O movimento Slow Life e a busca consciente da produtividade

Quem me acompanha aqui no blog já deve percebido que de um tempo para cá eu venho falando muito sobre o “meu” conceito de produtividade, o que significa que eu compartilho por aqui a forma como eu entendo e busco viver a produtividade no meu dia a dia. Eu também já disse, pelo menos uma vez, que ao longo do tempo em que o blog está no ar, meu conceito de produtividade foi se modificando. Na verdade, talvez modificando não seja a melhor palavra: ele vem se esclarecendo, se consolidando. E, de forma resumida, a produtividade que eu compartilho é aquela que te ajuda a alcançar suas metas de forma mais tranquila e consciente, sem sacrifícios e sem uma busca obsessiva pela alta performance.

Esse conceito envolve quase tudo aquilo que faz parte da ideia mais conhecida de produtividade: organização de tarefas, planejamento, rotina, hábitos, ferramentas, aplicativos. Claro, porque tudo isso é importante no dia a dia. Mas vai além disso, fala de usar essas ferramentas, metodologias e técnicas de forma mais lúcida. É um pergunta que eu já soltei por aqui algumas vezes: você quer ser mais produtivo por quê?

Acho que isso entra um pouco na esfera da qualidade de vida, do desenvolvimento pessoal e eu acredito de verdade que esses conceitos, quando entrelaçados com a ideia de produtividade, fazem a vida funcionar melhor. Então, tenho a intenção de trazer mais posts para o blog que tenham a ver com esse assunto, sem perder a essência desse cantinho, que é falar de produtividade.

Então, o post de hoje traz um conceito que eu conheci alguns meses atrás e que, ao ler sobre, notei que vinha de encontro a tudo isso que eu expliquei antes: o movimento Slow Life.

Ao que parece esse conceito surgiu na segunda metade da década de 80 com a ideia do slow food que aborda a questão de melhorar a qualidade da nossa alimentação, não só no sentido saudável/nutricional mas ressaltando a importância de saborear a comida, de gastar tempo com uma refeição e não comer qualquer coisa de forma rápida, apenas para saciar a fome.

Se a ideia Slow Life parece ter se originado do Slow Food, um livro, escrito em 2004, tratou pela primeira vez da ideia de aplicar a filosofia “slow” em todas as áreas da vida. Trata-se da obra “In Praise of Slowness”, de Carl Honoré, que foi publicado no Brasil em 2005 com o título “Devagar: como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade

Foto de Cassie Boca em Usplash

Honoré acredita que “o Movimento Slow é uma revolução cultural contra a ideia de que o que é rápido é melhor. A filosofia Slow busca a qualidade e não a quantidade, o fazer tudo da melhor maneira possível ao invés de se fazer da forma mais veloz.” (fonte aqui). A ideia é buscar uma  mudança para desacelerar a forma como vivemos hoje.

A importância disso está no fato de que vivemos algo chamado “doença do tempo”, um termo criado pelo médico Larry Dossey em 1982 e que se refere a vivermos constantemente com a sensação de que o tempo está fugindo e é preciso viver cada vez mais rápido para não perdê-lo. Honoré traz essa explicação em seu livro e afirma que se deu conta disso ao perceber que sua vida era uma constante busca de correr para encaixar sempre mais e mais coisas nas horas do dia. E não é assim que a maioria de nós se sente?

Assim, o movimento Slow abrange viver de forma mais consciente em todas as áreas de nossa vida, deixando de lado a correria e vivendo as coisas em outro ritmo. Na verdade, mais do que reduzir a velocidade a ideia é viver com consciência, fazendo as coisas na velocidade certa, sendo propositalmente lento ou intencionalmente rápido de acordo com as circunstâncias e não viver apenas na pressa, sem como nem porquê, sem sequer saber porque corremos tanto. O movimento tem alguns princípios que o norteiam, dentre eles a valorização da qualidade em vez da quantidade, o respeito aos ritmos naturais, pessoais e sociais, a busca do equilíbrio e a moderação dos excessos.

Mas como aplicar o conceito do slow life na nossa realidade? Acredito que, mesmo que não haja uma adesão ou concordância completa com o movimento, é muito possível trazer algumas propostas para o nosso dia a dia. E isso tem tudo a ver com a ideia de produtividade saudável que eu já falei aqui e também com a ideia de simplificar nossa vida. E essa produtividade saudável é a ferramenta para conseguir isso, para viver uma vida mais simples, mais leve e com mais significado.

Existem algumas atitudes que podemos adotar e que nos levam para mais perto do ideal slow life, através de ações mais conscientes em relação aos mais diversos aspectos da nossa vida. Por exemplo, considerando a origem do conceito, o slow food. Slow food não é só comer devagar: é se nutrir em vez de simplesmente se alimentar. É ter consciência dos alimentos, de suas propriedades nutricionais, do sabor. É gastar tempo com o ato de se alimentar, saborear, aproveitar o momento.

Eu sempre ressalto que a produtividade que sacrifica sua saúde não é praticável a longo prazo. Manter-se saudável é essencial para manter-se produtivo e isso passa por alimentar-se bem. Quem vive na correria dificilmente consegue se alimentar bem e o corpo acaba sentindo. Não estou dizendo para nunca mais na sua vida comer um fast food, até porque o slow food defende fugir do extremismos, mas busque estar atento e consciente de como você se alimenta.

Foto de Drew Coffman on Unsplash

Outro ponto em que esse movimento pode trazer benefícios é sobre o excesso de informação a que estamos submetidos. Hoje todos nós estamos expostos a um volume de informação muito além da nossa capacidade de processamento e, mais que isso, tendemos a sentir essa necessidade de estar informado pelo medo de perder alguma coisa, de ficar sem saber. A consciência de que tipo de conteúdo estamos consumindo requer uma desacelerada para que possamos avaliar e filtrar que tipo de informação queremos absorver.

Essa filtragem da informação, e por consequência da quantidade de estímulos a que estamos submetidos, também permite que consigamos olhar mais para nós e estar mais conscientes de nossas necessidades e interesses. Considerando que autoconhecimento e produtividade estão muito relacionados, a adoção do movimento slow proporciona um situação que incentiva esse autoconhecimento e, portanto, contribui para a melhoria da produtividade.

Por fim, esse incentivo por pisar no freio, diminuir a velocidade, nos convida também a buscar momentos de calmaria mesmo que não seja possível se livrar do caos diário que nos cerca. E isso pode ser feito em pequenas mudanças de atitude: dedicar tempo às suas refeições, como eu disse acima no texto. Não menosprezar a necessidade de descanso, fazer pequenas pausas. Diminuir expectativas e cobranças, amenizar o ritmo, esvaziar a mente.

O movimento slow life envolve diversos outros aspectos, como por exemplo, rever seus hábitos de consumo, uma vez que o consumismo também é uma característica desse estilo de vida acelerado e que gera problemas pessoais (financeiros, por exemplo) e para o planeta como um todo (produção de resíduos, esgotamento de recursos).

Eu confesso que estou bem interessa em aprender mais desse conceito. Eu não me acho uma pessoa assim tão acelerada (tanto quanto é possível não ser na sociedade acelerada em que vivemos) mas consigo perceber claramente o quanto essa filosofia pode ser benéfica para minha ansiedade, por exemplo. E claro, ela vem de encontro ao conceito de produtividade real e busca de equilíbrio, que é o que eu quero viver e compartilhar por aqui.

Alguém já conhecia esse conceito? O que acharam da ideia? Acham viável em uma sociedade que por padrão, está sempre na velocidade máxima?

Até mais,

Juliana Sales

12 comentários sobre “O movimento Slow Life e a busca consciente da produtividade

  1. Não conhecia esse conceito e achei bacana, pois uma pessoa acelerada pode se prejudicar com sua produtividade e essa técnica, como está no post, ela vai “nutrindo” aos poucos e irá melhorar nosso desempenho.

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  2. Não conhecia esse conceito, mas já me identifiquei com ele. Olho para a minha vida e para a vida das pessoas ao meu redor e penso: Socorro! As pessoas (inclusive eu) parecem estar inseridas em um liquidificador! Onde está a vida afinal? Acredito que é necessário começar a pensar seriamente em um mundo mais “slow”, e isso precisa começar por cada um e cada uma de nós, sem extremismos, mas com consciência.
    Abraços

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    • É bem isso mesmo Darlene, o mundo é muito acelerado hoje e quase todos nós acabamos indo no embalo. Acho que é super importante começar a repensar isso, não só cada um de nós como indivíduos, mas a sociedade como um todo, pelo bem do próprio planeta e, arrisco dizer, da humanidade. Também me identifiquei muito com o conceito e tenho lido bastante sobre ele.

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  3. Já dizia o velho ditado: “a pressa é a inimiga da perfeição”. Acredito que estas palavras podem se aplicar com maestria ao conceito slow, infelizmente hoje em dia as pessoas têm tanta pressa de ter, de fazer, que acabam se esquecendo de viver, sentir o prazer de pequenas coisas (como o ato de se alimentar, por expl) e toda essa rapidez acaba cobrando um preço alto lá na frente (surgimento de doenças, fadiga, etc). Viver em equilíbrio é sempre a melhor opção, tudo que é extremo não traz bons resultados.

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    • Você está certa Patrícia. O mundo hoje é super acelerado e quase todos nós acabamos cedendo a essa loucura de ir cada vez mais rápido. Eu gostaria que todas as pessoas tivessem esse momento de parar e refletir sobre isso. E até acho que tudo bem ir rápido, mas se você quiser e não porque é imposto. Eu, particularmente, sou mais adepta desse equilíbrio que você mencionou.

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  4. Não conhecia esse conceito, mas, estou tentando desacelerar…E isso é bem difícil…Tentando filtrar as informações, o que tem sido também difícil, pois, trabalhando em casa com computador, estudando e pedindo tudo via internet, acabamos realmente sobrecarregados…
    Enfim, sempre fala que devemos dar um passo por vez, e como é difícil…
    Abraços

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  5. Estou aposentada e mesmo assim passo correndo, fiz uma casa em um sítio para descansar e estou enlouquecida correndo para terminar a construção e decorar e fazer mil outras coisas ao mesmo tempo. Espero em algum momento conseguir parar de correr para usufruir da slow life pretendida!

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  6. […] O movimento Slow Life e a busca consciente da produtividade: eu gostei tanto de escrever esse post! Quanto mais eu estudo e pesquiso sobre produtividade, mas eu defendo a ideia de que simplificar as coisas é o melhor caminho para ser produtivo. Quero cada vez mais espalhar a ideia de que ser produtivo não é fazer mais coisas e gosto do conceito de usar o tempo de maneira consciente, fazendo o que é importante. O termo Slow Life remete a ideia de desacelerar, de buscar qualidade e não quantidade. Desse top 3 dos posts mais populares, esse com certeza é o meu preferido! […]

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