Organize seu conhecimento: conheça o conceito de “Segundo Cérebro”

Vocês que costumam me acompanhar por aqui já devem saber que eu leio e pesquiso bastante sobre produtividade e organização; acima de tudo é um assunto que eu gosto e me interesso. Então estou sempre descobrindo coisas novas, técnicas, ferramentas, teorias e metodologias. Desde que eu me deparei com o conceito de “segundo cérebro“, quando conheci o método PARA, senti um interesse imediato pelo assunto. Inicialmente eu associei o conceito com a ideia de materiais de referência do GTD. Mas me parece que vai além disso, porque o Tiago Forte (criador do PARA e do conceito de segundo cérebro) não fala apenas de armazenar informações importantes, mas armazená-las de uma forma que permita de fato que o conhecimento que você acessa/adquire/acumula seja transformado em “alguma coisa”, seja aplicado, colocado em uso.

Eu não tenho o conhecimento completo sobre o assunto, já que não fiz o curso do Tiago, mas consumi todo o conteúdo gratuito dele, além de pesquisar outras pessoas que falam sobre o tema, apresentando sua própria versão (que é mais ou menos o que estou fazendo aqui) e pesquisei também temas relacionados, como gestão de conhecimento pessoal (PKM – Personal Knowledge Management).

O Tiago fala uma coisa interessante em um dos artigos dele, que um segundo cérebro não é algo que você tem ou não tem. Ele é um sistema para gerenciar seu conhecimento e, de uma forma ou de outra, todos nós fazemos isso, já que estamos constantemente capturando, organizando e expressando informação e conhecimento. Estamos o tempo todo expostos a uma enxurrada de informações (excesso de informação) e, ainda que de um modo instintivo, usamos uma forma de segundo cérebro sempre que acessamos nosso e-mail, lemos um livro, ouvimos um podcast, estudamos alguma coisa e depois usamos a informação obtida em algum momento futuro. Por isso, pode-se dizer que a construção do segundo cérebro é, na verdade, a estruturação e organização de um processo já existente.

Eu parti do princípio, então, de que o meu segundo cérebro seria um repositório de conhecimento, no sentido de armazenar aprendizados relacionados aos diversos temas do meu interesse, em termos profissionais e pessoais, que vão desde organização e produtividade, até astrologia e espiritualidade, passando por marketing, desenvolvimento pessoal e empreendedorismo. Isso se parece com um arquivo de referência não é? Mas o detalhe a mais é que a organização dessas informações é só o começo. O segundo cérebro, na verdade, é um verdadeiro processo de gestão do conhecimento, que segundo o Tiago tem 4 níveis. De forma geral, nos dois primeiros você apenas consome informação; nos dois últimos a informação se torna de fato conhecimento, sendo colocada em prática e compartilhada de forma útil com outras pessoas. 

notebook comFoto de sgcdesignco em Unsplash

Então, depois de toda a teoria, de estudar e entender melhor sobre o assunto, o passo seguinte foi escolher quais ferramentas/aplicativos usar e também que tipo de conteúdo seria armazenado. Em termos de arquivos mantive o que eu já uso para backup, Google Drive e One Drive, que é onde eu armazeno arquivos, fotos, vídeos. Outro tipo de conteúdo são coisas que eu leio na internet e salvo e anotações que eu mesma faço. Para esses, eu escolhi o Evernote. E foi uma escolha curiosa porque eu tentei usá-lo algumas vezes antes e não me adaptei. Usei o Notion por um tempo, mudei para o OneNote e calhou de o momento que eu comecei a pesquisar sobre segundo cérebro ser quando eu estava mais uma vez testando o Evernote e, dessa vez, me encontrando na ferramenta.

Essencialmente, meu segundo cérebro é composto por arquivos e notas. Meus arquivos já são organizados, em função de eu já ter o hábito de fazer backup e também de já ter criado um padrão de classificação. Mas para evoluir no caminho do PKM eu precisava organizar melhor as notas. Anotações feitas por mim durante a leitura de um livro, com ideias e inspirações tiradas de textos e artigos ou fazendo um curso, assistindo um webinar, ouvindo um podcast. E uso também a ferramenta de captura do Evernote para capturar página completas. Sei que o Evernote permite também que arquivos em PDF, por exemplo, sejam salvos. Mas nesse caso prefiro o Google Drive, que já uso como ferramenta de backup.

Escolhida a ferramenta, a próxima etapa foi definir a estrutura de arquivamento, ou seja, como as informações seriam classificadas e organizadas. No post sobre organização de arquivos digitais, eu falei rapidamente do conceito de taxonomia pessoal, que nada mais é que a estrutura de classificação e categorização das informações e assuntos que são importantes para você. Eu criei a minha já tem um tempo e uso para organizar meus arquivos no computador e no nos drives. Nada mais lógico que seguir essa mesma estrutura no Evernote. Porém, depois de fazer dessa forma e testar por um tempo, senti necessidade de uma classificação extra. Criei então 2 grandes  categorias: Arquivos de Referência e By Me. Relevem os nomes toscos, mas eles são totalmente explicativos para mim. Arquivos de Referência se trata de conteúdo de outras pessoas e contém principalmente artigos e textos de blog e sites em geral, que eu guardo para consulta futura.  By Me contém coisas criadas por mim, que eu escrevi, desde textos completos, até anotações de estudos, ideias e reflexões, etc. 

gestao conhecimento segundo cerebro post blog produtivamenteFoto de Campaign Creators em Unsplash

Dentro dessas categorias, existem as divisões da minha taxonomia pessoal. Para quem conhece a estrutura do Evernote, eu tenho 2 pilhas de cadernos: Arquivos de  Referência e By Me. Em cada pilha tenho os cadernos seguindo a taxonomia pessoal. Existem ainda dois cadernos extras, fora das pilhas: Caixa de entrada, com a função já conhecida e Em espera, para o que já tinha armazenado/salvo e ainda não coloquei segundo a classificação nova. É algo que estou fazendo aos poucos. Parece complicado, mas é super simples, quase que instantaneamente eu sei onde salvar uma informação nova e levo menos de 2 minutos para encontrar alguma coisa.

Esse início é um processo – trabalhoso, mas muito fácil – de revisar e reorganizar as coisas que eu já tenho armazenadas. E, claro, sempre adicionar informações e conteúdo novo no lugar adequado. A partir daí é que vem a função essencial do segundo cérebro, que é facilitar seu acesso ao conhecimento que você adquire, além de permitir que você faça conexões e relações entre os mais diversos assuntos que a primeira vista parecem não ter nada a ver um com o outro, sem falar que não se perde mais nenhuma ideia, inspiração ou reflexão, já que sabe onde tudo está. E ter essa visão ampla e integrada dos assuntos de fato permite com que as informações fluam de forma mais completa, criando conexões novas e diferentes.

Eu, como vocês devem imaginar, sempre mantive bem organizados meus arquivos, projetos, ideias – informações digitais em geral. Mas essa nova de forma de enxergar essa organização e a percepção de que conhecimento não é algo sólido e compartimentando, mas mutável e interligado tem feito uma boa diferença no meu dia a dia. Tenho sentido mais facilidade de aprender, de consultar informações e de criar ideias novas e isso também aumenta a vontade de compartilhar e faz com que eu me sinta mais criativa. 

Vale ressaltar que o principal do segundo cérebro não é só organizar seu conhecimento e suas informações, mas sim organizar de forma a facilitar o acesso e a criação de conexões, de novas ideias e de soluções para problemas. É deixar de consumir informações passivamente e de engavetar o seu conhecimento em um canto qualquer, para consumir e aprender de forma mais consciente e compartilhar esse conhecimento e colocá-lo em prática. Isso faz sentido para você? Se sim, talvez esteja na hora de começar a pensar em também construir o seu segundo cérebro.

Até mais,

Juliana Sales

2 comentários sobre “Organize seu conhecimento: conheça o conceito de “Segundo Cérebro”

  1. Eu já tinha escutado no conceito de segundo cérebro, mas pra mim parecia uma caixa de entrada, sabe? Depois de ler esse post ficou tudo muito mais claro.

    Em geral, eu guardo minhas informações e referências em 3 lugares diferentes: Google Drive, Trello e Notion. Cada ferramenta tem um propósito, e eu sempre sei onde achar o que preciso, além de fazer relações bacanas com as informações, então acho que tem dado certo.

    Adorei o post!

    Curtido por 1 pessoa

    • Vitória, a ideia do segundo cérebro realmente vai bem além do conceito de caixa de entrada, que bom que o post serviu para te esclarecer sobre o assunto. E o legal é que pelo que você descreve, mesmo sem conhecer o conceito real você já aplica a proposta no seu dia a dia, e é isso que importa!

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