Trabalhe 4 horas por semana, Timothy Ferriss

E hoje chegamos ao último post do projeto de leitura do blog.  O livro de encerramento é “Trabalhe 4 horas por semana“, do Tim FerrissA primeira coisa que eu tenho a dizer é que o Tim conseguiu juntar em uma mesma obra dicas e informações sobre produtividade, marketing, empreendedorismo e gestão de negócios. Isso porque, a premissa básica do livro é como ter uma vida que te permita fazer as coisas que você deseja fazer sem ter que esperar pela aposentadoria. Para isso ele traz o conceito de o que é um “novo rico”: pessoas que tem tempo e mobilidade para usar como quiser. E é isso que o livro se propõe a ensinar.

De forma geral, ele se baseia na ideia de que o que as pessoas mais querem na vida é ter mais tempo, para fazer coisas que gostam e não conseguem por estarem ocupadas  trabalhando.  O objetivo do processo para conseguir esse tempo é garantir uma fonte de renda que não consuma muito do seu tempo, o que envolve, é claro, trabalhar de forma mais produtiva e eficiente.

O processo todo é composto de 4 passos: primeiro você precisa entender as bases do processo, quais crenças e regras você precisa desconstruir e repensar (Definição). Depois é ensinado como obter o três componentes necessários para mudar a forma como você vive sua vida: tempo (Eliminação), renda (Automação) e Mobilidade (Liberação).

Eu poderia gastar muitas palavras sobre o conteúdo do livro, que me trouxe ótimas inspirações e ideias muito boas, até sobre gestão de negócios, por exemplo. Mas como o foco aqui é produtividade, o post fala sobre os pontos diretamente relacionados a isso.  Mas recomendo fortemente a leitura porque, apesar de abranger outros aspectos, o livro todo traz conceitos que podem ajudar a melhorar a produtividade, até porque eles te fazem refletir sobre o que é, afinal de contas, ser mais produtivo.

Mas falando diretamente sobre produtividade, é no passo sobre Eliminação, que encontramos as melhores dicas,  ideias e conceitos sobre o assunto. Essa parte do livro começa com uma pequena polêmica, porque o Tim diz que devemos esquecer tudo o que sabemos sobre gerenciamento de tempo. Isso porque a ideia que ele quer passar não é de tentar a cada dia fazer mais. Esse comportamento na maioria das vezes é um pretexto para nos ocuparmos com coisas pouco importantes enquanto deixamos de fazer o que é realmente importante.

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Foto de ivorymix.com

Um conceito essencial abordado aqui é a diferença entre ser eficaz e ser eficiente. Eficácia é fazer o que precisa ser feito para alcançar seus objetivos enquanto que eficiência é fazer qualquer tarefa, importante ou não, da melhor forma possível. Você pode ser muito eficiente realizando suas tarefas diárias, mas se elas não te levam mais para perto dos seus objetivos, não contribuem para o desenvolvimento dos seus projetos, você não está sendo eficaz. Aqui ele menciona também o Princípio de Pareto, segundo o qual 80% dos seus resultados vem de 20% de suas ações (Pareto, aliás, também faz parte  da base da teoria desenvolvida por Gary Keller em seu livro, A Única Coisa). Baseado em Pareto, a ideia é ser seletivo, fazer menos coisas, mas as coisas certas. Se concentrar no que é importante é ignorar o resto.

Outro ponto, que eu até já mencionei aqui no blog, é a Lei de Parkinson. Essa lei diz que “o trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização”. Ou seja, quanto mais tempo temos disponível para realizar uma tarefa, maior a tendência a enrolar, procrastinar e prolongar essa tarefa desnecessariamente. Daí a importância de estabelecer prazos para concluir suas atividades, de preferência não muito longos.

Mais um assunto apresentado também relacionado a produtividade é sobre o volume de informação que consumimos. O que o Tim recomenda é que façamos uma “dieta pobre em informação”, praticando a “ignorância seletiva“. Isso quer dizer aprender a ignorar informações irrelevantes e inúteis, aquelas que não são importantes para os seus objetivos, não contribuem em nada para a sua vida e ainda são negativas e só servem para gastar o seu tempo. E isso vale para tudo: notícias, e-mails, livros que lemos, o que assistimos.

A proposta do livro, para mim particularmente, é um pouco extrema. Ele sugere não acessar nenhum portal de notícias, não ler jornais nem revistas, não assistir televisão, exceto como passatempo e no máximo por uma hora, ler apenas livros de ficção, para se distrair e não navegar na internet enquanto estiver trabalhando. O que eu levo para o meu dia a dia é realmente filtrar a informação que chega até mim e evitar gastar meu tempo em portais de notícias, redes sociais e  verificando e-mails e mensagens várias vezes por dia. O fato é que o excesso de informação é realmente problemático e pode minar nossa produtividade se não tomarmos cuidado.

Por fim, o livro fala sobre as interrupções e como lidar com elas. A definição de interrupção é “qualquer coisa que impede o término de uma tarefa importante” e elas podem ser classificadas em três categorias:

  • desperdiçadores de tempo: coisas que podem ser ignoradas com pouca ou nenhuma consequência (reuniões, e-mails e telefonemas não importantes). São combatidos criando formas de evitar contatos inoportunos e diminuindo sua disponibilidade via e-mail e telefone.
  • consumidores de tempo: tarefas repetitivas ou que precisam ser feitas mas interrompem atividades mais importantes. Por exemplo, ler e responder e-mails (mesmo os importantes).  Aqui a ideia é usar blocos de tempo, ou seja, agrupar tarefas similares e repetitivas e fazê-las em um momento específico. Ao invés de abrir seu e-mail o tempo todo, determine 2 ou 3 blocos de 30 minutos ao longo do dia, para ler e responder tudo.
  • falhas de delegação de poderes: acontecem quando alguém precisa o tempo todo da sua aprovação ou permissão, mesmo para tarefas simples e pequenas. Nesse caso, você precisa delegar dando mais liberdade e fornecendo mais informações, atribuindo responsabilidades, de forma que a pessoa para a qual você delegou seja capaz de resolver eventuais problemas e tomar decisões sem recorrer a você, exceto se for algo extremamente grave. Aliás, deixe bem claro o que se enquadra em “extremamente grave”.

agenda caderno notebook oculos

Foto de ivorymix.com

Algumas últimas considerações antes de finalizar esse post. Achei interessante que em vários trechos do livro é reforçada a ideia de que estar ocupado é diferente de ser produtivo. A famosa citação “foque em ser produtivo em vez de focar-se em estar ocupado”, vem daqui. Uma recomendação bem legal é perguntar-se diversas vezes ao longo do dia: eu estou sendo produtivo ou estou apenas ocupado? O Geronimo Theml, em seu livro Produtividade para quem quer tempo, também fala sobre isso.

Outra ideia  presente ao longo do livro trata da importância de focar no que é importante e, para isso, ter claras quais as prioridades. É repetido várias vezes que falta de tempo é falta de prioridade e que priorizar é indispensável para um bom gerenciamento de tempo. E relembrando que gerenciar o tempo não é fazer mais coisas, mas fazer as coisas importantes. Cuidado para não cair na armadilha da procrastinação que nos leva a realizar várias tarefas que não tem importância como forma de não fazer a principal tarefa, aquela realmente significativa.

Talvez essa tenha sido a leitura que mais me trouxe reflexões e não só sobre produtividade, mas também sobre outros assuntos tratados no livro. Os conceitos de produtividade, aliás, já são meus velhos conhecidos, e mesmo assim, pude “relembrá-los” e ver novas formas de colocá-los em prática.

Muitas pessoas podem achar a ideia do livro um tanto quanto exagerada ou fantasiosa. Ao longo do texto existem alguns exercícios chamados “desafiando o conforto” e muitos deles parecem até um pouco sem sentido. Ainda assim, eu recomendo a leitura porque dá para extrair uma quantidade enorme de dicas e reflexões muito úteis, mesmo que você não concorde com a proposta de projeto de vida do autor.

Alguém aí já leu esse livro? Compartilha comigo o que achou! E se não leu, o que acharam do conteúdo? Vamos trocar ideias nos comentários! Ah, e não é porque o projeto de leitura se encerrou que eu vou deixar de trazer conteúdo sobre leitura. Sempre que eu ler algum livro interessante sobre organização/produtividade, ele vai acabar virando post por aqui.

Até mais,

Juliana Sales

17 comentários sobre “Trabalhe 4 horas por semana, Timothy Ferriss

  1. Gostei desse livro, pois tem várias dicas de produtividade em um único volume. Ele é mais que uma leitura, mas uma aula e tanto de como gerenciar seu negócio ou projeto. Confesso que fiquei bem interessado em realizar essa leitura. Anotada a dica.

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  2. Realmente a proposta do autor é extrema em alguns pontos mas pode algumas ideias fazem sentido e podem ser adaptadas à realidade de cada um. Gostei do termo “ignorância seletiva”, afinal às vezes é melhor nem tomar conhecimento de fatos que não agregam nada, só atrapalham o crescimento pessoal e profissional.

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    • Isso mesmo Patrícia, a maioria dos livros que eu já falei aqui no blog eu não concordo 100%, sempre tem algo que eu acho radical demais ou exagerado. Mas sempre se pode tirar boas dicas e conceitos úteis. E ignorância seletiva é algo que tem feito uma grande diferença na minha vida. Estou aplicando aos poucos e não pretendo chegar ao extremo proposto pelo Tim, mas a ideia sem dúvida é muto válida.

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  3. Até o momento nunca tinha escutado falar sobre esse livro e achei muito interessante! Eu amo esses livros que nos ajudam a melhorar de alguma forma, achei muito boa a citação “foque em ser produtivo em vez de focar-se em estar ocupado”, nunca tinha parado pra pensar nisso. haha

    Prazer, Jéssica

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    • Essa citação é incrível mesmo Jéssica! Desde a primeira vez que a li vivo repetindo por aí porque muitas vezes a gente não percebe, se ocupa com mil coisas e não tem tempo para o que realmente é importante. Por isso acho importante ter essa percepção, de que fazer mil coisas não quer dizer que você está sendo produtivo.

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  4. Oiii! Quantas boas dicas de produtividade! Não conhecia o livro. Sabe, fui lendo e pensando neste ano que está se esvaindo. Li muito, trabalhei muito, criei novos projetos, me engajei em projetos alheios, tentei ao máximo me organizar, algumas boas vezes até falhei (quem não?!), e digo que estou já bemmmm cansada, com o corpo e a mente implorando por férias. Mas sei que nas férias também não irei parar, pois tenho projeto de trabalhar em um projeto que estou me guardando o ano todo. Mas sei que desacelerarei bastante. Já me seria suficiente. Bjs

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    • Que bom saber que seu ano foi produtivo Ana. E sim, todo mundo falha as vezes, estranho seria se isso não acontecesse. Eu também tenho um projeto que quero me dedicar por agora, nas minhas mini férias. Mas é algo bem leve e que eu quero muito, então vai ser muito bom!

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  5. Nunca li, mas para alguém que flerta cada vez mais profundamente com a “autonomia” parece uma boa pedida. Ótimos argumentos e o termo “ignorância seletiva” fez um boom na minha mente rs. Grato por mais essas dicas 🙂

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  6. Tem um tempinho que eu tava buscando um livro sobre desenvolvimento pessoal que me atraísse assim. Adorei a dica e vou adicionar na lista. Tô precisando mesmo melhorar minha produtividade.

    Beijos!

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  7. Esse ano tentei ler um pouco sobre desenvolvimento social, produtividade, sobre organização, foram ótimas leituras. Super concordo que o fato de você estar ocupado não significa produtividade e realmente temos que filtrar e ver a ordem de interesse…
    Abraços!

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    • Eu adoro esse tipo de leitura Ale! Tinha deixado meio de lado mas voltei a colocar na minha rotina. E sim, diferenciar entre ser produtivo e estar só ocupado é fundamental. Acho isso uma sacada genial do Tim Ferriss.

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