A Única Coisa, Gary Keller e Jay Papasan

Chegamos ao terceiro post do projeto de leitura do blog e o livro desse mês é A Única Coisa, de Gary Keller e Jay Papasan (clique aqui para ver o post sobre a leitura de julho e aqui para ver o livro lido em agosto). O tema principal desse livro é a importância do foco para alcançarmos os resultados que desejamos. E foco aqui não se refere somente a direcionar nossa atenção para o que estamos fazendo. A linha defendida pelo livro é que, a todo momento, precisamos identificar a coisa mais importante a ser feita para ter sucesso em relação aos nossos objetivos e nos dedicar exclusivamente a essa única coisa.

Por um lado, o que o autor propõem pode ser considerado por alguns como extremo e até mesmo impossível de aplicar na realidade. Por outro lado isso não quer dizer que o conceito passado não possa ser adaptado ao cotidiano de cada um, trazendo benefícios no que se refere a produtividade, mesmo que a metodologia proposta não seja aplicada integralmente.

De forma geral, a premissa defendida pelo livro é que para alcançar o sucesso devemos tornar as coisas tão simples quanto possível. E a forma de fazer isso é fazer uma única coisa por vez. E não só no sentido de evitar a multitarefa. A ideia é que você identifique a sua única coisa e direcione toda a sua atenção, tempo e energia para ela. Todo o resto pode esperar.

Como eu disse, parece uma ideia um tanto impraticável, mas a leitura me trouxe uma reflexão sobre quantas tarefas e obrigações assumimos. Talvez a maioria das pessoas que não consegue ser produtiva esteja tentando fazer mais coisas do que o tempo que tem disponível. Não dá pra esticar o dia e fazer com que tenha mais de 24 horas, temos que selecionar criteriosamente as coisas que fazemos, usando bem o nosso tempo.

Durante a leitura, foi interessante encontrar vários assuntos que eu já abordei aqui sendo tratados pelo autor: o cuidado necessário para transformar um amontoado de tarefas em uma verdadeira To Do List; o problema do excesso de informação; a importância de valorizar os momentos de descanso; o uso de blocos de tempo.

Sobre o conteúdo: o livro é formado por 18 capítulos em três partes. A primeira parte fala sobre as mentiras que separam você do sucesso. A segunda traz a verdade sobre o caminho simples para a produtividade. E a terceira aborda como conseguir os resultados extraordinários que todos desejam.

notebook escrevendo caderno caneta

Foto de J. Kelly Brito em Unsplash

As mentiras

Aqui são apresentadas as seis mentiras que separam as pessoas do sucesso. O autor aponta que muitas coisas que pensamos ser verdade acabam por influenciar a forma como agimos e como tomamos decisões. Mas justamente por serem mitos e não verdades, essas crenças se tornam obstáculos para alcançarmos os resultados que desejamos. Ele aponta, inclusive, que acreditar nessas mentiras pode nos levar a duvidar que a teoria apresentada no livro possa funcionar. Vamos ver quais são essas mentiras.

Tudo importa igualmente

Tratamos nossas tarefas como se todas elas tivessem o mesmo grau de importância. Fazemos isso quando não definimos prioridades, quando não identificamos qual a atividade mais importante a ser feita no caminho para atingir nosso objetivo. O problema é que a forma como vivemos hoje faz com que tudo pareça ou urgente ou importante (ou os dois), então tudo parece igual.  E aqui, não adianta: enquanto não aprendermos a trabalhar com prioridades, ficaremos perdidos em um sem fim de tarefas, sem conseguir nos dedicar ao que é de fato importante. Estaremos sempre ocupados e ativos, o que não é o mesmo que dizer que estamos sendo produtivos.

Multitarefas

É uma coisa que eu sempre repito por aqui: multitarefa é prejudicial a produtividade. Nosso cérebro, biologicamente, não é capaz de focar em duas coisas ao mesmo tempo. Quando fazemos isso estamos na realidade dividindo nossa atenção, alternando-a entre uma coisa e outra. Isso nos faz perder tempo ao mudar constantemente nosso foco entre duas coisas, além de ensinar nossa mente a não focar em nada por períodos muito longos, prejudicando nossa capacidade de concentração. Ser multitarefa distorce nossa percepção do tempo e aumenta a chance de erros e decisões equivocadas.

Uma vida disciplinada

O ponto aqui é que não precisamos ser mais disciplinados e sim gerenciar melhor nossa disciplina. Ela é necessária até que consigamos transformar nossas ações ou comportamentos em hábito. A partir daí a disciplina não é mais necessária por que o hábito já foi incorporado. A disciplina é requerida quando estamos treinando para agir de algum modo específico. Mantendo esse “treino” por determinado período de tempo, o comportamento ou ação se torna rotineiro e vira hábito.

A força de vontade está sempre à disposição

A força de vontade é um recurso limitado, não podemos manejá-la conforme queremos. Assim, ao longo do dia, “gastamos” nossa força de vontade, então precisamos nos programar para fazer as tarefas mais importantes, complexas ou difíceis quando a força de vontade está no máximo. Uma forma de fazer isso é, logo no início do seu dia, se dedicar ao que é mais importante. Mais uma vez estamos falando de identificar prioridades. Uma boa noite de sono e alimentação saudável são responsáveis por “recarregar” nossa força de vontade

Uma vida equilibrada

Buscar o equilíbrio é um erro, precisamos buscar uma vida balanceada. Aqui, foi um dos únicos pontos em que eu discordei do autor. Na verdade, não que eu tenha discordado, mas a impressão é que ele só trocou a palavra “equilibrar” por “balancear”, pois no meu ponto de vista o que ele descreve como vida balanceada é o que eu entendo por equilíbrio. A ideia que ele passa é que, quando focamos em uma única coisa, naturalmente deixamos as demais de lado, e isso deixa tudo desequilibrado. Mas existem coisas que não podemos deixar de lado e nesse caso precisamos balancear, alternando momentos de atenção focada no trabalho, por exemplo, com momentos focados na família. Ou seja, equilíbrio.

Grande é ruim

A maioria das pessoas tem medo de pensar grande demais, de estabelecer metas e resultados que estariam supostamente além da sua realidade. Mas o autor argumenta que ninguém conhece de fato seus próprios limites, então não pensar grande só serve para nos restringir. Precisamos entender que a jornada para buscar o grande nos engrandece no caminho e perder o medo de fracassar.

caneca cafe planner envelopes mesa

Foto de ivorymix.com

A verdade

A verdade é que o caminho para a produtividade é simples e se baseia em encontrar a todo momento sua única coisa e trabalhar exclusivamente com ela.

A questão do foco é o essência do livro. O autor apresenta o que ele chama de A Pergunta Foco: “qual é a única coisa que posso fazer, de modo que, ao fazê-la, o restante de torne mais fácil ou desnecessário?” Essa é a pergunta que devemos fazer tanto em sentido mais amplo, para criar uma visão de vida e identificar a direção que queremos que nossa vida tome, quanto em sentido mais simples, para determinar qual atitude tomar, o que fazer em cada momento e ajudar a nos manter focados.

O uso da Pergunta Foco deve fazer parte da rotina diária, deve se tornar um hábito. Para cada área da vida (trabalho, família, saúde, finanças, etc) pode-se usar Pergunta Foco como direcionamento. Você pode incluir também um componente temporal. Por exemplo: “no meu trabalho, qual a única coisa que posso fazer hoje, de modo que, ao fazê-la, o restante de torne mais fácil ou desnecessário?” ou “para as minhas finanças, qual a única coisa que posso fazer essa semana, de modo que, ao fazê-la, o restante de torne mais fácil ou desnecessário?”. Fazer sempre esses questionamentos deve se um hábito.

Mas é claro que apenas fazer perguntas não basta. E necessário encontrar respostas e, mais que isso, respostas certas. O autor aponta o caminho: pesquisar, estudar, encontrar modelos a seguir, buscar inspirações. E pensar sempre grande: se algo parecer além da sua capacidade, busque formas de se aprimorar, tente entender o que é necessário para ampliar sua capacidade ao invés de procurar uma resposta mais simples e fácil ou mesmo desistir.

Resultados Extraordinários

Para implementar a única coisa precisamos viver com intenção, com prioridade e com produtividade. É esse o caminho para obter os resultados desejados.

Viver com intenção é ter um propósito. Nossa intenção determina nossa prioridade e nossas prioridades determinam nossa produtividade. Para saber o que realmente importa (sua prioridade) você precisa ter um propósito. E é saber o que realmente importa que permite que tomemos as atitudes corretas, que são as relacionadas as nossas prioridades e necessárias para alcançarmos nosso propósito.

Sem um propósito, não importa o que você vai fazer, porque você não sabe onde quer chegar. Quando temos uma direção, sabemos o que deve ser feito, pois sabemos o que desejamos atingir. Ao mesmo tempo, um propósito sem prioridade não tem sentido, porque não adianta saber onde chegar e não priorizar o que é necessário para isso.

Para garantir que as suas atitudes prioritárias, relacionadas com seus objetivos, sejam executadas, você precisa ser produtivo. A técnica recomendada pelo autor é o uso de blocos de tempo, ou seja, separar períodos de tempo onde você se compromete a ter dedicação total a sua única coisa.

Antes de encerrar o livro, o autor apresenta ainda três compromissos que você deve assumir para conseguir colocar em prática a ideia da “única coisa”: seguir o caminho da maestria, mudar a sua mentalidade para agir de forma mais proativa e intencional e se responsabilizar quanto ao seu papel para atingir seus objetivos. Paralelo a isso, tome cuidado com os quatros ladrões da produtividade: a incapacidade de dizer não, o medo do caos, os maus hábitos de saúde e o ambiente que não apoia seus objetivos.

Esse post ficou um pouco maior do que o costume, mas é que o livro tem muito conteúdo interessante que eu quis compartilhar por aqui. Espero que tenham tido paciência e interesse em ler todo o texto. Se alguém aí já leu esse livro, me conta o que achou. Para mim foi o mais interessante dos livros do projeto até agora. Ah, e o livro do mês que vem será o famoso “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, de Stephen Covey.

Até mais,

Juliana Sales

21 comentários sobre “A Única Coisa, Gary Keller e Jay Papasan

  1. Que leitura produtiva que realizou. Essa obra traz muitas dicas para que não tenhamos insucesso em nossos projetos e se seguirmos essas dicas praticamente não iremos ter problemas em nossos projetos, mas precisa-se seguir a risca.

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  2. Lendo o post em vários momentos eu pensava “a verdade dói” rs. Para mim é quase impossível não ser multi tarefas e meio que me gabava disso, mas com o tempo e confessando que nas poucas vezes que foquei em algo a coisa fluiu melhor, sou um adepto não praticante do dividir para conquistar rs. Mas continuo tentando, e grato pelas dicas, o livro parece bastante útil.

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    • Você me descreveu há alguns anos atrás Daniel. Eu também me orgulhava de ser multitarefa e achava impossível não ser. Mesmo quando comecei a estudar sobre o assunto, ainda duvidava um pouco. Mas nada que a prática não me mostrasse. E o segredo é esse, começar a tentar, mesmo que um pouquinho e só de vez em quando. Aos poucos vamos educando nosso cérebro a deixar de ser assim e ver as coisas fluindo melhor é um ótimo motivador.

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  3. Gostei da forma direta que o livro propôs como a mais eficiente forma de organização: focar em um único objetivo e não ter medo de superar seus limites, ter a coragem de pensar grande. São ensinamentos que podemos levar para vários setores da vida, como um caminho a seguir. Gostei muito da ideia!

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    • O livro é muito nesse aspecto Patrícia, de ser direto e simples. E as reflexões que ele propõe são muito válidas e úteis e servem para a vida em geral, como você disse.

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  4. Oi, Ju! Trazer um projeto de leitura para ajustar-se à sua proposta é muito legal! Nas suas considerações sobre a leitura desse mês eu me peguei pensando sobre o quanto me considero, infelizmente, uma pessoa multitarefas. E até tenho essa consciência, tento corrigir na minha rotina, porém nem sempre tenho sucesso. Parabéns pela sua proposta de trabalho! Bjs

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    • Para uma pessoa que ama ler como eu, esse projeto ia acabar aparecendo uma hora ou outra! E quase todo mundo é multitarefa Ana, é o que a sociedade enxerga como ser produtivo. E é aos pouquinhos mesmo que mudamos isso.

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  5. Oi Ju, mês passado também li um livro que falava sobre foco…Na verdade estou incluindo esse tipo de leitura no meu mês…Livros que falam de organização, de administração de tempo…Não são leituras muito fáceis, até porque, elas propõe mudanças e nem sempre queremos mudar..Quando fazemos uma leitura comprometida, conseguimos enxergar nossas falhas ou onde precisamos melhorar…Para outubro ainda não decidi qual vou ler…
    Abraços

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    • Esse projeto foi um incentivo para incluir mais esse tipo de leitura na minha rotina, Ale. E olha que eu gosto muito, mas estava lendo quase que só ficção. E eu acho isso que eu chamo de “leitura de aprendizagem” muito importante. E com o projeto eu tenho conseguido equilibrar bem as minhas leituras de ficção com esse outro tipo de obra e não só de organização/produtividade, mas de outros assuntos que me interessam. Mas me conta, qual foi esse livro que você leu?

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  6. Amei as dicas, Juliana!
    Meu grande problema é não conseguir ter esse foco para realizar as tarefas. Sempre estou fazendo uma coisa pensando que deveria estar fazendo outra. Isso confunde o cérebro e diminui minha produtividade, o que acaba me fazendo levar mais tempo em uma atividade que deveria.

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    • Amanda, você já se perguntou porque essas “outras coisas” ficam rondando a sua cabeça? Será porque você fica com medo de esquecer? Ou é algo que você sabe que você não deveria deixar pra depois. Entender isso é o começo para tirar isso da sua cabeça e conseguir melhorar seu foco.

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  7. Entendi que a leitura foi produtiva para você, minha cara… mas eu me perdi aqui. Não é o tipo de livro que abriria. Certeza que eu abandonaria a leitura ainda na primeira página. Mas, gostei dos tópicos e da maneira como os abordou no post.
    Eu estou num momento insano de produção e como tenho um ritmo muito particular (você sabe, já falei disso contigo) achei tudo muito insano para mim. Foi deixar aqui, de lado, para voltar a ler depois que outubro acabar e eu finalizar meus projetos.

    bacio

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