Tecnologia e produtividade

Semana passada eu falei aqui no blog sobre o livro “Comece pelo mais difícil“, escrito por Brian Tracy. A premissa básica do livro é apresentar 21 princípios que, segundo o autor, ajudam a gerenciar melhor nosso tempo e melhorar nossa eficácia pessoal – e por consequência nos tornar pessoas mais produtivas.

Durante a leitura um ponto que me chamou a atenção e me fez ter vontade de falar mais sobre foi a questão do quanto a tecnologia impacta na nossa produtividade. Esse é um dos temas relacionadas a produtividade que mais me interessa, até porque – usando um clichê – vivemos a era da tecnologia e o uso corriqueiro dela é a realidade predominante. E, por isso, acho importante buscar entender como essa situação interfere na nossa produtividade, tanto para o bem quanto para o mal.

Ainda  falando sobre o conteúdo do livro, um principio defendido pelo Brian Tracy é que a tecnologia pode ser uma grande aliada da produtividade desde que nos disciplinemos a assumir o controle sobre o uso que fazemos dela. Se esse controle não existir, se nos deixarmos dominar pela necessidade quase compulsiva de estarmos o tempo todo conectados, a tecnologia acaba se transformando em um grande vilão.

Eu já falei um pouco disso aqui no blog quando fiz um post sobre o excesso de informação: esse é um mal do dias de hoje e está diretamente ligado ao amplo e irrestrito acesso à tecnologia. Somos bombardeados o tempo todo com um volume maior de informações do que nosso cérebro é capaz de processar.

notebook computador tablete celular sobre uma mesa

Foto de Domenico Loia em Unsplash

Essa é uma reflexão que todos deveriam fazer, independente de buscarem ou não maior  produtividade: qual a minha relação com a tecnologia? Ela realmente facilita o meu dia a dia? Precisamos fazer essa reflexão porque não dá para fugir da tecnologia, ela envolve todos os aspectos da nossa vida: pessoal e profissional, nossa forma de comunicação, nosso lazer, nossas memórias. E, na realidade, eu nem acho que seja de fato necessário abolir a tecnologia da nossa rotina, nem que fosse possível.

Há quem escolha excluir suas redes sociais, não usar whatsapp e por aí vai. Mas, por exemplo, como você diz para o seu chefe que não vai mais usar o e-mail ou qualquer tipo de mensagem instantânea? Se não tem chefe, como diz isso para os seus clientes? Ok, você pode tentar se quiser e quem sabe até conseguir. Mas o que eu acredito e tento aplicar na minha vida, o ponto de vista que eu quero compartilhar aqui, é que isso não é necessário se você disciplinar o uso. Até porque e-mails, whatsapp e redes sociais tem vários benefícios se você souber usar.

Mas isso não quer dizer que, ocasionalmente e por um curto período, você não possa se afastar completamente de tudo isso. Esse breve afastamento faz parte, inclusive, de exercer o controle que eu falei lá em cima. Não estou falando de abrir mão permanentemente e sim de se afastar ou reduzir o uso ocasionalmente. Isso é o que chamamos de detox digital.

Detox é um termo que está em alta, nas mais diversas áreas. Quando falamos de detox digital estamos nos referindo a se livrar do que nos faz mal em termos de uso da tecnologia. E como eu já disse, em tempos de excesso de informação, a importância de fazer esse processo é evidente. Não faltam estudos comprovando o quanto o uso excessivo da tecnologia pode nos fazer mal, indo desde o aumento da ansiedade e do estresse, passando por problemas de memorização, aprendizado e dificuldades de concentração, até problemas posturais e insônia. Isso sem falar no óbvio, a perda de tempo que poderia ser usado de formas mais úteis, produtivas e até mesmo divertidas.

mesa com vários notebooks e celulares

Foto de Marvin Meyer em Unsplash

Pesquisando sobre as melhores formas de realizar esse processo, me deparei com o termo minimalismo digital e com um livro, de mesmo nome, escrito por Cal Newport. Esse autor, aliás, também escreveu uma obra sobre o deep work, que nada mais é que aquele tipo de trabalho que requer concentração e foco e que muitas vezes acabamos deixando de lado para realizarmos o chamado shallow work. No link ali em cima tem um post do blog sobre isso.

O livro, claro, entrou para a minha lista de leituras futuras e eu inclusive já dei uma rápida olhada no conteúdo e achei muito interessante. O termo minimalismo digital se refere a avaliar como a tecnologia e as ferramentas digitais em geral afetam nossa vida e nosso comportamento. A ideia é, após essa avaliação, se livrar do que não agrega em nada e melhorar o uso do que é benéfico.

Nesse link, o autor do blog fala sobre uma entrevista com o próprio Cal Newport e no texto ele traz três passos para realizar o processo de detox digital e começar a implantar a filosofia do minimalismo digital.

  • Escolha algumas ferramentas, aplicativos, sites, qualquer produto digital para deixar de usar durante um mês. Identifique o que é não essencial e se desconecte.
  • Escolha outras ferramentas/aplicativos/sites para mudar a forma como você usa, especialmente no que se refere a frequência de uso e verificação. Aqui são aquelas coisas das quais você não pode abrir mão, então planeje a melhor forma de uso.
  • Escolha atividades analógicas para substituir as atividades digitais que você deixou de fazer. Afinal, além de melhorar nossa relação com a tecnologia, devemos ter em mente que produtividade não é só sobre ter mais tempo livre e sim ter consciência de que o você deseja fazer com esse tempo livre.

A ideia desse post foi trazer uma introdução sobre o assunto e propor a vocês avaliarem até que ponto a tecnologia está prejudicando seu dia a dia e não só em termos de produtividade e perda de tempo. Mas, como eu disse, assim como ninguém precisa se livrar de vez das redes sociais, da internet ou de qualquer tecnologia, ninguém também precisa adotar o minimalismo digital para sua vida. Eu recomendo apenas repensar como é a relação que cada um de nós tem com a tecnologia e o que podemos fazer para lidar com isso da melhor forma possível. Esse assunto é muito extenso e eu jamais esgotaria em um único post, então ainda pretendo falar mais sobre isso por aqui.

Se ler o post te incentivou a avaliar como a tecnologia faz parte da sua vida e o que de bom e de ruim ela te traz, me conta nos comentários.

Até mais,

Juliana Sales

14 comentários sobre “Tecnologia e produtividade

  1. Realmente a tecnologia pode nos ajudar muito, como ser também um grande vilão.
    Já pensei sobre alguns pontos e analisei outros. Ao mesmo tempo que facilita muitas coisas, percebi também que a redução em estar nas redes sociais, também ajudou no meu tempo.
    Hoje eu eliminei algumas coisas que não fariam diferença e sinto que me ajudou e muito.
    É um assunto extenso mesmo e eu vou aguardar os próximos posts.

    bjs

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    • É isso mesmo Fê, a tecnologia nunca vai ser algo intrinsecamente ruim, nem mesmo as redes sociais. É a nossa relação com ele que pode nos prejudicar. Controlar a forma como usamos é o ponto. Em breve terão mais posts sim 😉

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  2. Eu acho que a tecnologia é uma grande aliada quando usada com moderação, se usada em excesso pode ser prejudical e até se tornar um vício (no caso da internet, redes sociais). Saber dosar é sempre a grande questão, a ideia do detox digital pode ser um passo importante para quem não consegue o equilíbrio entre esses extremos.

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    • Concordo Patrícia, afinal, qualquer coisa em excesso de torna prejudicial, não é? Mas isso não anula os inúmeros benefícios, precisamos é estar atentos a forma como usamos.

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  3. Eu vejo as tecnologias como ferramentas, mais ou menos como uma arma, bebida e tantas coisas que por si só, elas não causam problemas mas … dependendo de quem usa … com a tecnologia é assim e confesso que no meu caso ela atrapalha o foco, amo esportes, jogos, vídeos e tem tudo lá a um toque rs, mas estou aprendendo a lidar com isso e esse post contribuiu bastante 🙂

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    • Sim Daniel, a tecnologia é apenas uma ferramenta. Aonde ela nos leva depende do uso que fazemos dela. Só não concordo muito com a comparação com um arma, que por si só não tem nenhum benefício. Já a tecnologia eu vejo como sendo intrinsecamente benéfica, o uso equivocado é que traz problemas. Mas entendo o seu ponto.

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  4. Pausa para pensar a respeito. A tecnologia é uma grande aliada e facilitou bastante a minha realidade, contudo, também atrapalhou um bocadito. Uma vez que o excesso de informação nos leva ao colapso e eu demorei para me organizar e acostumar. Hoje, confesso, que fico feliz em perceber que estou alheia a muitas coisas (nunca imaginei que fosse dizer tal coisa). Mas, cá estou eu a flutuar no limbo e completamente satisfeita.
    Eu não sou saudosista e sempre tirei proveito das coisas que tenho para usar. Durante anos, eu usei a máquina de escrever e era o que tinha de melhor. Assim que surgiu o notebook e depois o tablet, celular, fui aproveitando tudo e sigo nesse ritmo. Acho que agregar é muito melhor que reclamar. Mas, mesmo sendo aberta, é preciso se organizar de maneira a tirar proveito disso tudo.

    bacio

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    • Vejo de forma muito parecida com você Lunna. Particularmente, a tecnologia me trouxe mais benefícios do que problemas. Em alguns momento admito que sim, foi uma forma de procrastinação bem comum, mas hoje não tenho mais problemas com isso. Agora, no que se refere ao excesso de informação é algo que ainda busco diariamente lidar… nem tanto pelo tempo gasto mas sim pelo volume imenso de informação disponível, que é quase irresistível para alguém como eu, curiosa e que gosta de estudar e aprender de tudo. Mas ultimamente também tenho me mantido propositalmente desinformada, por assim dizer, e tem feito bem até para a minha saúde mental.

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  5. Post mais que essencial! Eu precisava mesmo de um Detox digital, embora seja muito difícil tendo um blog. Tento usar a tecnologia a meu favor, mas sei bem o quanto ela interfere no meu dia a dia.

    Obrigada pelas dicas!
    Bjs

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    • Além do blog meu trabalho é quase que totalmente online, então me afastar do computador e da internet não é algo simples. Mas estou estudando como colocar em prática esse processo de detox digital no meu dia, mesmo tendo inúmeras obrigações online. Em breve deve ter post no blog sobre isso.

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  6. Eu estava conversando com uma amiga HOJE sobre essa questão de como tudo que é bom na tecnologia pode ter um lado negativo se mal trabalhado. Na verdade, agora que digitei, tenho refletido se não é assim pra tudo na vida de fato.
    Focando um pouco em Whatsapp, e aplicativos de comunicação direta de um modo geral, acho genial como promove a facilidade no comunicar com todo mundo e realmente acredito que une mais que afasta, mas a obrigação incomoda muito. O pessoal se tornou meio “bitolado” nessa história de “vácuo”, né. Se não tem resposta imediata, não importa o que a pessoa está fazendo, sente como um afronte. Tem que tomar muito cuidado com esses dois lados!

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    • Também acho que quase tudo na vida tem esses dois lados, Luly. O que determina o benefício ou problema é o uso que fazemos. A questão do Whatsapp é bem interessante, já vi pessoas abolindo completamente o uso e para mim essa não é a solução, porque a facilidade de comunicação que ele traz é maravilhosa e concordo totalmente quando você diz que mais une do que afasta. Agora, se não aprendermos a controlar o uso e a diferenciar comunicação fácil de comunicação instantânea, aí começam a surgir os problemas.

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