O Método Bullet Journal, Ryder Carroll – parte 2

O post de hoje é continuação da semana passada, sobre o conteúdo do livro oficial do método bullet journal, quem tem o mesmo nome e foi escrito por Ryder Carroll. No post anterior eu falei sobre as duas primeiras partes do livro: a Preparação e o Sistema. Hoje vamos falar sobre as três últimas partes: a Prática, a Arte e a Conclusão.

Resumidamente, a primeira parte apresenta o método, explica a ideias que o orientam e indica o que é necessário para usá-lo. E a segunda parte explica a essência da metodologia: quais são os conceitos chaves, como funcionam e porque devem ser usados; e termina como um passo a passo para começar seu bullet journal.

Como o próprio autor afirma, e eu concordo, essas duas primeiras partes são fundamentais para quem não conhece ou nunca usou a metodologia, porque explicam tudo que é preciso para começar a usar. Ele explica também que a terceira parte (a Prática) explora as fontes, a filosofia e a ciência por trás dos elementos do bullet journal, de forma que esse conhecimento permita personalizar o método de acordo com as suas necessidades. Se essa terceira parte traz detalhes que mostram o raciocínio e a história que sustentam a estrutura do método, a quarta parte (a Arte) traz exemplos de como aprimorar os conceitos básicos, para deixar ainda mais claro e fácil de entender como adaptar À sua realidade. A última parte, como o próprio nome diz, traz um conclusão encerrando o conteúdo apresentado.

Para mim, a parte III é uma das mais interessantes do livro. Como eu disse, nela são apresentados vários conceitos nos quais o funcionamento do método se baseia e para cada conceito há uma seção chamada “Na Prática” onde é mostrado como aplicar aquele conceito no método e na vida. Os conceitos apresentados são: reflexão, significado, objetivos, pequenos passos, tempo, gratidão, controle, radiância, persistência, desconstrução, inércia e perfeição.

registro mensal bullet journalImagem do Pinterest – disponível aqui
  • Reflexão: tem muito a ver com autoconhecimento e na prática se dá através dos momentos de reflexão diurna (para planejar o dia) e reflexão noturna (para revisar o dia) que são feitas diariamente pela coleção Registro Diário.
  • Significado: trata de compreender a motivação por trás dos seus objetivos.
  • Objetivos: definem o que nós queremos. Precisamos estar atentos para não traçar objetivos reativos ou nos apropriar de objetivos alheios como se fossem nossos. E é útil dividir nossos objetivos em partes menores e independentes, que serão ainda subdivididas em passos executáveis, as tarefas. Esse é o caminho para alcançá-los.
  • Pequenos passos: remete ao conceito da filosofia Kaizen, que trata da melhoria contínua. Consiste em fazer perguntas simples que tornem as tarefas mais fáceis de lidar e que ajudem a tirar projetos paralisados da inércia.
  • Tempo: traz uma verdade simples, que diz que não podemos criar tempo, apenas aumentar a qualidade do tempo que temos e isso envolve o modo como o usamos. E tempo de qualidade é aquele em que estamos focados, nos mantendo presentes no que quer que estejamos fazendo. Fala também de trabalhar com blocos de tempo (alocação de tempo) e de respeitar nosso biorritmo (tem a ver com picos de energia e cronotipos).
  • Gratidão: tem cara de auto ajuda, mas a ideia aqui é celebrar suas pequenas vitórias, entender que toda tarefa depois de executada se transforma em uma realização.

Nesses seis primeiros conceitos são abordadas muitas ideias que eu acredito e compartilho quando se fala de produtividade. Um dos exercícios de prática que eu achei muito interessante é o chamado “5,4,3,2,1”. Ele serve para ajudar a organizar nossos objetivos através da perspectiva de diferentes períodos de tempo, no longo, médio e curto prazo, identificando coisas a serem feitas em 5 anos, 4 meses, 3 semanas, 2 dias e 1 hora.

Também achei muito interessante encontrar menção à ferramentas da gestão da qualidade. Quem me acompanha a mais tempo já deve ter lido que eu fiz pós graduação nessa área e até já fiz posts aqui sobre o uso de ferramentas da gestão da qualidade na organização e produtividade pessoal, como a método 5S, a filosofia Kaizen que eu já citei lá em cima e o Kanban. No livro, também no item Pequenos Passos, é citado o ciclo de Deming, mais conhecido como Ciclo PDCA, que propõem um processo cíclico de planejamento, execução, verificação e ação.

exemplo de registro diário bullet journalImagem do Pinterest – disponível aqui
  • Controle: fala sobre não gastar nosso tempo e energia com coisas que não estão sob nosso controle, já que “tentar pensar em saídas para situações que não estão sob nosso controle pode parecer produtivo mas não passa de uma enorme distração”. O ponto é identificar o que não podemos controlar, deixar essas coisas de lado e direcionar nossa atenção para o que efetivamente podemos controlar.
  • Radiância: como nossas ações reverberam a nossa volta e sobre como melhorar a nós mesmos contribui para melhoria dos outros. Sobre autocompaixão, aprimoramento mútuo e aprendizado.
  • Persistência: o conceito aqui é reformular a forma como enxergamos nossa rotina em nossa mente, especialmente com relação as coisas que não fazemos por prazer. A ideia é deixar de focar no trabalho que dá realizar alguma tarefa e se concentrar no que ela significa, o que nos proporciona. Não é pensamento positivo, é analisar nossos esforços para entender quais os propósitos que os justificam.
  • Desconstrução: literalmente sobre desconstruir nossos problemas, examinando-os a fim de entender qual o verdadeiro núcleo do problema e por que é um problema, o que ajuda a pensar em formas de lidar com a situação.
  • Inércia: mostra o que fazer naquelas momentos em que se perde a objetividade, por se ver diante de um problema ou desafio.
  • Imperfeição: tópico muito importante que aborda a ideia (equivocada) que temos de que o oposto da perfeição é o fracasso, o que nos leva a viver sob o peso de que não atingir a perfeição é o mesmo que falhar. Quando aceitamos que a perfeição é um conceito antinatural, tudo flui com mais tranquilidade.

Os tópicos sobre imperfeição e controle foram os que eu mais achei interessantes aqui. Imperfeição porque eu sempre falo sobre o quanto o perfeccionismo nos paralisa, nos leva à procrastinação e sabota nossa produtividade, nos impedindo de alcançar objetivos. E sobre controle, foi uma parte da leitura que falou diretamente comigo, pois eu tenho uma grande necessidade de manter as coisas sob controle e essa talvez tenha sido uma das melhores reflexões que o livro me proporcionou.

Chegando ao final da leitura, a parte IV (A Arte) usa um exemplo simples (planejamento de uma viagem de férias) para mostrar como personalizar o uso do bullet journal. Aqui se fala muito das coleções personalizadas, que nada mais são que estruturas ou módulos criados dentro do bujo para atender à necessidades específicas do seu dia a dia, como no caso do exemplo, do planejamento de uma viagem.

O Ryder Carrol aponta que você pode criar quantas e quais coleções quiser, mas que qualquer coleção deve servir a um propósito. Isto é, evite ser um acumulador de informações, não transforme suas coleções em “gavetas de bugigangas”. Como o autor explica: “se não há nada a ser aprendido com a informação de uma página, ela oferece pouco valor, e é provável que faltará o incentivo necessário para mantê-la.”

exemplo de coleção método bullet journalImagem do Pinterest – disponível aqui

Outro ponto importante dessa parte IV é quando se fala sobre design. Muitas pessoas acham que não podem ter um bullet journal porque não sabem decorar, não tem letra bonita, não tem um caderno ou caneta específicos. Mas o ponto sobre o método é que a única coisa que importa sobre em um bujo é o seu conteúdo. E essa simples afirmação também joga por terra o que muitos dizem sobre não ter tempo para fazer um bujo. Eu poderia transcrever esse tópico inteiro do livro aqui, tanto pela sua importância em esclarecer esses conceitos equivocados quanto por esse ponto vir de encontro ao meu motivo de não usar o bujo em 2020, que era justamente economizar o tempo de preparar os layouts.

O que fica bem claro aqui é que o bujo é, pelo seu próprio funcionamento, um método minimalista. Seu bujo não precisa ser bonito para ser útil. A forma como você o monta deve servir a um propósito. Se ficar bonito, ótimo. Se não, não faz diferença, pois o que importa é ser uma ferramenta de organização e produtividade.

Por fim, a última parte, traz uma conclusão de todo o conteúdo apresentado. Nela, Ryder Carroll volta ao ponto da funcionalidade do bujo, reafirmando que o aparência do caderno não é importante e sim o quanto ele é útil no seu dia a dia. Claro que se decorar e embelezar seu caderno é algo que te motiva, tudo bem. A questão é que isso é uma escolha e não uma obrigatoriedade. E tem também uma seção muito legal de “perguntas frequentes”. com respostas para as dúvidas mais comuns sobre o método.

Eu terminei essa leitura com a sensação de que deveria ter lido muito antes. É um livro extremamente rico em conteúdo, que não só mostra a metodologia em sua essência, como proporciona diversas reflexões sobre produtividade que tem muito a ver com o que eu acredito e compartilho sobre o assunto. E mais, cada reflexão é acompanhada de uma explicação de como você pode colocar aquele aprendizado em prática no seu dia a dia, dentro do método bullet journal.

Se antes eu já acreditava que o bujo era o ideal para mim, tenho ainda mais certeza disso agora e estou animada para usar o método de forma mais minimalista, sem muitas decorações e modelos mirabolantes, embora que não abra mão de usar marca textos e goste de colocar um adesivo aqui e ali. E as reflexões proporcionadas pela leitura, embora tratem de conceitos que eu conheço e uso no meu dia a dia, me trouxeram novas ideias e novos jeitos de aplicá-los.

Quem aí se animou para usar um bujo ano que vem? Ou para ler o livro? Mesmo que você não tenha interesse no método, prefira usar planner, agenda ou algum aplicativo, eu ainda recomendo muito essa leitura, porque vai muito além de uma simples explicação do método.

Até mais,

Juliana Sales.

7 comentários sobre “O Método Bullet Journal, Ryder Carroll – parte 2

  1. Interessante. É sempre produtivo conhecer novos métodos, como eu comentei no primeiro post sobre bujo, não sei se me adaptaria a ele, entretanto fiquei com vontade de ler o livro que você indicou na postagem e pensar em usar um bujo em 2022 (2021 já tem um planer pronto) pois tenho a sensação que ele me ajudaria a observar melhor alguns hábitos e metas que podem ser alterados ou deixados de lado, substituídos por outras coisas mais produtivas.

    Abraços

    Curtido por 1 pessoa

  2. Tô amando estar aqui conferindo essa série de posts sobre o método Bullet Journal, sua linda! Confesso que ler aqui que para você a melhor parte será próxima me deixou bastante curiosa! Me dá até vontade de tentar (sou um fracasso!) rsrsr
    Gostaria até de adquirir o livro!
    Bela dica e até a próxima semana!
    Bjs

    Curtido por 1 pessoa

  3. Tenho vários pontos a destacar mas, no momento, tudo que eu quero-gostaria é de ver fotos do seu Bujo. rs
    Dito isso, gostei da abordagem a respeito da rotina e imperfeição. Eu vivia reclamando de rotinas até perceber que preciso dela para ser quem sou. Acho que eu já disse isso aqui. Só não sei se mencionei que foi um grande susto par mim concluir

    Curtido por 1 pessoa

  4. Tenho vários pontos a destacar mas, no momento, tudo que eu quero-gostaria é de ver fotos do seu Bujo. rs
    Dito isso, gostei da abordagem a respeito da rotina e imperfeição. Eu vivia reclamando de rotinas até perceber que preciso dela para ser quem sou. Acho que eu já disse isso aqui. Só não sei se mencionei que foi um grande susto para mim concluir que precisava de rotina. rs
    Quando a imperfeição… porque sempre me incomodou essa coisa de atingir a perfeição. Não gosto de coisas perfeitas e acho que tudo precisa ser imperfeito. E fracassar me fez aprender muito mais que o sucesso que me levou a estabilizar e me deixou exausta. rs
    Aprendi a perder e a fracassar numa mesma época e isso me facilitou bastantes a construção da pessoa que sou.

    Curtido por 1 pessoa

    • Pois te dou os parabéns Lunna, porque eu até hoje não aprendi a fracassar e sei que deveria lidar com isso, porque me causa estresse e sofrimento desnecessários. A questão da perfeição foi um pouco mais fácil de entender e lidar, felizmente.
      E vou ver se posto umas fotos do meu bujo lá no Instagram! rs

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s