O Método Bullet Journal, Ryder Carroll

Em janeiro eu fiz um post aqui contando quais ferramentas de organização eu iria usar esse ano. Clica ali no link se quiser ler o post todo, mas uma das coisas que eu comentei foi que, depois de 3 anos usando bullet journal, esse ano eu usaria um planner. Pois bem, foi o que eu fiz e foi uma experiência legal mas para 2021 eu decidi voltar para o bullet journal.

O planner me atendeu bem até certo ponto, mas em determinado momento eu senti falta de mais espaço para escrever, para pensar (rs). 2020 foi um ano atípico e, por consequência, cheio de imprevistos e mudanças de planos. E eu senti falta de conseguir fazer revisões, reflexões e (re)planejamentos, já que não tinha esse espaço no planner. Claro que eu podia usar um bloco de notas ou uma folha qualquer, e foi o que eu fiz, mas uma coisa importante para mim quando se fala de organização é centralizar, odeio ter anotações em folhas soltas e post its perdidos por aí. E aí eu fui enchendo meu planner de folhas extras e no final ficou tudo meio bagunçado, o que me irritou um pouco.

De qualquer forma, a experiência serviu para me mostrar que o bullet journal é mesmo a melhor ferramenta para mim. Preciso da flexibilidade que ele proporciona, do espaço não delimitado e da facilidade de encontrar as anotações que eu já fiz. Entretanto, uma das coisas que me fez decidir usar um planner esse ano foi a questão do tempo gasto para montar e organizar os layouts do bullet journal, e olha que eu nunca tive o hábito de decorar ou enfeitar. Mas admito que sempre gastava um certo tempo pesquisando inspirações para os layouts mensais e semanais.

Para isso decidi que meu bujo desse ano seria o mais minimalista possível. E nada melhor para isso do que recorrer ao método original e usá-lo em sua essência, sem as modificações e acréscimos que os usuários passaram a fazer quando o método se popularizou. Veja bem, nada contra essas modificações, quem me acompanha sabe que eu sempre digo que qualquer método de organização e produtividade precisa ser adaptado a sua realidade e não o contrário. Tanto que eu mesma fiz uma ou duas mudanças no método original. Apenas estou dizendo que eu achei que seria mais útil e funcional para mim me apegar aos conceitos básicos do método.

Curiosamente, eu ainda não tinha lido o livro oficial – O Método Bullet Journal – escrito pelo seu criador, o Ryder Carroll. Então decidi começar essa leitura e ir montando meu bujo enquanto lia, seguindo as instruções. Preciso dizer que o livro é muito bom! Não só por explicar de forma bem simples o método, qual seu propósito e como colocá-lo em prática, mas também pelas mais diversas reflexões sobre produtividade, organização e propósito que ele traz.

bullet journal kindle livroFoto autoral

Preciso dizer também que não você não tem que ler o livro para entender o método. O site oficial tem uma explicação simples e direta dos principais conceitos e é tudo bem fácil de entender. No post que já tem aqui no blog que se propõe a ser um guia rápido sobre bullet journal, todas as informações vieram do site. Mas é claro que a leitura do livro te permite ir além, explicando o motivo por trás de cada conceito e ajudando a consolidar o uso na prática porque dá para entender porque o método é como é e quais benefícios ele traz.

O livro é composto de 4 partes: I – A Preparação, II – O Sistema, III – A Prática,  IV – A Arte e V – Conclusão. A primeira parte começa com Ryder explicando como surgiu o método e como e porque ele decidiu compartilhá-lo. Ele explica também qual o objetivo do método, em quais pilares ele se baseia e como ele percebeu que o método ia além de simplesmente organizar o dia a dia. Tem também duas instruções práticas importantes. A primeira é o que você precisa para começar a usar o método: um caderno, uma caneta e uma folha de papel. E a segunda fala do inventário mental, que é um exercício bem simples para organizar sua mente. Consiste em dividir uma folha de papel em três colunas:

  • na primeira você lista todas as coisas as quais está se dedicando no momento;
  • na segunda, lista todas as coisas a que deveria estar se dedicando; e
  • na terceira, todas as coisas as quais gostaria de estar se dedicando.

Esse processo de inventário mental é interessante de ser feito de tempos em tempos: quando você vai revisar suas metas, quando se sente sobrecarregado e mesmo quando não tem ideia de qual o seu objetivo. A proposta é depois de listar as coisas, analisar cada item se perguntando: isso tem importância? (para você ou para alguém que ama?) Isso é vital? Se as resposta for não para essas duas perguntas, aquele item – seja tarefa, compromisso, atividade, projeto – é considerado por Carroll como uma distração, que não acrescenta valor a sua vida e deve ser deixado de lado.

Na segunda parte do livro é explicado o princípio básico de funcionamento do método. Os conceitos chaves são: Índice, Registro Futuro, Registro Mensal, Registro Diário e Registro Rápido. No site oficial todos esses conceitos estão explicados e no post que eu linkei lá em cima, que traz um guia do método, também. Então não vou me estender muito aqui explicando esses pontos. O autor diz que essas duas primeiras partes trazem o conhecimento básico para aplicar o método. E nas partes III e IV tem-se um aprofundamento, onde é possível entender como incrementar e personalizar o método.

Terminada a leitura das duas primeiras partes eu já comecei a montar meu bullet journal, especialmente considerando que eu já tenho experiência no uso do método. No livro é indicado um passo a passo de como começar que ajuda muito quem está tendo o primeiro contato com a metodologia. Inclusive esse passo a passo é escrito já utilizando os conceitos que norteiam o método, usando a técnica do registro rápido com bullets e marcadores. Vou colocar aqui o passo a passo mas recomendo a quem puder, ler o livro, porque o visual já contribui muito para o entendimento dos conceitos chave.

registro futuro bullet journal kindleFoto autoral

Comece seu bullet journal

1. Faça o Índice

  • numere as páginas (1-4)
  • coloque o título (“Índice”)
  • acrescente apenas o que tiver conteúdo. Nada de coleções vazias!

2. Faça o Registro Futuro

  • numere as páginas (5-8)
  • divida as páginas em 6 células
  • coloque um mês em cada uma
  • acrescente tarefas e eventos futuros
  • inclua no índice

3. Faça o Registro Mensal

  • numere as páginas (9-10)
  • coloque o mês atual como título
  • liste as datas e as tarefas do mês
  • acrescente ao índice.

4. Faça o Registro Diário

  • numere as páginas.
  • coloque a data de hoje no título.
  • anote as tarefas do dia.

5. Revise seu Inventário Mental (opcional)

  • risque tudo o que não for vital ou importante.
  • identifique conteúdo relacionado (como objetivos, projetos, listas de compras, etc) para criar coleções personalizadas.

6. Migre o Inventário Mental

  • mova itens futuros para o registro futuro.
  • migre itens para o registro mensal.
  • defina as prioridades do registro mensal.
  • migre as prioridades para o registro diário
  • migre itens adicionais para coleções personalizadas.
bullet journal post blog produtivamenteImagem do Pinterest – disponível aqui

Eu segui mais ou menos essas indicações ao criar o meu bullet journal para o próximo ano, com algumas diferenças: entre o registro futuro e o registro mensal coloquei algumas coleções que são importantes e úteis para mim, como controle de metas, informações veterinárias dos meus pets e ciclo menstrual. Além disso, eu não tenho o hábito de fazer registro diário e gosto da usar a visão semanal, porque facilita meu planejamento.

Para esse post não ficar maior do que já está, achei melhor dividir o conteúdo em duas partes, então na semana que vem eu trago outro post falando sobre as outras partes do livros. Antes de terminar, duas definições importantes que constam nessas duas primeiras partes.

Coleções: blocos que reúnem informações relacionadas. Carroll diz que o bullet journal é composto de módulos e cada módulo guarda conteúdos similares. Cada coleção é um módulo. As principais coleções são representadas pelos conceitos chave Registro Diário, Registro Mensal, Registro Futuro e Índice. Afora isso, você pode criar quaisquer coleções personalizadas que quiser e precisar.

Migração: citando um trecho do livro, “consiste em transferir uma parte do bullet journal para a outra, reescrevendo. Pode parecer exaustivo, mas serve a uma propósito crítico: eliminar distrações. Como demoramos um pouco mais para escrever à mão, há um incentivo para fazer uma pausa e considerar item por item. Se um dele não vale os poucos segundos que se leva para reescrevê-lo, não é tão importante. Livre-se dele.” A migração geralmente acontece ao fim de cada mês (durante a revisão mensal), ao fim do ano ou quando se começa um novo caderno depois que o antigo acaba.

Semana que vem eu volto com a segunda parte desse post. Quem também usa bullet journal, me conta como faz nos comentários!

Até mais,

Juliana Sales

13 comentários sobre “O Método Bullet Journal, Ryder Carroll

  1. Ainda não uso o bullet journal mas toda essa explicação me fez criar ânimo para usá-lo. Realmente essa metodologia me parece fácil e agradável, gostei muito da parte do inventário mental, achei bem atrativo e interessante. Juliana, parabéns pelo conteúdo sempre tão útil!

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    • Sim Patrícia, a metodologia é bem simples e muito funcional. A questão é que quando a gente busca imagens do bujo por aí, tem aquele monte de imagens coloridas, enfeitadas, decoradas. E bujo não é isso! Pode ser, cada um faz seu bujo como quiser, mas não precisa ser. Quanto ao inventário mental eu acho legal fazer para ter clareza de nossas metas ou então quando estamos cheios de coisas para fazer e não conseguimos perceber o que é prioridade. É um exercício muito legal de se fazer.

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  2. Oi, Ju! Tudo bem? Nossa, te admiro e a todos que se valem do método Bullet Journal! Gostaria, mas não consigo! Me sinto tão atarefada que não me vejo com tempo pra tentar errar e acertar a cada tracejo! rsrsr
    Aliás, a dica literária que você deu é muito valiosa! Eu quero muito ler o livro “Diários em Tópicos”, porque ele fala de organização e a utilização dessa ferramenta. Mas não tenho vontade de me arriscar. Faço muito coisa ao mesmo tempo! Fico mesmo com o planner, que aliás, já comprei o meu personalizado e estou apaixonada! Você viu, não é? Bjs

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    • Sabe Ana, aí é que está o ponto dessa leitura: o bujo não precisa ser bonitinho, tem que ser funcional! Na segunda parte do post eu falo de como o Ryder Carroll destaca bastante isso no livro. Diário em Tópicos eu já li e é legal, mas acho que ele foca mais na parte estética do método, sabe, não aprofunda muito na questão dos conceitos, da produtividade. Vale a leitura, mas esse do Ryder Carroll é bem mais abrangente.

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  3. No início deste ano (ou fim do ano passado?) comprei um calendário lindo que serviria super bem como planner. Aí veio a pandemia e eu fiquei sem compromissos pra anotar. O calendário-planner está lá, lindo e novo. Vou comprar outro para 2021…rs. Também já fiz manualmente e usando um caderno velho (mais ecológico que comprar algo novo), meu caderno de controle de finanças. Acho o Bullet Journal muito fofo e funcional para algumas pessoas, mas não tenho muita paciência, faço muita coisa ao mesmo tempo, ficaria meio perdida…

    Abraços

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    • Calendário tem dessas mesmo Darlene, é bem voltado para compromissos, eventos, coisas com dia e horário definidos… eu quase não tenho coisas assim na minha rotina, então agenda/planner não me são muito úteis, o calendário do google dá conta. E olha, você não ia achar meu bujo fofo não, é só caneta preta e marca texto para separar as coisas e uns raros adesivos.

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      • Interessante como você tem razão: Os métodos de organização dependem muito da rotina das pessoas e da forma como elas se sentem mais confortáveis em se organizar. No meu caso, calendário/Planner dão conta, não sei como seria um bullet, quem sabe arrisco uma hora dessas? O meu com certeza seria todo cheio de frufru hahah

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  4. Eu já usei bullet Journal pronto e também fiz uso de um caderno mas, gosto mesmo é da boa e velha agenda que nesse ano eu reaproveitei um moleskine-agenda de algum ano que passou. Mas, para o ano que vem eu quero usar um caderno comum que está por aqui. Pensei em confeccionar uma agenda. Mas, tem a questão das linhas, imprimir linhas perfeitas não é nada fácil e se elas não ficarem paralelas nas páginas, terei um ataque de TOC. rs
    O processo do Bullet (por ser criativo) me estimula na hora de criar projetos-propostas e eu gosto imenso de listas de coisas. me lembra supermercado-feira, receitas de bolo e pães. Eu traço esses paralelos. Mas não me oriento a partir do que já fizeram, embora adore espiar as imagens de Bullet no Pinterest. Tem coisas muito legais por lá.

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    • Ah Lunna, comigo a agenda nunca funcionou, não gosto daquela coisa limitada de um dia por página, sempre sobra ou falta espaço. Já usei uma com visão semanal e foi um pouco melhor, mas a questão do espaço delimitado sempre me atrapalha. E olha que curioso: você diz que o lado criativo do bujo te agrada e o que me fez fugir do método esse ano foi justamente essa “necessidade” de ser criativo. E após a leitura do livro não existe essa necessidade, a metodologia em si é extremamente básica e isso me agradou muito. Também gosto de olhar o Pinterest mas meu bujo a partir de agora será só tabelas e linhas retas, com um toque de cor dos marca textos que eu amo.

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  5. Acho magnífico o bullet journal, tenho amigos e amigas que fazem e ficam incríveis. Eu já não tenho paciência para isso, pois necessita de muita criatividade e como dito, paciência para a montagem. Tenho certeza que faria apenas uma ou duas páginas e depois o deixaria de lado, mas é uma atividade que admiro muito e fico curioso em ver os de quem faz.

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  6. […] Ainda para tentar essa centralização, mas agora falando de ferramentas analógicas, uma boa opção pode ser o bullet journal. Eu uso há muitos anos e, de certa forma, ele é o centro da minha organização. Uso outras ferramentas como apoio e complementação, mas a referência principal é o bullet journal. Claro que para usá-lo você precisa gostar de escrever a mão (eu gosto) e conhecer o funcionamento real do método (e não, ele não precisa ser todo decorado e enfeitado e colorido como se vê por aí). Eu recomendo a leitura do livro do criador, Ryder Carroll.  […]

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