Organização financeira: como manter seu orçamento sob controle

Quando falamos em organização pessoal, nos referimos a tudo que faz parte de nossa vida. Pode englobar organização para o trabalho, organização da carreira, de projetos pessoais, dos estudos, organização do espaço físico. Essas são as principais situações que vem a mente, certo?

Mas o post de hoje trata de um assunto que muitas pessoas deixam de lado e acabam se esquecendo que precisa também ser organizado e bem gerenciado: as finanças. Sim, porque muitas vezes temos planos e sonhos materiais que não conseguimos realizar simplesmente porque não temos organização financeira. Não sabemos quanto recebemos, quanto gastamos e para onde o dinheiro vai.

Alguns sinais de que você precisa se organizar financeiramente: você está sempre sem dinheiro ou tem a sensação de que trabalha somente para pagar suas contas; você não consegue evitar de recorrer ao cheque especial ou cartão de crédito; tem a intenção de criar um poupança ou fazer outro tipo de investimento para ter uma reserva, mas sempre fica para o “próximo mês” porque nesse “o dinheiro não deu”.

Deixando claro que eu não vou entrar aqui no mérito de quem realmente ganha pouco e tem que manter uma casa com um salário mínimo ou menos. A ideia do post é trazer dicas para quem não sabe lidar com seu dinheiro. Quem gasta com coisas que não precisa. Quem quer fazer uma viagem, por exemplo, ou investir em um curso de idiomas ou de aprimoramento profissional e tem condições financeiras para isso, mas simplesmente não consegue porque nunca sobra dinheiro. Isso porque não se tem consciência de para onde o dinheiro vai, com o que ele está sendo gasto.

Eu já tive muitos altos e baixos em termos de organização financeira. Já passei por épocas de gastar a maior parte do salário em coisas desnecessárias e chegar ao fim do mês sem dinheiro, mesmo ganhando bem. Depois tive uma época de controlar tudo e não gastar um centavo fora do orçamento previsto. Lembrando que controlar seus gastos é diferente de ser pão duro. A intenção é aprender a gastar com controle e com consciência e não fechar a mão e não querer gastar com nada nunca.

Planejamento

Planejamento talvez seja uma das palavras que eu mais gosto! Eu acho que planejar as coisas facilita tanto a nossa vida, deixa tudo tão mais tranquilo, que eu não abriria mão disso de forma alguma. E quando falamos de finanças, não seria diferente. Planejamento financeiro tem haver com o entender o fluxo do seu dinheiro, saber quanto você ganha, quais os seus gastos, onde você pode economizar. Planejamento também é fundamental para alcançar aqueles objetivos de médio e longo prazo que envolvem dinheiro: trocar de carro, fazer uma viagem.

caderno cifrao
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Dicas de organização financeira

Tenha controle sobre o seu dinheiro

Anote os seus gastos. Absolutamente tudo. Isso é importante porque grande parte dos nossos gastos vem de compras pequenas e frequentes que fazemos ao longo do dias. Aquele dia em que você foi almoçar com uma amiga em um restaurante mais caro. O dia que não resistiu quando viu um aviso de promoção em uma loja de roupas. Os produtos de maquiagem que comprou de uma amiga revendedora “só para ajudar”. São coisas assim que muitas vezes levam nosso dinheiro embora sem que a gente nem perceba.

Que fique claro que eu não estou dizendo que você não pode gastar dinheiro com essas coisas. Isso só você quem pode dizer analisando seu orçamento. Mas para isso você precisa ter consciência desses gastos. Para saber se eles estão ou não comprometendo suas finanças.

É importante que você torne um hábito esse registro do gastos. Se a ideia é ter controle, não adianta você anotar por uma semana, parar de anotar na semana seguinte, voltar a anotar na outra, mas esquecer alguns dias. Então, encontre uma forma que seja fácil para você se lembrar de marcar: pode carregar um caderninho só pra isso, usar algum aplicativo para essa função, ou mesmo uma planilha no Excel (que pode ser aberta tanto no celular quanto no computador).

Esse controle também permite, além de identificar com o que você está gastando, perceber o quanto de dinheiro está saindo. Talvez só o fato de ver seu dinheiro “indo embora” já te ajude a cuidar melhor das suas finanças.

Estabeleça um limite de gastos

Todos nós gastamos dinheiro com coisas supérfluas. Mesmo que de vez em quando. Além de quê o que é supérfluo para mim pode não se para você e vice versa. Eu, por exemplo, gasto bastante com livros. E muita gente acha que é um gasto desnecessário. E, por certo ponto de vista, realmente é. Eu não compro livros porque eu preciso. Eu compro por que eu quero, porque eu gosto de ler, porque dificilmente eu passo um dia sem ler pelo menos algumas páginas de um livro.

Em caso de necessidade, eu poderia cortar esse gasto sem problemas. Mas, como essa necessidade não existe, continuo gastando. O ponto aqui é estabelecer um limite para que esse gasto não comprometa suas contas ou eventuais planos futuros que exijam economizar. Assim, para qualquer que seja o seu gasto supérfluo, estabeleça um limite de “x” reais que você pode gastar com ele mensalmente. Isso não quer dizer que você tem que gastar aquilo todo mês. Eu não compro livros todo mês (não atualmente, risos). Quer dizer que, por mais que eu tenha vontade de comprar todos os livros que vejo pela frente ao me deparar com uma promoção, por exemplo, eu não farei isso porque estabeleci um limite máximo que eu posso gastar com esse tipo de compra.

A ideia aqui é o equilíbrio. Eu não preciso obrigatoriamente deixar de gastar com supérfluos se não houver uma emergência ou uma necessidade ou plano futuro. Eu só preciso controlar quanto eu gasto e ter consciência de quanto esse gasto impacta o meu orçamento. Esses “x” reais você é quem determina em função da sua renda e de quanto você pode gastar. E isso vale para qualquer coisa que não sejam os seus gastos essenciais.

Acompanhe seus gastos fixos

Todos temos gastos mensais fixos, aqueles que não é possível deixar de gastar: água, energia, telefone, internet, condomínio, combustível, alimentação. Mas não é porque esses gastos são inevitáveis que devemos deixar de controlá-los. Até porque, saber quanto está sendo gasto com cada um desse itens permite identificar se o gasto está muito alto e buscar maneiras de reduzi-lo.

Se as contas de água/energia estão muito altas, procure maneiras de economizar e diminuir o consumo. Se a internet está muito cara pesquise se não há um plano mais acessível na sua operadora ou se não é o caso de mudar a prestadora de serviço. Se estiver gastando muito com a alimentação, busque promoções, troque o supermercado ou as marcas que consome.

Você só consegue pensar nisso e identificar uma eventual oportunidade de diminuir os gastos se tiver controle e conhecimento de quanto está sendo gasto. E claro, eu não precisaria nem dizer, mas pague sempre todas as suas contas fixas antes de pensar em usar o dinheiro para qualquer outra coisa.

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A regra do 50/15/35

Trata-se de uma ideia muito conhecida quando se fala em organização financeira. Ela propõe que seja destinado um percentual específico da sua renda para cada uma das seguintes categorias: gastos essenciais, gastos não essenciais e prioridades financeiras.

  • 50% da sua renda mensal deve ser destinada aos gastos essenciais, aquelas contas fixas que eu mencionei lá em cima. São gastos essenciais: água, energia, telefone, internet, condomínio, combustível, alimentação, aluguel, saúde (consultas, exames, medicamentos), escola. São aquelas despesas necessárias para suprir suas necessidades básicas.
  • 15% do orçamento anual deve ir para as suas prioridades financeiras, que podem ser de dois tipos. Se você está endividado, sua prioridade financeira é quitar suas dívidas. Se não tem dívidas, esses 15% podem ser destinados a criar uma reserva financeira para emergências ou para alcançar objetivos de médio ou longo prazo (comprar um carro ou uma casa, por exemplo).
  • os 35% restantes podem ser destinados aos gastos não essenciais, ou seja, aquelas despesas que podem ser cortadas em um momento de necessidade mas, se não for o caso, podem ser mantidas pois são importantes para que você se divirta e tenha qualidade de vida. Aqui entra tudo que seria considerado supérfluo: roupas, sapatos, maquiagem, cosméticos, salão de beleza, cinema, restaurantes, academia, tv por assinatura ou serviço de streaming, livros, objetos de decoração, itens de coleção.

Claro que esses valores não são rígidos. Pode acontecer de você precisar gastar mais de 50% do orçamento em gastos essenciais ou de precisar separar mais de 15% para as prioridades financeiras se suas dívidas forem altas ou em grande quantidade. O importante é entender que o gasto prioritário deve ser com as coisas essenciais, depois com eventuais dívidas e por últimos os gastos não essenciais.

Para finalizar, algumas dicas rápidas:

  • Antes de gastar seu dinheiro com qualquer coisa não essencial, pense se você precisa mesmo gastar com aquilo. Ou se não pode gastar menos comprando em outra ocasião ou outro lugar. Reflita também se você não vai comprometer as suas prioridades financeiras gastando esse dinheiro.
  • Estude sobre finanças. Ler esse post já é um começo. Mas procure ler livros sobre o assunto. Acompanhe canais no Youtube. Estude sobre investimentos. Conhecimento é sempre bem vindo.
  • Uma coisa que eu costumo fazer para controlar os gastos não essenciais é a famosa wishlist. Quando sentir vontade de comprar alguma coisa, ao invés de fazer isso imediatamente, anote em uma lista de coisas que você deseja comprar. Ao revisar a lista depois de um tempo você vai ver que muitas das coisas ali não despertam mais o seu interesse. Ou seja, seria um gasto desnecessário. Se a vontade de comprar ainda existir e não for comprometer o seu orçamento, compre.

Me contem nos comentários: como anda a sua organização financeira? Tudo em ordem ou uma bagunça? Acha que é importante ter esse controle? Se ainda não se organiza e vai começar a fazer isso, me conta se as dicas do post ajudaram. Se tiver alguma dica de algo que você faz e que te ajuda, me conta também, vou adorar saber.

Até mais,

Juliana Sales

20 comentários sobre “Organização financeira: como manter seu orçamento sob controle

  1. Recentemente, comecei a trabalhar e comprei uma casa. Esse post é super útil para alguém como eu que está no “início” da sua vida e tem de saber orientar-se bem financeiramente. É um factor chave para o nosso sucesso pessoal, na minha opinião. Dicas como “A regra do 50/15/35”, que desconhecia, foi o ponto que me prendeu mais atenção.
    Obrigada pelas dicas!

    Beijo *

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  2. Eu trabalho com educação financeira nos EUA e uma coisa que aprendi nesse meio é que se a pessoa não poupa dinheiro quando ganha pouco, ela não vai poupar dinheiro quando ganha muito. Há essa grande falácia de que dinheiro só se poupa ou só se planejar quando se ganha melhor, o salário aumenta. Quanto mais cedo a pessoa se programa mais cedo a pessoa pode realizar projetos de vida que achava inalcançáveis. Ótimas dicas!

    Gisley Scott
    http://www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

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  3. Infelizmente eu não tenho nenhuma habilidade com números, finanças, mas até que consigo me equilibrar dentro das minhas limitações. Gostei da sugestão de anotar todos os pequenos gastos, pelo menos pra mim é aí que sinto que fico mais desfalcada. Gasta-se um pouquinho ali, um pouquinho aqui e quando vejo já foi embora a grana toda!

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    • Oi Patrícia! O importante é manter esse equilíbrio, mesmo talvez não dominando tantos os números como você mesma disse. E sim, esses pequenos gastos comprometem muito o orçamento.

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  4. Oi Ju
    Confesso que assim que li o título do post, pensei, xiiii….este assunto é difícil!
    Eu procuro controlar, mas tenho dificuldades
    Nos primeiros meses do ano anotei tudinho, até uma bala comprada, mas depois parei…e aí a coisa piorou
    Preciso voltar
    Adorei o post e as dicas
    Vou colocar em prática
    Bjs

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  5. Não sei o que dizer Juliana.
    Sou péssima com esse negócio de gastos, contas e sou péssima com dinheiro, que eu odeio.
    Tenho um cartão de crédito pré pago e esse é o meu limite mensal para compras ‘inúteis’ (que geralmente são livros e cafés) e pronto. No mais, as contas da casa estão no débito e sei que trabalham alguns dias do mês apenas para pagá-las. Mas isso não me incomoda. O que resta vai para o fundo de ‘férias’ que não é usada há algum tempo porque a pessoa aqui adora a cidade onde vive e ama conhecê-la. Aliás, tenho um projeto nesse sentido: viajar por São Paulo nos finais de semana. Ainda é apenas um projeto, mas eu pretendo por em pratica ainda esse ano.
    Não sou organizada financeiramente, apenas não tenho gastos absurdos porque não fui educada a sair comprando coisas. Não sou consumista e adoro reaproveitar itens. Acho que os únicos excessos são com notebooks e celulares, mas porque meu trabalho depende de um bom equipamento. No mais, faço mercado e feira com listas e dificilmente compro itens fora disso. Agora, gasto com café.
    E o cartão pré pago é porque esqueci de pagar a fatura e ficava furiosa com os juros. O gerente me ofereceu essa opção e eu aceitei. rs

    bacio e bom domingo

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    • Lunna, você disse que não é organizada financeiramente, mas pelo seu comentário parece ser bem o contrário, viu? Cartão pré pago para controlar os gastos “supérfluos”, contas da casa no débito automático, lista de compras para o mercado… tudo isso são características de alguém organizado sim! E agradeça por essa educação que você teve de não ser consumista, porque a maioria das pessoas tem esse impulso de sair comprando coisas e é o que mais compromete o orçamento. Olha, você está de parabéns viu! rs

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  6. Oi, estou ainda aprendendo a analisar e lidar com dinheiro, hoje sou do tipo que pensa bem antes de sair gastando, gosto de pensar se realmente preciso daquele objeto ou coisa e só então compro, aprendi a fazer isso depois de perceber que comprava coisas sem necessidade e hoje levei isso para tudo, não compro roupas e nada de que não precise realmente, agora meu desafio é gerenciar o que ganho com meu trabalho e separar pois como gosto muito do que faço as vezes pego a parte que deveria ser meu salário e compro mais material Rsrs sendo que já investi naquele mês, resumindo deixo de juntar dinheiro para mim para investir no meu negócio acho isso bacana, mas acredito que eu tenha que encontar um equilíbrio. E suas dicas ajudam bastante neste quesito adorei as dicas bjs💗💓

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    • A parte mais difícil você já fez Mari, que é controlar esses gastos desnecessários. Eu acho que investir no seu negócio, não é de todo ruim, afinal é investimento, né? Mas de qualquer forma, busque sim esse equilíbrio, é sempre bom ter uma reserva. Fico feliz que tenha gostado das dicas.

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  7. Oi Juliana!
    Assim que li o título do post eu pensei, opa, esse é pra mim! ahaha Sem dúvidas eu me encontro nessa galera que anda com a vida bagunçada, porque, além de faltar a parte da organização em si, eu tenho problemas sérios com compras compulsivas, sem falar outros perrengues que surgiram na minha vida nos últimos anos que dificultou a estabilidade financeira, mas a gente chega lá.
    Vou começar a fazer as anotações pra ajudar na minha organização e seguir a minha bendita wishlist na hora de priorizar minhas compras!
    Sei que é repetitivo, mas amei demais o post! ❤
    xoxo

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    • Oi Rê, que bom que gostou do post! Eu já tive uma fase de compras compulsivas também e no começo é um pouco difícil mesmo de mudar isso, mas fazer a wishlist ajuda muito! No mais é anotar mesmo, para saber pra onde o dinheiro está indo.

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  8. Essa sou eu!!! Sou péssima com números e meu marido pior ainda. A gente anda meses bem e de repente a casa cai. Muitas vezes vivemos ali no limite do que ganhamos. Cortei cheque especial, mas ainda sobrou o cartão de crédito. E como nos males os piores sou eu nas contas eu fico mais responsável por esse setor, mas confesso que não dou conta e muitas vezes me estresso. Não sou péssima com anotações mas pelo visto é uma forma que funciona muito bem, talvez a que melhor funcione. Parabéns pelo post.

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    • Oi Cilene! Muita gente tem dificuldade com números mesmo! Mas você sabe que o segredo de manter o orçamento sobre controle é anotar de onde o dinheiro vem e para onde vai? Pode ser em um caderninho ou em uma planilha do Excel, o importante é marcar tudo. Depois é só pegar uma calculadora e fazer as contas. Espero que as dicas do post te ajudem!

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  9. Adorei as dicas deste post e acabei lendo outros posts seus. Até favoritei alguns, inclusive este, para ler novamente depois.
    São dicas muito úteis e infalíveis se seguirmos corretamente e mantivermos o foco. Amei!

    Beijos!

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  10. Olá!!

    Eu tenho dificuldades para controlar e isso acaba prejudicando muito. Já teve vezes que acabei extrapolando.
    Gostei muito das dicas e acredito que serão muito úteis para mim, vou tentar seguir e melhorar esse lado.

    bjs

    Curtido por 1 pessoa

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