletir o modo como você interage com as suas coisas, ou seja, a forma de organização deve fazer sentido para você, ser intuitiva.
  • Uma das técnicas mais simples para evitar a procrastinação é fazer primeiro, logo no começo do seu dia de trabalho, a tarefa mais chata, difícil ou complicada que você tiver. Eat the frog!
  • Algumas dicas que eu já dei por aqui sobre evitar a procrastinação também são apresentadas: dividir uma tarefa grande e complexa em tarefas menores, por exemplo. Ou aprender a lidar com o perfeccionismo, que sempre nos diz que nosso trabalho não é bom o suficiente ou que ainda não estamos preparados, levando ao adiamento e não conclusão de projetos realmente importantes.
  • Para evitar as distrações (ou os ladrões de tempo) precisamos criar sistemas que nos enganem ou nos encorajem a focar no que precisamos fazer. Se as distrações forem externas: desligue o telefone, desconecte-se, desabilite notificações, feche a porta, use fones de ouvido. Para a distrações internas, o mais indicado é o sistema de limpeza mental, recomendado pelo método GTD e que eu já falei mais pra cima no post.

Para finalizar, o que eu tenho a dizer sobre esse livro é: se você quer algo rápido e prático para melhorar sua organização e produtividade, pode passar essa leitura. O livro tem muito conteúdo teórico sobre o assunto e você pode ficar perdido se estiver buscando só dicas rápidas. Se você tem interesse em entender e conhecer mais sobre o assunto, leia, é um dos livros mais bem embasados que eu já li sobre o tema, com conteúdo de qualidade do começo ao fim.

O que acharam do livro? Alguém aí já leu? Se sim, vamos trocar ideias e se não, me diz se você gosta de livros assim. E antes que eu me esqueça, o livro do próximo mês será “A Única Coisa”, de Gary Keller e Jay Papasan.

Até mais,

Juliana Sales

12 comentários sobre “A Mente Organizada, Daniel Levitin

  1. Não conhecia a obra, mas fiquei interessado em saber de seu conteúdo, mas percebi que ele é aquele tipo de livro que precisamos ler beeeemm devagar,pois como disse que é bem teórico, ele tem que ser pesquisado e degustado lentamente, para que tenhamosum aprendizado coerente e bem sistematizado. Gostei demais da dica.

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    • Exatamente isso, é um livro que tem muito conteúdo, então requer mesmo maior atenção e acaba sendo uma leitura mais lenta. E para mim, que gosto do assunto, valeu muito a pena!

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  2. O conteúdo desse livro parece ser muito bom, gostei do embasamento científico que ele apresenta. É um plus a mais, pois cada dica sugerida ganha uma validação maior. Uma boa opção para quem procura uma leitura com riqueza de detalhes dentro da área de produtividade.

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    • Sim Patrícia, esse contexto científico onde o autor apresenta as dicas é o grande diferencial do livro, porque fundamenta o que está sendo falado. Pode até ficar um pouco cansativo para quem não tem tanto interesse no assunto, mas para quem quer estudar mais a fundo o assunto, eu recomendo muito.

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  3. Bom, geralmente o tamanho da necessidade nos guia até por caminhos mais longos rs, acho que é interessante ter opções mais “específicas” pois do mesmo jeito que alguns querem apenas retocar esse conceito, outros podem precisar criar do zero, e quanto mais detalhes melhor … nesse caso ao menos 🙂

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  4. Buenas, cara mia.

    Eu arrumei o meu e-mail nesse ano, dividindo-o em abas, e todas os posts de blogues, agora ficam numa única aba e, às vezes, se acumulam e eu aproveito um dia para colocá-los em ordem… cá estou eu a saber a respeito desse livro, de agosto em setembro. Já é dia 15… uau. Alguém desacelera isso, por favor. rs
    Eu não conheço nem o livro, nem o autor… não tenho por hábito ler esse tipo de literatura, certamente não avançaria até a segunda parte. Creio que já lhe disse isso. rs
    Eu achei interessante algumas coisas citadas por você, como a bandeja, ao lado da porta. Eu tenho uma mente estranha, meio robótica, nesse sentido. Eu sei exatamente a ordem das coisas e, o mais engraçado é que não tinha reparado nisso… acreditava que esquecia das coisas. Pelo contrário, eu deixo algo em um lugar e se alguém a tirar de lá, meio centímetro que seja, não enxergo o bendito do objeto. Já enlouqueci algumas vezes ao procurar por um livro que alguém tirou de onde o tinha deixado. Foi um caos e depois uma gargalhada porque é ridículo você não enxergar algo por estar meio centímetro para lá ou para cá. rs
    E tem uma coisa engraçada… eu gosto dos ladrões de tempo. Me afastam um pouco da minha fixação em ver coisas prontas. Eu tenho um foco terrível. Quando estou pronta para o trabalho, não dou pelo tempo, espaço. Nada. Enquanto não finalizo, não mudo a chave… mas é meio cansativo e encontrar coisas que me roubem um pouco a atenção é um meio de dar um descanso para a mente. rs
    Eu e minhas loucuras.

    bacio

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