Produtividade e lazer

Produtividade e lazer. Essas duas palavras, que a princípio parecem ser quase antagônicas, podem sim se relacionar. Tanto de uma forma boa quanto de uma forma ruim. Quem costuma acompanhar meu conteúdo, já sabe que o conceito de produtividade que eu busco para minha vida e que também compartilho por aqui tem tudo a ver com equilíbrio.

Sem me estender muito sobre o assunto porque eu já falei muito disso em vários posts aqui: o conceito de produtividade que eu acredito não se restringe apenas as nossas obrigações, tais como trabalho ou estudo. Não tem nada a ver com trabalhar mais, com conseguir mais tempo para fazer mais coisas, com estar sempre ocupado. Muito pelo contrário. Produtividade para mim é sim ter mais tempo, e isso passa por fazer nossas obrigações de forma mais organizada e eficiente de modo a termos tempo para fazer todas as coisas que fazem parte das nossas vidas: praticar atividade física, dormir bem, estar com a família, encontrar com os amigos, praticar um hobbie, ter tempo para cuidar de si, ler, assistir uma série e por aí vai.

Essa é a relação boa entre produtividade e lazer. Entretanto, dela pode derivar uma situação um pouco problemática, onde passamos a falar em produtividade do lazer. Isso tem a ver com tentar ser “produtivo” (considerando o conceito – do qual eu discordo – de que ser produtivo é fazer mais coisas em menos tempo) até mesmo nos seus momentos de lazer.

O que me fez pensar nisso e me inspirou a escrever esse post foi um quadrinho/tirinha que eu vi esses tempos atrás e que falava justamente sobre esse tema. O quadrinho apresentava situações onde as pessoas querem “render mais” até mesmo em contextos que deveriam ser de lazer e relaxamento. Dá uma olhada na tirinha pra ver do que eu estou falando.

A imagem pode conter: texto que diz "SE EU LER NO INTERVALO DOS EXERCÍCIOS ACABO 0 LIVRO ANTES DAS QUATRO DUAS HORAS LIVRES. νου RENDER MAIS NO JOGO οU NA SÉRIE? 0 FILME TEM POUCO DIÁLOGO, ACHO QUE DÁ PRA MATAR UM PODCAST ENQUANTO VEJO A PRODUTIVIDADE DO LAZER É A PROVA CABAL DA VITÓRIA DO CAPITALISMO ALISMO BATI A META PDAM.COm.BR/LINHADOTREM"Quadrinho feito por Raphael Salimena

Vocês já sabem que eu sou uma grande defensora do planejamento e já falei algumas vezes aqui que podemos nos organizar para aproveitar melhor nossos momentos de lazer. E também já falei de como podemos aproveitar bem nosso tempo ao otimizar as coisas. Isso quer dizer que eu não vejo problema em ouvir um podcast enquanto faz atividade física ou assistir uma série enquanto se lava a louça, por exemplo. Mas a imagem acima mostra situações em que não se trata de otimização de tempo e sim de uma preocupação um pouco exagerada em ser produtivo mesmo em momentos que deveriam ser de relaxamento. Assim como eu falei no post de utopia de produtividade, a busca por ser mais produtivo pode se tornar tóxica.

E esse assunto pode ter vários aspectos a serem explorados. Há, por exemplo, quem procrastine até para fazer as coisas que gosta. Eu vejo muito pela internet a fora muita gente definindo metas de leitura, como ler uma quantidade x livros no ano ou um livro por mês e por aí vai.  E eu acho que, para algumas pessoas, definir essas metas ajuda a ter disciplina para desenvolver aquele hábito que, mesmo sendo algo que a pessoa gosta de fazer, ela ainda não consegue encaixar efetivamente na sua rotina. E isso eu acho muito válido, seja para livros, filmes, séries ou qualquer outra atividade que lhe agrade. Traçar essas metas pode sim funcionar como um incentivo.

O problema aparece quando a meta se torna mais importante do que a atividade em si. Ou seja, a pessoa fica mais preocupada em atingir a meta do que desfrutar da atividade que deveria ser prazerosa. Nesses casos o que era pra ser lazer pode até se tornar uma obrigação, no sentido de a pessoa ficar o tempo todo pensando em “eu preciso ler tantas páginas hoje para cumprir minha meta de leitura” ou “eu tenho que assistir esse filme ainda essa semana para conseguir completar minha lista de filmes. Você não “tem que” nada. Essas atividades devem ser sinônimo de momentos agradáveis, de relaxamento, não de cobranças.

Outra coisa que eu acredito que pode contribuir para esse sentimento de querer otimizar os momentos de lazer é o fato de muitas pessoas terem muito pouco tempo disponível para tais momentos. Imagine alguém que trabalha 8 horas por dia. Acrescente o tempo de ida e volta do trabalho (que poder ser bem significativo em grandes cidades) e mais o tempo de almoço. Essa pessoa passa a maior parte do dia na rua e só volta pra casa ao final do dia. Entretanto, a vida não deve ser só dormir-acordar-trabalhar-dormir. Então, a pessoa vai querer aproveitar ao máximo esse pouco tempo livre que ela tem e até aí tudo bem. Esse sentimento é válido. Mas como eu disse no parágrafo anterior só é preciso estar atento para que essa vontade de aproveitar melhor seu tempo livre não se transforme em obrigação e cobrança. 

Nesse sentido, às vezes, pode até surgir um sentimento de “disputa” com as pessoas com as quais você convive. “Como assim fulano já assistiu todos os episódios novos daquela série e eu ainda não? Eu preciso assistir também!”. Não você, não precisa. Você quer assistir porque gosta e isso não deve ser uma competição para ver quem assiste mais rápido ou quem assiste mais filmes/séries, quem lê mais livros, quem tem mais hobbies.

produtividade lazer post blog produtivamenteFoto de Sincerely Media em Unsplash

Essa situação apareceu um pouco no início da quarentena e do isolamento social, quando as pessoas ainda estavam se habituando com a situação. Pipocaram na internet textos sobre como você poderia “aproveitar” melhor esse momento. Parece que todo mundo iria sair da quarentena tendo lido 100 livros, assistido 100 filmes, feito uns 15 cursos online, aprendido dois novos idiomas. E o que poderia ser um momento de realmente ter tempo livre se tornou uma obrigação a ponto de quem não estava fazendo nada disso se sentir culpado. Na época eu até falei sobre isso aqui, de não se cobrar a fazer qualquer coisa por que a situação já era complicada o suficiente para colocar mais um peso sobre nós.

A questão é que boa parte da sociedade  tende a viver essa cultura da alta performance, do alto rendimento. E é até ok pensar isso em termos profissionais, embora essa não seja uma ideologia que eu particularmente vivo. Mas o problema é quando levamos essa cultura até mesmo para os momentos de lazer: “vou fazer um curso de leitura dinâmica para ler mais rápido”; “vou assistir esse vídeo em velocidade acelerada”; “essa parte do filme está muito arrastada, vou pular para chegar ao final logo.” E não estou dizendo que essas coisas são necessariamente ruins. Leitura dinâmica pode ser muito útil e tudo bem aumentar a velocidade de um vídeo às vezes. Mas não acho legal fazer isso o tempo todo. Eu me pergunto, por que essa pressa? O que se ganha fazendo tudo tão rápido? Existem prazos a cumprir? Você vai sofrer alguma punição se demorar muito para ler um livro ou ver um filme?

Precisamos também levar em conta a grande oferta de entretenimento que temos disponível. São, literalmente, milhares de livros, filmes, séries, documentários, músicas que estão a nossa disposição para serem consumidas. Esse é mais um aspecto do excesso de informação. São tantas opções e tão pouco tempo que queremos acelerar para dar conta de tudo que temos vontade de ver e ler. Além disso, esse excesso também dificulta a tomada de decisão: levante a mão quem nunca gastou mais tempo escolhendo o que assistir na Netflix do que de fato assistindo alguma coisa? E note que aqui temos a situação oposta ao tema do post. Assim como esse excesso contribui para vivenciarmos momentos de lazer de forma acelerada também pode criar uma situação onde acabamos não fazendo nada porque não sabemos pra onde ir diante de tantas opções. Mas isso é assunto para outro post.

Por fim, essa busca pela eficiência em momentos que deveriam ser de lazer também reflete um aspecto que costuma ser valorizado por parte da sociedade: ser multitarefa. Eu expliquei no post linkado porque na verdade a multitarefa acaba por prejudicar nossa produtividade em vez de melhorá-la. E não sou eu que digo, mas sim diversos pesquisadores e seus estudos científicos. Mas esse conceito é tão enraizado que muitas vezes sentimos essa necessidade até em atividades que deveriam ser de lazer.

Como eu adoro a troca de ideias que nós temos, me contem (nos comentários, nas redes sociais, por e-mail): vocês se identificam com essa situação de querer ser “produtivo” até mesmo nos momentos de lazer? E vocês veem como isso pode se tornar problemático? Vamos conversar!

Até mais,

Juliana Sales.

 

Minhas ferramentas de organização para 2021

No começo do ano passado eu fiz um post compartilhando quais ferramentas eu iria usar para me organizar em 2020. Achei uma boa ideia fazer esse ano de novo, apesar de existirem poucas mudanças do ano passado pra cá. Mas como de vez em quando aparece alguém perguntando, fica aqui a versão mais atualizada do que eu uso.

Como eu já expliquei no post de 2020, às vezes eu mudo as ferramentas, seja porque algo na minha rotina mudou, porque a minha forma de pensar as coisas está diferente ou só pra testar uma ferramenta nova mesmo. E apesar de ao longo do ano passado ter testado alguns aplicativos, eu acabei voltando para as ferramentas que são as bases do meu sistema.

A principal diferença, que eu já tinha adiantado em um dos últimos posts do ano passado, é que eu voltei ao usar bullet journal, depois de um ano usando planner. No post de 2020 eu contei que tinha optado pelo planner por conta da praticidade de não ter que ficar criando os layouts, apesar de amar o bullet journal.

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Os posts mais lidos em 2020

Já é meio que uma tradição aqui no blog que o primeiro post do ano seja listando quais os posts mais populares do ano anterior. Acho bem legal ver isso, porque consigo saber quais assuntos mais chamaram a atenção no ano. 

2020 foi um ano bem atípico. Muitos projetos ficaram em suspenso por contas das circunstâncias que vivemos. Quando a quarentena se iniciou eu fiquei um pouco em dúvida sobre como manter o conteúdo aqui no blog. Publicar o que eu tinha previamente planejado parecia não fazer muito sentido, já que as preocupações de todo mundo estavam em entender o que estava acontecendo e aprender a viver com o isolamento social e as mudanças que isso trouxe.

Mas aos poucos, fui ajustando o conteúdo à realidade atual: falando sobre produtividade home office, sobre como ter a rotina pode ajudar a nos mantermos mentalmente sãos, sobre não se cobrar demais para ser produtivo. 

Enfim, nesse ano que passou, foram publicados 54 posts no blog. Vamos ver então quais foram os que tiveram mais acessos?

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Feliz Ano Novo!

O post de hoje é só para desejar um feliz ano novo para todo mundo que me acompanhou por aqui em 2020, seja com frequência, seja só de vez em quando ou seja quem chegou agora. 2020 não foi um ano fácil e o que eu desejo para vocês e que 2021 seja mais leve e chegue trazendo dias mais tranquilos e mais felizes.

Obrigada pela companhia mais esse ano e espero que continuem por aqui ano que vem porque o blog só existe porque você aí do outro lado tem interesse em ler o que eu escrevo.

Então, até ano que vem! rs

Juliana Sales

feliz ano novo

Arquivos para te ajudar no planejamento

Já é quase Natal, não é? E para fechar esse ano, decidi trazer aqui para vocês alguns arquivos. Vocês sabem que eu sou a maior defensora do planejamento, porque acho que facilita demais a vida, deixa tudo mais tranquilo e é essencial para lidar com os imprevistos que sempre surgem.

Há quem diga que o planejamento é algo um tanto quanto abstrato, já que o futuro é imprevisível. Sim, nós nunca sabemos o que virá pela frente e esse ano foi uma das maiores provas disso. Entretanto isso não é motivo para não se planejar, muito pelo contrário! É um planejamento bem feito que permite que passemos por situações inesperadas sem perder totalmente o rumo. O planejamento nos dá base para reajustar rotas, decidir o que pode ser adiado, o que pode ser mudado. 

Claro que para isso o planejamento precisa ser bem feito e isso quer dizer, principalmente, que ele precisa ser flexível. Quando eu falo de planejamento eu bato sempre na tecla de que ele não é rígido, imutável, um nó que te prende e que se despedaça no primeiro imprevisto. Planejamento é estrutura, um guia, um caminho, uma orientação que te ajuda a não perder de vista seus objetivos, seu propósito. Ou simplesmente té dá consciência sobre  a forma como você usa seu tempo, te permitindo se organizar para não ficar sobrecarregado e conseguir fazer as coisas que quer, precisa e gosta.

E não se deve esquecer que só podemos planejar aquilo que está sob nosso controle. Se planejar contando com fatores externos, seja de pessoas ou de um contexto qualquer, só traz frustração. Planeje suas ações e planeje formas de lidar com as questões externas em vez de querer forçar um planejamento baseado em coisas que não cabem a você.

Eu poderia ficar horas aqui argumentando e explicando sobre as vantagens e benefícios de se planejar. Mas esse post é só para compartilhar com vocês esses arquivos que eu fiz com todo cuidado, para que possam ser um apoio no seu planejamento.

São dois arquivos para você baixar e imprimir: 

  • um que traz um planejamento mensal, com o calendário do mês para você inserir datas, prazos, compromissos e eventos. Ele conta também com um habit tracker, para monitorar os hábitos ao longo do mês, além de uma área para você anotar o foco do mês e os projetos em andamento.
  • o outro arquivo é um passo a passo de planejamento de metas. Tem dicas para escrever sua meta de forma concreta, como transformar uma meta em projetos concretos e como organizar a realização desse projetos. 

Eu espero de verdade que esses arquivos sejam úteis para vocês. Quem usar e quiser me dar um feedback, vou ficar muito feliz. E também estou à disposição para qualquer dúvida que vocês tenham. Para baixar é só clicar nesse link ou no botão aqui embaixo. Nesse link, você também encontra outros arquivos que eu já disponibilizei para download. Os do post de hoje estão dentro da pasta <Planejamento>. Ah, e se você já é inscrito aqui no blog, seja para acompanhar o conteúdo ou porque já baixou algum arquivo antes, não precisa nem clicar que esses arquivos chegam direto no seu e-mail!

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Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de alegrias e realizações. Que possamos juntos fazer de 2021 um ano melhor. Obrigada pela companhia durante todo esse ano tão turbulento.

Até mais,

Juliana Sales