Vamos falar sobre planejamento?

Segundo o dicionário, o verbo planejar tem vários significados: “elaborar uma descrição pormenorizada, programar”, “criar ou elaborar um plano”, “demonstrar um propósito para realizar alguma coisa; ter como intenção ou objetivo”. Esse último é o mais amplo e o que mais me agrada. Em sua essência, planejar é organizar a forma como você pretende fazer qualquer coisa.

Quem me acompanha aqui no blog e me conhece minimamente, sabe que planejamento é meu segundo nome. Gosto de planejar absolutamente tudo para garantir que as coisas aconteçam, tanto quanto possível, da forma que eu quero. E, ao mesmo tempo, ter tudo planejado traz uma sensação de controle extremamente benéfica para alguém ansiosa como eu.

A primeira vista pode parecer exagerado ou até uma forma excessiva de controle, mas eu garanto que está muito longe disso. Aliás, esse é um dos principais motivos que fazem as pessoas não gostarem ou não conseguirem se planejar: pensar que o planejamento tem que ser rígido.

E eu nunca vou me cansar de dizer que o planejamento é um guia, uma estrutura para facilitar a execução das coisas, de qualquer coisa. É pra facilitar na hora de organizar seu tempo, de organizar uma meta, um projeto, um evento. Não é algo pra te prender, imutável, que desmorona se qualquer coisa sair do lugar. Pelo contrário, o planejamento permite que imprevistos e mudanças não afetem de forma muito brusca seu dia a dia, seus projetos e seus objetivos. E se afetarem, que você consiga retomar o caminho com mais tranquilidade.

Existem dois tipos de planejamento. O primeiro é o planejamento de algo pontual e/ou específico: uma viagem, um evento, uma meta, um projeto. Nesse caso, se planejar envolve organizar recursos e etapas necessárias para que o seu objetivo final seja concluído. Aqui, o planejamento está ligado a atingir determinado resultado. Esse tipo de planejamento é bem intuitivo, tanto que uma técnica bem conhecida – o Modelo Natural de Planejamento, MNP– se baseia na forma como nosso cérebro naturalmente funciona nessas situações.

computador celular papeis canetas

Foto de William Iven em Unsplash

A outra forma de planejamento tem a ver com organizar o uso do tempo. Se produtividade é alcançar resultados, também é fazer isso de forma eficiente, sem se sobrecarregar. Produtividade é equilíbrio, é conseguir fazer as coisas que você precisa fazer e também as coisas que quer fazer. E para isso é necessário conseguir usar bem o seu tempo e é aí que entra o planejamento.

Agora estamos falando do famoso planejamento semanal, que tanto é mencionado por aí quando se trata de produtividade e organização. É planejar a forma como você vai usar seu tempo durante uma semana. Ou, dito de outra maneira, planejar como você vai distribuir suas tarefas pelo tempo que você tem. Nesse contexto planejar se refere à gerenciar suas atividades.

E os dois tipos de planejamento andam juntos quando se fala de produtividade. Eles se entrelaçam muito claramente quando falamos de metas, por exemplo. Planejar uma meta é um tipo de planejamento que envolve uma situação específica: o objetivo que você quer alcançar. Para alcançá-lo você reúne recursos, estabelece prazos, cria cronogramas, determina etapas as serem seguidas para realizar as tarefas relacionadas. Por outro lado, você precisa encaixar essas tarefas no seu dia a dia e é aí que entra o planejamento do uso do tempo.

Antes de tudo planejar é pensar, é definir caminhos, encaixar peças. Existem inúmeras ferramentas para isso, os mais diversos aplicativos, mas o que funciona melhor para mim é escrever tudo no papel mesmo. Isso ajuda a ordenar meus pensamentos e enxergar as coisas com mais clareza.

Para mim funciona assim: para planejar um evento eu uso a técnica MNP, que eu já mencionei. Clica no link lá em cima se quiser entender melhor como isso funciona. Resumidamente: eu começo escrevendo de forma bem clara o meu objetivo e o resultado que pretendo alcançar. Depois vou anotando o que precisa ser feito, em que sequência, e quanto tempo é necessário. Como já tenho certa prática vou escrevendo de forma já semi organizada, exceto se for algo novo ou muito grande, que não sei bem por onde começar, aí escrevo a medida que vou pensando/lembrando e depois organizo. A organização é fundamental para identificar as tarefas, as ações mesmo, inclusive qual a primeira delas, aquela que devo fazer para iniciar tudo.

notebook caderno post it

Foto de You X Ventures em Unsplash

É nesse ponto que os dois tipos de planejamento se complementam: as tarefas, as ações a serem feitas são inseridas no meu dia a dia a partir do planejamento semanal. Quando vou organizar o meu tempo, cuido para que as minhas obrigações, as tarefas e os momentos de lazer e descanso façam parte da minha semana. E eu falo em termos de semana porque é esse período que eu uso como padrão ao me planejar. Você pode fazer uma planejamento diário, mensal. Veja o que faz mais sentido para você.

O planejamento semanal também não tem nenhum segredo. Começo anotando os compromissos, tudo que tem dia e hora marcados, pra saber quanto tempo da minha semana já está ocupado. Depois vou anotando as tarefas que não tem data específica, mas eu quero ou preciso fazer naquela semana. E deixo a parte, na minha lista de tarefas, as atividades que eu gostaria de fazer na semana. Essa lista eu consulto diariamente e vou inserindo as tarefas no meu dia a dia conforme a dinâmica e a disponibilidade de tempo.

Lembrando sempre que eu não preencho todo o meu tempo com alguma coisa a ser feita. É preciso levar em conta atrasos, imprevistos, tempo gasto com deslocamento (antes dessa situação de pandemia) e ter uma flexibilidade de tempo e horário para realocar as coisas sempre que for preciso. Planejar não encher todos as horas do dia e todos os dias da semana de coisas para fazer. Um “planejamento” assim caminha rapidamente para o fracasso.

Vocês sempre vão me ver falando de planejamento por aqui e nesse post eu quis mostrar porque ele é tão importante e porque é algo relativamente simples de se fazer, as pessoas é que tendem a complicá-lo.

Até mais,

Juliana Sales

16 comentários sobre “Vamos falar sobre planejamento?

  1. Muitas vezes pesei em me planejar e cometi o erro de sobrecarregar, não deixar nenhum horário vago e, lógico, me frustrei porque não consegui cumprir (Afinal, o papel aceita tudo, mas a realidade é outra). Agora tenho procurado retomar o hábito de planejar, mas mantendo uma perspectiva mais real do tempo disponível…

    Abraços!

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    • Isso é tão comum, Darlene! Muitas vezes a gente planeja como se imprevisto não existissem ou como se fossemos robôs, que fazem uma tarefa atrás da outra sem nem respirar. Mas que bom que você já tem essa percepção de como se planejar melhor.

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  2. Eu acho que o segredo está em fazer o planejamento que mais se adeque à realidade de cada um e não se frustrar quando algo sai fora do que se pensou previamente. Imprevistos acontecem e também é preciso saber lidar. A leveza e o bom entendimento de situações adversas fazem a diferença, em minha opinião.

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  3. Planejar é essencial, mas não podemos interpretar erroneamente essa palavra e lotar nosso planejamento de atividades, sem dar um intervalo entre uma e outra, caso contrário nada sairá como desejamos que seja. É importante planejar, sigo que é até essencial, mas com prudência.

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  4. Caríssima, boa noite.
    Que loucura essa nossa nova realidade. Confesso que estou um pouco perdida. A única coisa que consigo planejar no momento e que funciona é o blogue Catarina. Em maio eu consegui um objetivo meu-particular que era superar o mês de abril. Consegui. Enem foi tão difícil. Para ser sincera, foi bem tranquilo. Mas é complicado se planejar sem saber como serão as coisas num futuro que não se sabe onde é.
    Muita coisa migrou para o virtual. Cursos e palestras e agora vamos tentar fazer um sarau também. O próximo passo é um lançamento de livro. Mas é muito louco-insano-perturbador.
    Como você está a lidar com esse cenário pandêmico?
    Eu brinquei com a minha agenda na parte da manhã… quase desisti dela porque, afinal, está tudo nas nuvens.

    bacio

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    • Essa sua colocação diz tudo Lunna: “Mas é complicado se planejar sem saber como serão as coisas num futuro que não se sabe onde é”. Eu tive que fazer uma grande adaptação no meu planejamento. Entre o final de março e o começo de abril deixei tudo de lado porque não sabia como lidar. E só me senti pior com isso. Aos poucos, fui revisando tudo, deixando muita coisa “em suspenso” porque não tem o que fazer, e vou tocando o que dá pra tocar. Mas não tenho feito planejamentos de longo prazo. Vou tocando os projetos que ainda dá, com pequenas metas, a serem cumpridas em poucos dias. Planejo a semana, mas não tenho traçado objetivos para o mês. Até que tem fluido bem, embora todo o cenário político/social/de saúde me deixe cada vez mais sem ânimo.

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  5. Vou ser repetitiva mas você sabe que não sou fã de planejamento. Ainda mais nesse tempo louco em que estamos vivendo, simplesmente estou sobrevivendo, sem planejar nada…Quando as coisas começarem a andar ai irei tirar meu planner do isolamento e talvez façamos as pazes…
    Abraços

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    • Eu gosto de comentários como o seu Ale, porque mostram que nessa questão de organização/produtividade não tem certo e errado. Porque é justamente me planejar, me organizar que ajuda a lidar melhor com esses tempos complicados que estamos vivendo. Claro que é algo mais tranquilo, adaptado as condições atuais. Mas eu notei que quando eu deixei de me planejar eu só consegui me sentir ainda pior, sabe?

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  6. Como sempre, seus posts tratam de assuntos muito relevantes e de uma maneira completa e que dá pra entender seu ponto. Eu sempre fui muito organizada, mas confesso que em meio a tudo que estamos passando tenho me sentido meio desanimada, ainda mais nas últimas duas semanas. Tenho preferido passar meu tempo me planejando para me planejar do que realmente sentar na mesa e colocar as coisas no planner em listas. vou tentar mudar isso hoje à noite porque, por mais que eu tente não me cobrar, o fato de ficar as coisas ficarem tão desorganizadas me deixa muito angustiada!

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    • Oi Luana! Acho que nesses tempos todo mundo deu uma desanimada em algum momento. Meu mês de março, por exemplo, foi totalmente fora dos eixos, meu planejamento foi pro espaço e eu nem tive ânimo pra reorganizar as coisas. Abril e Maio foi um pouco melhor, mas as vezes tem uns momentos que eu deixo tudo de lado, e ok, sabe? É meio o que eu falei em alguns posts anteriores, considerando o quanto o momento atual está complicado e desgastante, não tem a menor necessidade de ficar se cobrando. Por outro lado, se é algo que está de angustiando, tenta fazer um planejamento mínimo, mas bem de leve, sem estresse, só pra te fazer se sentir melhor.

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