Essencialismo, Greg McKeown

E estamos aqui com mais um post sobre livros com conteúdo relacionado à produtividade, organização e assuntos similares. Para ver todos os posts sobre livros que eu já publiquei aqui no blog é só procurar na categoria “Livros” ali no Menu lateral ou clicar aqui.

Vamos falar então sobre um livro bem interessante: Essencialismo, escrito por Greg McKeown. A premissa é que todos nos sentimos sobrecarregados hoje porque estamos sempre cheios de coisas para fazer, livros para ler, filmes para ver, notícias para acompanhar, pessoas para visitar, telefonemas para fazer, e-mails para responder, reuniões para comparecer. E o resultado disso é aquela velha sensação de que estamos sempre ocupados, apesar de raramente nos sentirmos produtivos. Segundo o autor, isso acontece porque gastamos a maior parte do nosso tempo e energia com coisas triviais e desnecessárias, o que faz com que deixemos de lado o que é de fato importante, o essencial. O resultado é que nos sentimos sobrecarregados e insatisfeitos.

A proposta então é aprendermos a separar o que é essencial do que não é e vivermos nossa vida focando no essencial. E McKeown aponta que não se trata apenas de uma técnica de produtividade e sim uma forma diferente de encarar a vida, uma mentalidade a ser construída que se baseia em analisar todas as opções para separar o que é essencial do que não é; eliminar o não essencial e executar da forma mais eficiente possível o que é essencial.

Ao longo de 20 capítulos, o autor aponta inúmeras vezes a diferença da mentalidade de uma pessoa essencialista para outra não essencialista. Em cada capítulo é abordado um aspecto do processo de se tornar um essencialista, exemplificando a forma de pensamento antes e depois.

O que eu gostei desse livro é que ele reforça muitos do conceitos que eu acredito e falo sobre aqui no blog. Eu já disse algo parecido no último post sobre livro que eu escrevi aqui (Comece pelo mais difícil, Brian Tracy) e a verdade é que quanto mais livros sobre o assunto eu leio mas eu sinto consolidar o que eu acredito em termos de produtividade e organização. Por mais que existam inúmeras técnicas e metodologias, os conceitos por trás deles são quase sempre os mesmos. E são coisas básicas, por exemplo: a importância do planejamento, evitar a multitarefa, ter prioridades claras.

Por outro lado, algumas poucas pontos dos livros me passaram a impressão de serem um pouco extremas. E eu entendo que o criador de uma metodologia ou, no caso do livro, de uma forma diferente de entender o mundo e a vida, defenda que seu modo de pensar seja adotado integralmente para que funcione. E essa é uma questão talvez um pouco polêmica, mas eu sempre vou defender que cada indivíduo sabe da sua realidade e de suas necessidades e, portanto, precisa adaptar as coisas para que elas funcionem no seu dia a dia.

luminaria computador cacto branco

Foto de Thomas Q em Unsplash

Mas eu não quero entrar nessa discussão aqui, e sim deixar claro que eu achei a proposta do livro excelente, inclusive por defender muitas ideias que eu acredito e pratico no meu dia a dia para ser mais produtiva. Apesar disso, não acho que posso me considerar uma pessoa essencialista, por que não sigo a risca tudo o que é defendido do livro.

Vamos ver então um resumo do conteúdo. São quatro partes, mais um capítulo inicial de introdução e uma apêndice no final que trata sobre a aplicação do essencialismo na liderança.  O capítulo 1 apresenta os princípios e formas de pensamento que compõem o caminho do essencialista em contraposição ao modelo seguido por um não essencialista. A ideia principal, de focar no que é essencial, ecoa a ideia defendida por Gary Keller em seu livro A Única Coisa e também deixa claro o quanto a multitarefa é prejudicial à produtividade. Citando diretamente um trecho do livro “(…) a proposta de valor básica do essencialismo: só quando nos permitimos parar de tentar fazer tudo e deixar de dizer sim a todos é que conseguimos oferecer nossa contribuição máxima àquilo que realmente importa.”

Parte 1: Essência

Composta pelos capítulos 2, 3 e 4, apresenta a mentalidade básica do essencialista. São apresentados 3 pontos, cada um em um capítulo: Escolher, Discernir e Perder para ganhar. Escolher se refere ao poder que temos de selecionar para onde direcionar nosso tempo, atenção e energia. O capitulo 3 (Discernir) afirma que a maioria das coisas não são importantes e é por estarmos inseridos nesse mar de coisas triviais (alô, excesso de informação!) que temos dificuldade de perceber o que é de fato importante.

O capítulo 4 (Perder para ganhar) explica que nossa dificuldade de dizer não implica na ideia de que ao fazer uma escolha estamos dizendo não para várias outras opções  e isso traz a sensação de perda. O que não é real se dissermos sim para algo importante e não para várias outras desimportantes.  Daí vem também a necessidade que sentimos de ser multitarefa: não escolhemos a qual tarefa nos dedicar porque queremos acreditar que dá pra fazer tudo ao mesmo tempo. E, na realidade, não dá, e assim as coisas importantes disputam tempo, atenção e energia com as triviais.

Parte 2: Explorar

Aqui, o sentido de “explorar! é avaliar várias opções cuidadosamente antes de escolher com qual se comprometer. É assim que o essencialista faz enquanto o não essencialista não analisa muitas opções mas se compromete com todas por não perceber o que é importante e o que não é. As cinco práticas para explorar e identificar o que é essencial compõem os cinco capítulos da parte dois, do 5 ao 9: Escapar, Olhar, Brincar, Dormir e Selecionar.

Escapar (cap 5) fala sobre não estar sempre disponível e assim poder criar um espaço (tempo)  para projetar, se concentrar e ler, ou seja, criar momentos para focar, pensar, analisar, aprender e se centrar. Olhar (cap 6) é sobre ver o panorama mais amplo, estar atento para ouvir e observar. Brincar (cap 7) se refere a ter tempo para aquelas coisas que apenas nos trazem alegria, como hobbies e passatempos; tais atividades contribuem para uma boa saúde mental. Dormir (cap 8) explica sobre a importância de cuidar do sono e dos momentos de descanso, algo que eu sempre reforço por aqui. E Selecionar (cap 9) determina a necessidade de ter critérios rígidos para definir o que é essencial e sobre como definir critérios aparentemente extremos pode ser um grande facilitador na hora de tomar decisões.

notebook caneca caderno caneta

Foto de Karolina Grabowska em Kaboompics

Parte 3: Eliminar

Abrange os capítulos de 10 a 14 e explica sobre como eliminar o não essencial uma vez que identificamos o essencial a partir das práticas mostradas na parte dois. Porque não basta separar o que é essencial do que não é, já que muitas vezes temos dificuldades de eliminar as coisas desimportantes. O processo de eliminação passa por:

  • ter clareza de propósito, ter total entendimento de qual o seu objetivo (cap 10: Esclarecer);
  • ter a coragem necessária de dizer não para tudo que não faça parte do seus objetivos e do seu propósito ou que te afaste disso (cap 11: Ousar);
  • saber deixar de lado projetos e ideias que deixaram de ser promissores e saber admitir erros e fracassos (cap 12: Descomprometer-se);
  • subtrair tudo que não é essencial para aumentar a capacidade de foco e facilitar e execução (cap 13: Editar); e
  • definir limites entre o que é nossa responsabilidade e quais nossos objetivos e os limites e responsabilidades dos outros (cap 14: Limitar).

Parte 4: Executar

Por fim, a última parte explica que não basta analisar, separar o que é essencial do que não é e eliminar o que é trivial. O objetivo de todo esse processo é facilitar essa execução porque no fim de tudo o que importa são nossas ações. Aqui são apresentados os passos para criar um sistema que minimize o esforço necessário para realizar o que precisa ser feito.

Do capítulo 15 ao 20, são abordados os princípios necessários para fazer as coisas essenciais quase sem esforço. Temos a importância de se planejar e se preparar para lidar com imprevistos que inevitavelmente acontecerão sem prejudicar seus resultados (Prevenir). Fala sobre remover obstáculos, identificando claramente o que mais te atrapalha e qual sua maior dificuldade (Subtrair). Fala ainda de comemorar cada pequena vitória e os pequenos progressos (Avançar); sobre a importância da rotina e da criação de hábitos (Fluir); e, para finalizar, sobre identificar claramente qual a coisa mais importante que você pode fazer agora e focar nela (Focalizar).

Esse post ficou um pouco maior do que o costume, mas esse livro tem bastante conteúdo interessante e que reafirma coisas que eu acredito em termos de produtividade. Por mais que não se adote completamente o estilo de vida essencialista, a aplicação de algumas das ideias apresentadas com certeza trará uma melhoria significativa da produtividade. Além disso a leitura permite reflexões sobre a forma como lidamos com nossas tarefas e atividades. Se alguém por aí já leu esse livro, me conta nos comentários o que achou?

Ate mais,

Juliana Sales

 

13 comentários sobre “Essencialismo, Greg McKeown

  1. Interessante! Gostei muito das premissas apresentadas no teu texto. Vou colocar o título do livro na minha super latinha de sorteios assim quem sabe ele acaba entrando no #desafioliterário2020 em algum dos próximos meses…

    Abraços!

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  2. Gostei muito da proposta do livro. Às vezes nos perdemos em meio a tantas tarefas sem importância que esquecemos de dar o devido valor ao que é realmente essencial. Achei interessante a dica de saber dizer não e conseguir admitir os erros e fracassos. São pontos que se forem deixados pra lá sempre acabam atravancando a vida.

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    • O foco do livro é nos lembrar exatamente isso que você comentou, Patrícia. E a questão de admitir erros e fracassos foi uma lição muito importante para mim, achei super relevante.

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  3. Parabéns pelo post, muito útil. Não conhecia o livro, mas parece ótimo. Dos passos descritos acho que o mais complicado para mim é o 3. Me apego facilmente com coisas que me atrapalham rsrs, mas já foi pior, um dia de cada vez 🙂

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  4. Só eu que às vezes venho ao blog mais para ler as resenhas da autora do que para saber sobre produtividade? Seu estilo e cuidado ao escrever são muito bons.

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  5. Oi Juliana,

    Eu ainda não li o livro mais conhecia através de um curso de desenvolvimento pessoal que faço, onde a nossa Coach indicou a leitura dele, gostei bastante de ver sua resenha sobre ele pois estava curiosa para saber mais sobre o livro, tenho colhido bons frutos da organização e planejamento, claro nem sempre consigo mas no fim das contas realmente trás ótimos resultados como conseguir ter tempo livre ou priorizar o que de fato é importante para colher resultados. Bejos!

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  6. Adoro quando você vem falando sobre livros do tema produtividade. Esse me pareceu bem legal para nós condicionar a pensar no que é essencial ou não, pena que tem umas ideias meios extremas, mas é por isso que gosto do seu blog porque você sempre dá dicas bem equilibradas e possíveis de encaixar no dia a dia. Parabéns pelo post. Beijos!

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    • Eu também gosto muito de compartilhar minhas leituras aqui. E não se importe tanto com as ideias extremas, são pequenas situações que não invalidam a leitura de forma alguma. Fico feliz que goste do blog, é bem essa ideia de equilíbrio e adaptação que eu quero compartilhar.

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  7. Recebi a indicação deste livro num grupo de profissionais de marketing e a pessoa disse que o livro mudou a vida dela, por isso comecei a ler e não consegui parar.
    O livro é bem prático e trata-se das diferenças entre os que vivem uma vida essencialista e os que não vivem.
    Eu me identifiquei claramente como um não essencialista e pude perceber o quanto minha vida pode ser mais significativa e com propósito se eu tiver disciplina para aplicar esse poderoso estilo de vida essencialista.

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    • Olá Daniel, obrigada por comentar. O livro é excelente mesmo e essa parte prática que ele tem ajuda muito a trazer a teoria para nosso dia a dia e perceber as mudanças e melhorias que podem trazer.

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