Sugestões de usos para mapas mentais

Como eu já comentei por aqui, eu adoro conhecer, testar e compartilhar ferramentas, técnicas e metodologias de produtividade. E nos posts sobre esses assuntos eu sempre repito que mais importante que a ferramenta ou a metodologia em si é o uso que você faz dela, ou seja, à forma como ela é adaptada a sua realidade e para atender suas necessidades.

Um mapa mental é uma ferramenta que talvez seja um pouco subestimada. Ela é comumente usada para brainstorms e como técnica de estudo, para elaboração de resumos. Mas seu uso pode ir além disso e no post de hoje eu trago exemplos de algumas situações em que um mapa mental se mostra muito útil.

Mas antes disso, vamos entender o que é exatamente um mapa mental? Quem pode melhor definir é Tony Buzan, responsável por sistematizar a metodologia. Segundo Buzan, um mapa mental é, em sua definição mais simples, “a ferramenta definitiva para organizar o pensamento”. De forma mais detalhada “uma mapa mental é a maneira mais fácil de introduzir e extrair informação do seu cérebro – é uma forma criativa de anotar que literalmente mapeia os seus pensamentos”; “os mapas mentais também são mapas-roteiro, que possibilitam organizar fatos e pensamentos de tal forma que o modo de operar natural do cérebro esteja envolvido desde o início” (as citações foram retiradas do livro Mapas Mentais e sua Elaboração, de Tony Buzan). 

Em resumo, um mapa mental é uma forma de fazer anotações, de fatos, informações ou ideias. Essa forma espelha o modo como o cérebro organiza as coisas e por isso é mais fácil fixar uma informação e se lembrar dela mais tarde bem como ter uma compreensão mais ampla e integral do assunto tema do mapa. 

Existem algumas regras na hora de criar um mapa mental e você pode encontrá-las nos livros escritos por Tony Buzan sobre o assunto. Se quiser uma versão resumida tem um post aqui no blog sobre o uso de mapas mentais, é só clicar ali pra ler, lá eu explico quais são as regras segundo o Buzan. 

Dito isso, vamos ver então algumas situações em que os mapas mentais podem ser usados. 

Resumos

Fazer resumos é algo corriqueiro na vida muitas pessoas, podemos fazer resumos de livros, filmes, aulas, disciplinas escolares. Normalmente resumos são feitos na forma de anotações em texto corrido ou em tópicos importantes. O uso de mapas mentais é mais uma forma e usá-los para resumos traz todas as vantagens já conhecidas, melhorando o aprendizado e ajudando também a rever essas anotações futuramente. Quando você resume o conteúdo de um livro, por exemplo, qual parece ser a melhor forma de acessar essas informações quando necessário? Ler algumas páginas cheias de texto ou ter uma visão geral de tudo o que é importante, através de um mapa mental?

No exemplo a seguir, temos um mapa mental que eu fiz durante a leitura do livro A Única Coisa, de Gary Keller e Jay Papasan (clica no link para ler o post com um resumo do conteúdo desse livro). Normalmente eu começo o mapa anotando os temas indicados pelo Índice de depois vou inserindo as ideias mais relevantes dentro de cada um. No programa que eu uso para fazer meus mapas você pode esconder ou exibir os diferentes níveis de informação, por isso nesse exemplo alguns itens parecem não ter subitens; mas eles estão lá, só não estão visíveis. Na imagem não aparece, mas tem um símbolo de (+) em cada item para exibir as informações e um símbolo de (-) para ocultar. No final do post eu falo um pouquinho sobre esse programa.

exemplo mapa mental post blog produtivamente

Brainstorm

Esse é uma das formas mais frequentes de se usar um mapa mental. Se um brainstorm tem a função de estimular o surgimento de ideias e a criação de relações entre elas, bem como a busca de soluções para problemas, nada melhor do que anotar essas ideias de modo que todas elas fiquem visíveis bem como suas interligações e é isso que um mapa mental possibilita.

Criação de conteúdo

Aqui temos uma forma de uso muito semelhante ao brainstorm. Eu uso muito para produzir conteúdo do blog, no sentido de estruturar as ideias que eu quero passar no post. Antes eu fazia escrevendo em tópicos, mas o mapa mental me ajuda a pensar melhor no post como um todo e também facilita a construção do texto do post de forma mais coesa e sem que eu me esqueça de nada importante. No exemplo abaixo temos o mapa de um post que eu fiz sobre organização da despensa e da geladeira.

Mapa Mental post organizacao despensa geladeira

Anotações em geral

Em sua essência, tudo que eu citei acima se refere a anotações. Assim, qualquer situação em que você tenha o hábito de anotar alguma coisa existe a opção de anotar na forma de um mapa mental em vez de usar os modos tradicionais. Isso vale para reuniões, aulas, apresentações, palestras, webinários. No exemplo temos o mapa de um dos módulos de um curso que eu fiz sobre criatividade.

Mapa Mental reaprendizagem criativa 1

Planejamento

Essa aqui é uma forma que foge bastante do uso comum. Em seu livro, Buzan sugere usar para o planejamento do dia ou da semana, por exemplo. Eu nunca usei assim, mas pode ser uma opção para quem não se dá bem com os tradicionais agenda, planner ou calendário. Para fim, funciona legal para planejamento de projetos, especialmente os menores, por exemplo, um evento, uma viagem. Acho muito útil para ter aquela visão geral, com prazo, etapas e informações usados. Também pode ser usado na organização de objetivos e metas.

Um dos capítulos do livro “Dominando a técnica dos mapas mentais: guia completo”, de Tony Buzan, apresenta uma seção chamada “As 99 aplicações” onde o autor lista 99 sugestões que mapas mentais podem ser usados, em casa, no trabalho, na educação, para melhorar a criatividade, promover o bem estar e exercitar a memória

Como eu uso

As imagens que ilustram os exemplos acima são todas de mapas mentais feitos por mim. Eu conheci os mapas mentais na época da escola, com uma professora de história que, em vez das tradicionais anotações no quadro negro, ia escrevendo apenas os pontos principais e puxando setas pra lá e pra cá para mostrar as relações. No começo eu ficava perdida e achava tudo muito confuso, mas aos poucos fui me acostumando e até gostando, tanto que comecei a fazer anotações do tipo quando estudava outras matérias também. Depois esse hábito se perdeu, nem sei bem porque, e só relembrei quando li o livro do Tony Buzan lá em 2017. Hoje em dia eu uso principalmente para resumos de livros, aulas, para estudo em geral e para estruturar o conteúdo dos posts do blog. Também uso muito para “pensar”, como brainstorm mesmo, quando preciso desenvolver uma ideia, começar a organizar um projeto ou refletir sobre alguma situação pontual. Também guardo alguns tipos específicos de informação na forma de mapas mentais: tenho um com as áreas da minha e os projetos/metas/ações relacionados à elas; tenho também um com a minha taxonomia pessoal.

Aplicativos 

Antes de falar sobre os aplicativos, é preciso lembrar que o bom velho papel continua sendo muito válido para criar os mapas mentais. Quando eu falei ali em cima, que uso os mapas para “pensar”, geralmente eu uso uma folha de sulfite e canetas coloridas, porque eu “penso” melhor usando papel e caneta do que computador/celular. Então, afora qualquer aplicativo, papel e caneta são sempre super indicados.

Quanto aos aplicativos, existem vários, pagos e gratuitos, mais simples e mais complexos. No próprio post que eu linkei lá em cima, que explica sobre como criar um mapa mental, eu citei alguns. Mas posso falar com mais propriedade sobre o que eu já usei. O primeiro foi o MindMapr. Quando eu usava, ele funcionava como uma extensão do Google Chrome, mas agora tem um site próprio. Eu já não uso há um bom tempo e não sei como está hoje, mas eu achava muito fácil de usar; o problema era que ele travava muito e não tinha a opção de salvar em .pdf ou .jpg, apenas em um formato próprio do site. Mais uma vez, não sei como é hoje porque parei de usar.

O Mind Meister também é excelente, facílimo de usar e visualmente agradável, possibilitando criar mapas muito bonitos. O problema é que ele é pago e a versão gratuita permite a criação de apenas 3 mapas. E aí cabe a cada um decidir se vale a pena o investimento. Experimentei também o GoConqr, que tem outras funções além da criação de mapas, mas o problema desse é que na versão gratuita não existe a opção de deixar os mapas privados, todos os mapas que você faz ficam públicos. Faz sentido porque a proposta é ser uma rede de estudos e aprendizado, mas meus mapas, especialmente os de projetos, têm informações pessoais que não eu não quero deixar disponíveis por aí.

Por fim, o que eu tenho usado atualmente é o Mind Master, que é um programa que você baixa para o computador. Todos os mapas aqui no post foram feitos nele. Existem muitas opções de formatar os mapas e é muito fácil de mexer. Eu tenho usado já tem um bom tempo e me atende totalmente. E essas são apenas as opções que eu já testei. Uma busca rápida no Google apresenta várias opções e da mesma forma existem inúmeros aplicativos para celular.

No primeiro post que eu linkei já tem uma explicação bem completa de como fazer um mapa mental e objetivo desse aqui era apresentar sugestões de uso em diversas situações. Vocês costumam usar/criar mapas mentais? Em quais situações? Me contem nos comentários!

Até mais,

Juliana Sales

4 anos do blog ProdutivaMente!

Esse post de hoje, fora dos dias normais de post no blog, é bem curtinho e é só pra registrar que hoje faz 4 que o blog foi ao ar. Muita coisa aconteceu desde então: esse é o post de número 209, ou seja, muito conteúdo rolou por aqui. Quem já me acompanha a algum tempo, sabe que eu sou verdadeiramente apaixonada por organização e produtividade; comecei a pesquisar sobre o assunto por precisar mesmo, na época em que eu fazia faculdade. E o que eu ia aprendendo ia colocando em prática, testando e vendo o que funcionava e o que não funcionava pra mim. Com isso sempre dava dicas a colegas e amigos e meio que de brincadeira surgiu a ideia de criar o blog. E foi uma ideia que eu demorei bastante tempo para tirar do papel, eu tinha dúvidas se eu conseguiria mantê-lo e mesmo se haveria alguém interessado em ler o que eu escreveria.

E o tempo foi passando e as pessoas pareciam realmente acompanhar o conteúdo; os números de acessos cresceram e é claro que isso me deixava e me deixa muito feliz. Mas o que realmente faz com que eu continue aqui são os e-mails que eu recebo, os comentários e as mensagens, de pessoas dizendo que colocaram em prática o que leram aqui e que isso fez diferença no dia a dia delas. Esse sempre foi o meu objetivo com o blog. 

Hoje em dia eu posso dizer, também, que além desse retorno “emocional”, o blog me traz retorno financeiro porque eu comecei a prestar consultoria sobre produtividade e organização. Acho que nunca comentei isso por aqui, mas aos poucos começaram a aparecer pessoas interessadas em dicas mais direcionadas, em ir além do conteúdo que eu publico aqui. E é algo que adoro fazer, porque a pessoa compartilha o dia a dia dela comigo e juntas nós conseguimos buscar soluções de forma personalizada, colocando em prática tudo aquilo que eu falo nos posts. E isso não é uma divulgação, embora devesse ser, afinal são poucas as pessoas que sabem. Mas eu estou finalizando um projeto bem legal relacionado a isso, quero fazer tudo de forma bem estruturada e bonitinha, então pretendo em breve trazer novidades sobre isso.

No fim das contas, esse post é para agradecer todo mundo que está por aqui: quem acompanha o blog há algum tempo, que chegou hoje, quem lê todos os posts, quem aparece só de vez em quando, quem comenta, quem manda e-mail, quem também segue nas redes sociais. É muito maravilhoso saber que vocês estão aí, então obrigada! E que possamos continuar juntos por ainda muito tempo.

hoje e aniversario do blog. 4 anos de produtivamente. obrigada a todos que me acompanham

Até mais,

Juliana Sales

Organize seu conhecimento: conheça o conceito de “Segundo Cérebro”

Vocês que costumam me acompanhar por aqui já devem saber que eu leio e pesquiso bastante sobre produtividade e organização; acima de tudo é um assunto que eu gosto e me interesso. Então estou sempre descobrindo coisas novas, técnicas, ferramentas, teorias e metodologias. Desde que eu me deparei com o conceito de “segundo cérebro“, quando conheci o método PARA, senti um interesse imediato pelo assunto. Inicialmente eu associei o conceito com a ideia de materiais de referência do GTD. Mas me parece que vai além disso, porque o Tiago Forte (criador do PARA e do conceito de segundo cérebro) não fala apenas de armazenar informações importantes, mas armazená-las de uma forma que permita de fato que o conhecimento que você acessa/adquire/acumula seja transformado em “alguma coisa”, seja aplicado, colocado em uso.

Eu não tenho o conhecimento completo sobre o assunto, já que não fiz o curso do Tiago, mas consumi todo o conteúdo gratuito dele, além de pesquisar outras pessoas que falam sobre o tema, apresentando sua própria versão (que é mais ou menos o que estou fazendo aqui) e pesquisei também temas relacionados, como gestão de conhecimento pessoal (PKM – Personal Knowledge Management).

O Tiago fala uma coisa interessante em um dos artigos dele, que um segundo cérebro não é algo que você tem ou não tem. Ele é um sistema para gerenciar seu conhecimento e, de uma forma ou de outra, todos nós fazemos isso, já que estamos constantemente capturando, organizando e expressando informação e conhecimento. Estamos o tempo todo expostos a uma enxurrada de informações (excesso de informação) e, ainda que de um modo instintivo, usamos uma forma de segundo cérebro sempre que acessamos nosso e-mail, lemos um livro, ouvimos um podcast, estudamos alguma coisa e depois usamos a informação obtida em algum momento futuro. Por isso, pode-se dizer que a construção do segundo cérebro é, na verdade, a estruturação e organização de um processo já existente.

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Conceitos Básicos: Gestão do Tempo

Gestão do tempo, administração do tempo, gerenciamento do tempo. Qualquer que seja o termo usado, o sentido é o mesmo, em inglês time management, onde o verbo to manage pode ser traduzido como gerir, gerenciar, administrar. Independente do verbo escolhido, a ideia que se quer passar é que gestão do tempo ou time management é coordenar o tempo, definindo de que forma esse recurso será usado.

Gestão do tempo é um termo um pouco controverso no universo da organização e produtividade. Há quem não goste de usar essa expressão, alegando que não é possível gerenciar o tempo já que não podemos controlá-lo, não podemos criar tempo. Isso pra mim é apenas uma questão de linguagem. É óbvio que não se pode lidar com o tempo da mesma forma que lidamos com outros recursos, então gerenciamento do tempo se refere à forma como gerenciamos o uso que fazemos dele. Pode-se dizer que estamos gerenciando nossas atividades, nossas prioridades, nossa energia, mas no fundo o que estamos fazendo mesmo é cuidando da forma como o tempo está sendo usado. Poderíamos chamar de gestão do uso do tempo, mas, outra vez, é só uma questão de linguagem, o sentido é o mesmo.

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Hábitos Atômicos, James Clear – parte 2

Continuando o assunto do post anterior, hoje vamos concluir o resumo do conteúdo do livro Hábitos Atômicos e falar sobre as duas últimas leis desenvolvidas por James Clear em seu modelo das quatro leis da mudança de comportamento que se baseia nos quatro estágios do ciclo do hábito. 

Antes de falar sobre a 3ª e a 4ª leis, vamos relembrar a primeira parte do conteúdo do livro, apresentada no post da semana passada:

  • O ciclo do hábito é composto por quatro estágios: estímulo – desejo – resposta – recompensa. Um hábito começa por causa do estímulo, que gera um desejo representado pela motivação para agir. A resposta ao estímulo é a ação, o hábito em si, e a recompensa é o que faz com que o ciclo se repita e o hábito se consolide. Sem qualquer desses estágios, um hábito não se forma, nem os bons e nem os ruins.
  • A 1ª lei é: Torne-o claro. Ela tem relação direta com o estímulo. É sobre deixá-lo em evidência, destaca-lo, facilitando com que ele seja percebido e, por consequência, favorecendo o início do ciclo do hábito. Sua inversão, para se livrar de um mau hábito, é: torne-o invisível; se trata de esconder o estímulo, minimizando-o ou eliminando.
  • A 2 ª lei é: Torne-o atraente. Ela se refere ao desejo e fala sobre trabalhar a motivação e tornar o desejo forte o suficiente para incentivar a ação/resposta, que é o próprio hábito. Para eliminar um hábito (inversão da lei), o objetivo é torná-lo desinteressante.

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