O aspecto psicológico da produtividade

Um dos assuntos mais frequentes no blog é a apresentação de métodos e ferramentas de produtividade e organização. E eu já disse também que esse talvez seja meu assunto preferido, mostrar de forma prática o que você pode fazer para ser mais organizado e produtivo, apresentar aplicativos e metodologias, falar sobre como se planejar, como criar uma rotina. Porém, existe todo um outro lado que precisa ser levado em conta: a questão da mentalidade. 

Esse post linkado fala bem sobre isso, sobre como melhorar a produtividade e ser mais organizado vai além de métodos e técnicas, requer também uma mudança na forma como pensamos e como enxergamos o mundo e o nosso dia a dia e, por consequência, na forma como nos comportamos. É, como eu disse no título, o lado psicológico da produtividade. E por psicológico eu quero dizer tanto comportamental quanto cognitivo. Tem um pouco a ver, também, com a questão do desenvolvimento pessoal, até porque dentro das áreas contempladas por essa temática temos a produtividade pessoal.

Sendo assim, são vários os aspectos relacionados a esse universo que tem um viés comportamental/cognitivo. Vamos falar de alguns deles nesse post. Uma das causas mais comuns da procrastinação e, por consequência, da baixa produtividade é a falta de motivação. Existem diversos estudos e pesquisa sobre como manter-se motivado, já que sem motivação pode ser difícil ter o ânimo necessária para agir, executar, trabalhar e produzir. A motivação tanto pode ter a ver com um estímulo que nos anima a fazer alguma coisa quanto com a força de vontade para fazer algo que não queremos, mas precisamos ou algo chato/difícil mas que trará recompensas futuras. 

É um aspecto da produtividade 100% relacionado à mentalidade, já que envolve os motivos que influenciam nosso comportamento no sentido de fazer ou não alguma tarefa ou atividade. Hábitos e motivação também estão relacionados: é necessária uma motivação inicial para começar um hábito e a consolidação de um hábito permite que mesmo com a falta de motivação realizemos certas ações, já que elas são feitas no automático justamente por já terem se tornado hábitos. 

notebbok caneca cadernno gaveta cactos sobre uma mesa com planta ao fundoFoto de Gabrielle Henderson em Unsplash

Hábitos e motivação se complementam, agindo cada um em um momento específico. E eu ainda acrescentaria um terceiro fator que tem tudo a ver com essa conversa: disciplina. Acredito que a disciplina deve entrar em cena quando a motivação falha. Você sabe que precisa fazer alguma coisa, mas falta força de vontade e motivação. Aí é que a disciplina é necessária, quando você faz o que não quer fazer mas sabe que é necessário que seja feito.

Motivação, hábitos e disciplina são componentes do comportamento humano e são muito estudados para que seus processos sejam entendidos. E assim como a produtividade em si, não são características definitivas de personalidade, no sentido de dizer que “fulano é disciplinado, ciclano não é.” Diversas pesquisas apontam que disciplina é algo que pode ser treinando e desenvolvido. Você não precisa ser uma pessoa disciplinada e sim estar disciplinado em momentos específicos, quando for necessário.

Vamos dizer que você está tentando ser uma pessoa mais produtiva e para isso está tentando incluir no seu dia a dia coisas como usar uma caixa de entrada, checar sua agenda/calendário ou planejar o dia seguinte no dia anterior. Todas essas atitudes contribuem para a melhoria da produtividade, mas apenas se feitas de forma consistente. Você começa com a motivação, o desejo de ser mais produtivo. Em determinado momento, a motivação falha e você recorre à força de vontade e, quando essa também falha, à disciplina. Então com o seu esforço, que combina motivação, força de vontade e disciplina em diferentes doses ao longo do tempo, aquela atitude se consolida em um hábito e você passa a fazer de forma automática. Eu acho esse processo incrível e vejo que quando observamos nosso comportamento e tentamos compreendê-lo, começamos a lidar melhor não só com a questão da produtividade mas com a vida em geral.

Outro ponto onde produtividade e psicologia se encontram é quando falamos de transtornos como ansiedade e depressão. Posso falar de ansiedade com certo conhecimento de causa e por experiência própria e o que eu acredito é que a busca pela produtividade pode fazer bem ou mal dependendo da forma como essa busca é feita. Eu já falei em um post aqui no blog sobre rotina, controle e produtividade: para alguém ansiosa como eu, certos aspectos da produtividade como o planejamento e criação de uma rotina trazem uma sensação de controle extremamente benéfica e que ajuda a lidar com a ansiedade de forma mais tranquila. No entanto, para outras pessoas pode acontecer o oposto.

cadernos caneta e placa girl bossFoto de Nicola Styles em Unsplash

A necessidade de se planejar e manter tudo sob controle pode acabar trazendo uma ansiedade ainda maior. Isso sem falar na cobrança por ser produtivo, pela alta performance, que eu considero muito prejudicial e acho que pode inclusive sabotar nossa produtividade em vez de melhorá-la, além de trazer problemas de saúde, não só mental mas também física. No último post, da série Conceitos Básicos onde falamos sobre produtividade, eu reforcei que não é essa produtividade que eu busco e compartilho. E quem me acompanha já percebeu que eu repito isso sempre que possível e nesse post não seria diferente. Não adianta ser produtivo às custas da sua saúde mental.

E aqui podemos falar também da auto cobrança, que existe muito em função do que a sociedade parece exigir. Buscar produtividade a qualquer custo, querer ser organizado o tempo todo é humanamente impossível. Mas essa cobrança existe e se não tomarmos cuidado começamos a nos cobrar dessa forma sem sequer perceber e agir de modo a suprir essa cobrança: é quando pulamos a hora do almoço para render mais no trabalho; quando nos sentimos culpados por estar descansando; quando dizemos sim para mais uma tarefa, aceitamos mais um compromisso, mesmo não tendo tempo e energia suficiente para isso.

A própria procrastinação, tão comumente apontada como um dos grandes vilões da produtividade, tem na raiz de suas causas alguns fatores psicológicos: medo de fracassar, perfeccionismo, indecisão. No post linkado eu falo um pouco mais sobre isso e existem alguns outros posts aqui no blog sobre procrastinação.

A ideia desse post surgiu depois de uma conversa com uma cliente e amiga pessoal que começou a busca para melhorar sua produtividade atrás de um bom aplicativo e de um bom método, até entender que os critérios para essa escolha envolvem autoconhecimento e desenvolvimento de uma nova mentalidade, de uma nova forma de lidar com seu dia a dia. Como eu disse no início do texto, produtividade vai muito além de ferramentas e técnicas. E antes de terminar, acho bom deixar claro que eu falei de psicologia como leiga, não tenho nenhum conhecimento técnico no assunto, apenas leio sobre isso por interesse próprio e por ser um tema que se entrelaça à questão de produtividade, que é o foco por aqui. Então se eu falei alguma besteira, psicólogos que me lerem, por favor expliquem da forma correta o que quer que eu tenha falado de errado.  E lembrando também que em casos de ansiedade e depressão, uma ajuda profissional é mais que bem vinda, ninguém precisa lidar com isso sozinho.

Até mais,

Juliana Sales.

 

2 comentários sobre “O aspecto psicológico da produtividade

  1. Acho que o mais complicado é a questão do auto-conhecimento, a realidade tende a nos afastar de nós mesmos, aos poucos. E, as vezes, quando damos por nós, estamos tão longe, que percorrer o caminho de volta é desanimador. Passamos a empurrar as coisas, os dias e repetimos a famosa frase do filme e o vento levou:

    “Tara, meu lar. Irei para o meu lar e pensarei numa forma de tê-lo de volta! Afinal, amanhã é um novo dia!”

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  2. Gostei de você linkar o assunto Psicologia e organização e ambas tem muito mais haver do que se imagina… Quando a pessoa é mais organizada a saude mental da pessoa melhora mais do que deixar tudo uma bagunça.

    Curtido por 1 pessoa

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