E quando suas metas e suas atividades diárias não estão alinhadas?

Eu falo bastante sobre metas por aqui, afinal de contas – no meu entendimento – uma vida produtiva, dentre outras coisas, é também aquela onde você alcança suas metas. Porque produtividade é em boa parte sobre resultados e a busca da produtividade apenas para fazer mais coisas me parece um pouco sem sentido se essas coisas não te levam para lugar nenhum.

Como eu já disse uma vez, todo mundo tem metas. Em um sentido mais amplo, todo mundo tem coisas que deseja ter, ser ou fazer. Esses desejos, esses sonhos, são o ponto de partida para a criação de nossas metas. E existem algumas coisas que nos ajudam a realizar metas. Por exemplo, traçá-las de uma forma específica, conforme recomendado pela metodologia SMART que, em sua essência, mostra como transformar metas abstratas em objetivos concretos.

Outra coisa que ajuda é trazer nossas metas para a realidade, no sentido de traduzi-las em projetos, compostos por ações a serem realizadas no nosso dia a dia. Eu falo mais sobre isso no post linkado ali, mas trata-se de uma fórmula simples, o que não quer dizer que seja fácil de colocar em prática. A ideia é criar um projeto com etapas, cronogramas e todo o planejamento necessário para permitir a realização de um passo a passo para chegar ao resultado final representado por sua meta/objetivo.

Mas, como eu disse, não é tão fácil assim. A realidade é que muitas vezes nossas ações e atividades diárias estão de um lado e nossas metas estão de outro, há uma lacuna. Isso por que essas duas situações estão desalinhadas e assim não conseguimos trabalhar diariamente em nossas metas. São várias as razões que levam a essa situação, mas elas podem ser generalizadas em dois motivos principais: conflito de prioridades e falta de um plano realista. Vamos falar mais sobre isso.

Todo mundo sabe o que é prioridade. É aquilo que é mais importante e, portanto, deve ser escolhido primeiro e deve receber maior atenção. Há quem diga que nós não definimos prioridades, nos as descobrimos. Isso não importa tanto já que a percepção de o que é prioridade é pessoal e baseada em critérios individuais. O problema realmente é não saber com clareza o que é prioritário ou então não tratar o que é prioridade com tal.

notebook anotacoes caderno cafe oculosFoto de Thought Catalog em Unsplash

Outro problema é que a dificuldade em “priorizar as prioridades” pode fazer com que tenhamos várias delas, perdendo todo o sentido da palavra priorizar. Quem tem dez prioridades não tem nenhuma. Mas a realidade sempre vem nos mostrar que as coisas não são tão simples. Os papéis que temos na vida e as responsabilidades que assumimos podem fazer com que realmente tenhamos mais de uma prioridade. E não bastasse isso causar uma divisão dos nossos recursos (tempo, energia, atenção), fica ainda pior quando essas prioridades são conflitantes entre si.

A sua vontade de priorizar sua carreira pode conflitar, ao menos por algum tempo, com a vontade de ter filhos. O desejo de viajar e conhecer o mundo não pode ser conciliado com a ideia de investir para adquirir estabilidade financeira. E vivemos o tempo todo nos deparando com situações como essas, onde duas coisas importantes para nós, que consideramos prioritárias, se mostram excludentes. 

Essa questão de prioridades concorrentes pode ser bem complicada e eu acredito que para lidar com isso precisamos de consciência e planejamento. A consciência é desenvolver uma mentalidade no sentido que eu sempre falo aqui de entender que nós nunca vamos dar conta de fazer tudo que queremos e precisamos aprender a lidar com isso. Não dá pra criar mais tempo, criar mais horas no dia. Na verdade, até dá pra fazer tudo sim, mas não ao mesmo tempo. Daí vem a consciência de que, se duas coisas são prioritárias para mim, mas elas “brigam” entre si, inevitavelmente uma delas terá que ser escolhida e a outra vai ficar para depois. E é preciso ficar bem com isso.

O planejamento vem justamente para organizar a realização dessas duas coisas, qual virá primeiro e qual virá depois. Muitas vezes precisamos começar a criar hoje a situação que nos permitirá nos dedicar depois às nossas prioridades com mais tranquilidade. E, às vezes, ao parar pra pensar no planejamento podemos até perceber que essas tais prioridades que achávamos ser concorrentes na verdade não são. Acontece muito de gastarmos tempo com coisas menos importantes enquanto lutamos para conseguir encaixar nossas prioridades no tempo que resta. E na verdade deveria ser o contrário, direcionar o tempo (e energia) primeiro para o que é prioridade e depois, com o tempo que sobra, fazer o resto. E quando eu falo de “resto” ou de coisas menos importantes, não estou falando de descanso, viu? É bom lembrar que aqui nesse blog somos contra a cultura do “trabalhe enquanto eles dormem”, a não ser que você queira acabar com a sua saúde (física e mental) e sua qualidade de vida. 

Às vezes também acontece de dedicarmos nosso tempo – até sem perceber – às prioridades dos outros e não as nossas. Isso tem a ver com falta de clareza de prioridades, mas também com falta de organização e falta de planejamento. Quando temos bem definido o que é prioritário e paramos para organizar nossas tarefas e planejar o uso do tempo percebemos com mais facilidade quanto de nosso tempo estamos gastando com as prioridades das outras pessoas. E é aí que precisamos aprender a dizer não. Não que não se deva ajudar ninguém e nem faltar com nossas responsabilidades. É mais uma questão de estabelecer limites.

folha com planejamento de uma meta e algumas canetasFoto de Isaac Smith em Unsplash

Há também algumas pessoas que não fazem planos, porque não acham que seja importante ou porque dizem não gostar. Outras até se planejam, mas são planos de alguma forma distantes da realidade, que não funcionam ou que vão por água abaixo diante do primeiro obstáculo ou imprevisto. Em ambos os casos eu vejo a mesma situação: falta de entendimento do que é e como deve ser feito um bom planejamento (bom = que funciona). 

Eu já falei rapidamente disso por aqui em diversos posts e devo falar de forma um pouco mais aprofundada em um dos futuros posts da série Conceitos Básicos, quando falarmos de planejamento. Mas, essencialmente, um planejamento que funciona deve ser flexível. Ele deve guiar suas ações e decisões, mas não deve prendê-lo em uma estrutura rígida. A estrutura do planejamento deve ser um apoio e não uma prisão. Deve ser capaz de abrigar imprevistos e não desmoronar quando eles acontecem. Um bom planejamento, aliás, te dá tranquilidade para lidar com imprevistos impactando o mínimo possível suas intenções planejadas.

Planejamento também, nessa situação, se trata de criar projetos cujos resultados realizam ou contribuem para a realização das suas metas. E esses projetos devem incluir um cronograma, com datas e prazos, informação sobre os recursos necessários e, principalmente, detalhamento de todas as etapas e ações necessárias para se chegar ao resultado final, incluindo recursos a serem obtidos, tempo necessário e possibilidades de delegação. Tudo isso é um face do planejamento, aplicado à execução de projetos.

A falta de planejamento também pode se refletir no aparecimento da procrastinação, quando adiamos continuamente o que queremos fazer por ficarmos esperando a situação ideal: deixamos sempre pra depois, pra quando tivermos tempo, quando tivermos dinheiro suficiente, quando aprendermos o que precisamos aprender. Mas, se você pensa assim, o que está fazendo para alcançar essa “situação ideal”? O que está fazendo para conseguir ter mais tempo ou mais dinheiro ou adquirir o conhecimento que precisa? Que tal se planejar para conseguir atingir essa situação? 

Só tome cuidado para que o planejamento não caia também na armadilha da procrastinação. Isso porque, às vezes, essa busca da situação ideal é um disfarce para um perfeccionismo que nos paralisa em vez de nos levar a tentar fazer cada vez melhor. O perfeccionismo pode ser bom quando te impulsiona a fazer o melhor possível, mas é um vilão quando te faz desejar uma perfeição que não existe. E essa idealização pode ser tanto causa quanto consequência do medo de fracassar, eu já falei bastante sobre isso por aqui em posts sobre procrastinação. Se você sabe que te falta algum recurso (tempo, dinheiro, conhecimento) para alcançar sua meta, o planejamento também te ajuda a enxergar e criar formas para obter esses recursos.

Não podemos esquecer que existem situações em que de fato nos desconectamos de nossas metas e elas ficam estagnadas, seja por problemas internos ou situações externas (a pandemia que o diga), mas acho que essa reflexão do post de hoje é sempre válida, porque tudo bem passarmos por momentos assim, mas viver a vida inteira com suas metas apenas escritas em um papel esquecido no fundo de uma gaveta não é legal. Como é isso pra você, hoje? E o que você acha que dá pra fazer para mudar?

Até mais,

Juliana Sales

2 comentários sobre “E quando suas metas e suas atividades diárias não estão alinhadas?

  1. Caramba, que bela “sacudida” foi seu post!
    Tenho me sentido bem perdida ultimamente, planejando uma coisa que no final não condiz com a meta digamos “geral” que eu havia definido lá no início; mas também não sei se isso é reflexo de traumas de outras metas, mais antigas, que eu havia traçado e das atividades para conquistar tais metas que não deram em nada. Enfim, sei que tenho que trabalhar mais isso, e seu post me deu aquele empurrãozinho aqui. Obrigada ❤
    Abraços e excelente final de semana.

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  2. LI e reli e agora preciso de ar… como já comentei com você, a pandemia bagunçou as minhas metas e eu fui obrigada a repensar muitas coisas. Saiu tudo dos trilhos e eu fui me reinventando, mas sem planejar nada porque não via como. Nesse Agosto estou tentando pensar 2022, mas confesso que não estou em paz com isso. Estou vivendo mensalmente. Vendo como as coisas se resolvem. Por enquanto estou no curto prazo (e odeio isso). Não sei existir dentro das coisas breves, sabe? Sou a que sempre fez planos-projetos com a certeza de que preciso de tempo para acontecer.
    Enfim, mas é o que temos para esse louco 20-21 e talvez 22 também.

    Curtido por 1 pessoa

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