Detox digital: por uma relação mais saudável com a tecnologia

Há um tempo atrás eu fiz um post sobre tecnologia e produtividade, no qual eu disse que essa correlação era um dos temas que mais me interessava dentro da área de produtividade pessoal, principalmente porque a tecnologia é parte intrínseca da nossa vida e é praticamente impossível abrir mão dela; e mesmo que fosse possível eu não acredito que seria uma boa ideia.

Isso porque a tecnologia de forma geral, se bem usada, facilita muito nossa vida: a internet, por exemplo, é uma ferramenta indiscutivelmente útil para se comunicar, aprender, se divertir e muito mais. O ponto não é a tecnologia em si, e sim o uso que fazemos dela.

Naquele mesmo post eu falei sobre o conceito de detox digital: um processo no qual avaliamos nossa relação diária com a tecnologia e redefinimos a forma como a usamos, eliminando o que nos prejudica e potencializando o que traz benefícios. Ou seja, nos livrando de tudo que é inútil e aproveitando melhor o que tem valor e faz bem.

Na época em que escrevi aquele texto, eu me propus a fazer esse processo de detox. Eu nem acho que minha relação com a tecnologia seja muito problemática, mas sempre há algo que se pode melhorar, não é? Além disso, pensei que seria uma boa experiência para compartilhar por aqui.

Mas aí veio o corona vírus, a necessidade de ficar em casa e toda uma mudança na nossa relação com o online. Para muitos, a comunicação via internet deixou de ser uma escolha e passou a ser a única opção. Eu mesma, só tenho conversado com meus amigos dessa forma desde março. Se não fosse a tecnologia, eu não poderia manter esse contato. Então, como avaliar com clareza minha relação com a tecnologia quando eu estava usando-a mais do que nunca?

Então, o momento em que eu tinha intenção de fazer esse detox digital coincidiu com o momento em que a grande maioria das pessoas passou a estar online muito mais do que antes: para trabalhar, para estudar, para comprar, para se comunicar, para se divertir. Como fazer esse processo se todos pareciam estar ainda mais dependentes da tecnologia?

mesa com notebook computador celular tablet

Foto de Domenico Loia em Unsplash

Nesse contexto, aconteceu algo muito compreensível e de fácil explicação: o cansaço mental por conta do uso excessivo de tecnologia. Eu até compartilhei um texto sobre isso na fanpage do blog tem um tempinho. É uma situação até previsível, considerando que, como a necessidade do uso da internet aumentou, logo todo mundo passou a usar muito mais e a consequência óbvia é a saturação, afinal nada em excesso faz bem. Mas como fugir dessa situação, sendo que a necessidade intensa do uso da internet ainda permanece? Eu ainda estou em casa (e espero que vocês também possam estar e estejam), então não posso simplesmente abrir mão do online, apesar de me sentir cansada.

É preciso dizer que eu trabalho home office já há um bom tempo, então eu já tenho o hábito de trabalhar grande parte do meu tempo usando a internet. Mas de uma hora para outra, eu encerrava o expediente e continuava online para fazer outras coisas que eu normalmente faria offline: conversar com amigos, me distrair, fazer compras. Como manter esse uso necessário mas sem me sentir tão cansada? A resposta: detox digital.

Esse post então é para contar como está sendo processo, como eu tenho buscado formas de lidar melhor com a tecnologia já que agora parece ainda mais impossível abrir mão dela ou mesmo diminuir o uso. É um apanhado geral de atitudes que eu já tinha ou que passei a ter para gerenciar melhor a forma como a tecnologia, especialmente a internet, faz parte da minha vida.

Começando como algumas coisas que eu já faço há um bom tempo. A primeira, e que eu já falei sobre algumas vezes: desativar notificações. A maiorias das pessoas não percebe o quão dependente é das notificações de novas mensagens e o quanto isso toma tempo. Até pouco tempo atrás, apenas as notificações do meu whatsapp ficavam ativadas e atualmente elas estão desabilitadas também. Como eu já expliquei aqui, tenho blocos de respostas, que são momentos que eu tiro ao longo do dia apenas para responder e-mails e mensagens. São blocos de mais ou menos 20 minutos, de 2 a 3 vezes por dia. Claro que não é algo inflexível. Às vezes passo um bom tempo trocando mensagens com amigos e familiares, se eu sentir vontade ou se alguém precisar conversar. Mas não é o padrão.

Isso é especialmente importante considerando que o volume de mensagens aumentou muito, já que hoje é a principal forma de comunicação. E, a bem da verdade, a maioria dessas mensagens não me agregavam em nada. Claro que eu ainda converso praticamente todos os dias com alguns amigos e respondo diariamente mensagens de trabalho, mas o foco é esse. Percebem? Eu uso as ferramentas de comunicação (seja e-mails ou mensagens) para fazer o que é importante pra mim: conversar com amigos que não posso ver pessoalmente e resolver coisas de trabalho. Sabe aqueles grupos com pessoas que você mal conversa ou que são só de assuntos pouco importantes? Dou uma olhada rápida uma vez por semana e só.

Aqui também entra a questão do volume de informação consumida. Com a situação atual é normal querer se manter informado, mas você não precisa ler 10 sites de notícias para isso e nem verificar as novidades de hora em hora. Cuidado com o excesso de informação. Selecione bem suas fontes. Eu verifico as notícias apenas uma vez por dia e me atenho a 1 ou 2 sites e alguns poucos perfis específicos nas redes sociais.

mesa de trabalho notebook tablet celular cade fone

Foto por Pixabay em pexels.com

Ainda relacionado a isso, em certo momento da quarentena eu entrei em uma onda de fazer mil e um cursos online, assistir todos os workshops disponíveis, participar de várias vídeo conferências com amigos. Resultado: além não dar conta, fiquei cansada. A dica é a mesma: selecione o que vai consumir. Não se sobrecarregue. Ainda continuo com meus cursos, mas só começo um novo quando termino o anterior. Seleciono os workshops e lives que vou assistir, não preciso ver tudo. E apesar de adorar conversar com meus amigos, não faço mais “encontros virtuais” em sequência. E o mesmo vale para reuniões de trabalho: se presenciais já tendem a ser cansativas, online podem ser ainda mais desgastantes, especialmente para quem não tinha esse hábito.

Outra coisa que eu tenho buscado é ter momentos offline. Antes da pandemia, vi várias recomendações de especialistas sobre tirar um dia da semana para ficar totalmente longe das telas. Não ligar o computador, deixar o celular guardado, não assistir nem TV. Na situação atual não sei se isso seria possível ou mesmo recomendado, mas é sempre bom ter pelo menos alguns momentos assim.

O que eu tenho buscado é mudar a forma como eu faço algumas coisas, para conseguir esses momentos offline. Por exemplo, tem feito mais chamadas de voz com meus amigos, no lugar das ligações de vídeo. Assim, posso colocar o fone de ouvido e conversar enquanto estou na varanda olhando pra rua e tomando um chá, por exemplo. É mais agradável e menos cansativo. Também tenho buscado ler menos e-books e mais livros físicos. Eu sempre gostei mais de livros físicos mesmo, mas me rendi aos e-books pela praticidade. Porém, para descansar os olhos das telas, voltei para os livros físicos e tem sido muito bom. Outra coisa que estou querendo é comprar aqueles jogos antigos de tabuleiro: jogo da vida, war, banco imobiliário, detetive. Quem lembra? Eu jogava muito quando era criança e acho que é uma ótima opção de diversão offline. Tenho pensado em comprar quebra-cabeças também.

Outras dicas simples que podem ajudar:

  • evite usar o celular assim que acorda.
  • reduza o número de aplicativos. Muitas vezes temos vários aplicativos para a mesma função, o que é desnecessário.
  • ajuste as configurações de brilho da tela do celular/computador para forçar menos os olhos.
  • desinstale programas e aplicativos que não são usados.
  • na hora das refeições, deixe o telefone de lado. Se você tem companhia, aproveite a presença das pessoas.
  • estipule um limite de tempo para as redes sociais e jogos online.

Para terminar, a reflexão é uma só: todas essas dicas tem o objetivo único de permitir que você gerencie a forma como usa a tecnologia, tendo consciência de quanto tempo permanece online e fazendo o quê. Ter essa consciência é que faz com que você consiga usar de forma saudável e equilibrada, para ajudar e trazer benefícios e não te deixar mais cansado e estressado.

Até mais,

Juliana Sales

 

Como lidar com uma pessoa desorganizada

Eu falo muito aqui sobre como a organização facilita nossa vida. E sobre o quanto perdemos por causa da desorganização: tempo, energia, paciência, motivação, oportunidades. A lista é longa. E de vez em quando eu recebo mensagens com uma questão muito relevante: o que fazer quando a pessoa desorganizada da história não é você?

É muito comum ver situações do tipo: “eu tento organizar minha casa, mas a organização não se mantém porque meu marido/esposa/filho são muito desorganizados” ou “não consigo me organizar no trabalho porque meus colegas/meu chefe não tem noção nenhuma de organização”. E eu sei bem como é isso, no meu primeiro emprego tive um chefe que era completamente desorganizado e a equipe inteira se virava do avesso para dar conta das demandas, o que era muito estressante e nem um pouco produtivo. Além disso, eu convivo de perto com uma pessoa que, se não é propriamente bagunceira, também não se importa com organização. E é sobre isso que vamos falar hoje.

A primeira questão a se dizer é que deve-se buscar entender porque a desorganização da pessoa te incomoda. É algo que de fato te prejudica e te atrapalha ou é um simples incômodo? Se for o segundo caso, infelizmente, não há nada que se possa fazer. Se não te afeta, é problema da pessoa, não seu. E eu sei que esse é um aprendizado difícil, alguém que ama organização como eu (e sabe dos seus benefícios) fica bem incomodado ao ver uma pessoa que não se importa com isso. Mas se não me afeta, não é problema meu.

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Sobre a importância do sono (+ dicas para dormir melhor)

Já há muito tempo a ciência tem estudado o sono, tanto para entender o seu funcionamento, como para descobrir como ele afeta o nosso dia a dia e a nossa vida. O sono tem um impacto direto em diversas funções biológicas importantes, desde consolidação do aprendizado e fortalecimento da memória até maior chance de problemas cardíacos, desenvolvimento de diabetes e queda da imunidade para quem não dorme o suficiente.

Uma coisa que precisamos saber é que não é possível compensar o sono perdido. Isso quer dizer que não é a mesma coisa você, por exemplo, dormir poucas horas durante a semana e tentar recuperar o sono perdido no fim de semana. É algo cientificamente comprovado por diversos estudos (como esse aqui). O ideal então, é dormir o suficiente todos os dias.

Também é importante dizer que não existe um padrão universal quanto ao número de horas de sono que precisamos ter todas as noites. Isso varia de pessoa para pessoa, há aquelas que precisam de mais horas e outras menos. Da mesma forma, o horário de sono, a melhor hora para dormir também varia e isso está diretamente ligado aos cronotipos. Já tem post sobre esse assunto por aqui, onde falo sobre como a cronobiologia (área da ciência que estuda os ritmos biológicos) e o conhecimento dos cronotipos e do seu ritmo biológico pode te ajudar a ser mais produtivo.

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Você odeia a segunda-feira?

Hoje é quarta-feira mas o post é pra falar de um outro dia da semana: a temida (ou não!) segunda-feira. Pense aí consigo mesmo: qual a sua relação com a segunda-feira? Boa parte das pessoas que eu conheço odeia as segundas e vive seus dias esperando pelas sextas. Por quê?

Muitos podem responder de imediato: porque eu trabalho de segunda a sexta e no final de semana tenho liberdade para fazer o que quiser. Ok, mas o seu trabalho é assim tão insuportável que você passa 5 dias por semana vivendo na espera do fim de semana chegar? Eu entendo isso um pouco como algo cultural, acho que existe um certo conceito de que o trabalho tem sempre um sentido de sofrimento, de uma coisa ruim que precisa ser enfrentada, de um “prisão” da qual você “se liberta” no fim de semana.

É claro que existem algumas situações a serem consideradas aqui. Acho que algumas pessoas tem sim um trabalho muito ruim, que lhes faz mal. E é totalmente compreensível que nesse contexto as pessoas anseiem pelos dias em que não há trabalho. E sei também que muitas vezes as pessoas não têm a possibilidade de mudar de trabalho e precisam suportar, talvez até por uma questão de sobrevivência. Nesse caso, ou você se planeja para, a longo prazo, não precisar mais se submeter a um trabalho que você odeia ou você encontra formas de tornar isso mais aceitável. Porque, vamos combinar, passar a maior parte dos seus dias desejando que eles andem rápido, não é algo legal e que pode, inclusive, te adoecer mental e fisicamente.

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Como vencer a falta de motivação para desenvolver um novo hábito

Recentemente uma amiga me indicou um livro dizendo que eu iria achar muito interessante: Mini Hábitos, de Stephen Guise. Eu ainda não li (farei assim que possível) mas como boa curiosa que sou fui pesquisar sobre. A sinopse do livro diz se tratar de um “guia prático sobre como criar estratégias para que pequenos hábitos tragam grandes resultados.” A ideia, pelo que entendi, é explicar como construir um mini hábito, que nada mais é do que uma pequena mudança no cotidiano, que não requer um esforço muito grande mas que mesmo assim traz resultados.

Como fiquei curiosa com o conceito de mini hábitos, resolvi dar uma pesquisada para entender melhor, e acabei encontrando um segundo livro que trata do mesmo assunto: Micro Hábitos, de B. J. Fogg. Eu achei a ideia interessante, então quis compartilhar aqui. O que ambos os autores argumentam é que é possível criar praticamente qualquer hábito começando com um esforço mínimo.

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