23 hábitos anti procrastinação, S. J. Scott

Quem acompanha o conteúdo do blog sabe que eu costumo compartilhar os livros que eu leio sobre produtividade, organização, gestão do tempo e afins. Para ver todos os post sobre as minha leituras que já tem no blog é só escolher a categoria “Livros” no Menu (que fica à direita se você estiver no computador ou no final da página se estiver no celular).

E o livro de hoje é “23 Hábitos Anti Procrastinação”, de S. J. Scott, criador do blog Develop Good Habits. E o que ele fala logo no começo do livro e também em seu blog é que ele busca formas práticas e aplicáveis de promover o desenvolvimento pessoal, com uma visão pragmática baseada em criação de bons hábitos. E é isso que se pode esperar desse livro: uma introdução rápida, pouca teoria e o foco nos 23 hábitos, apresentando formas de implementá-los. Em alguns poucos casos as dicas podem até não ser tão simples assim, mas a grande maioria traz uma explicação clara de como desenvolver o hábito apresentado.

Para quem já conhece um pouco sobre produtividade pessoal, inclusive quem acompanha o blog, vai ver que esse livro não traz nenhuma grande novidade. Ele apresenta muitos conceitos, dicas e informações que eu já trouxe aqui e traz referências que eu mesma já citei, como o método GTD ou o livro “Comece pelo mais difícil“, de Brian Tracy. E  essas são referências diretas, dá pra perceber vários outras ideias que remetem à conhecidos conceitos e especialistas da área.

Antes de começar a falar de fato dos hábitos, a introdução trata de forma bem geral sobre a procrastinação, apontando que a melhor forma de lidar com ela é desenvolvendo hábito diários que ajudem a combatê-la. Isso porque o autor defende que a própria procrastinação em si é um hábito, que “em algum momento de sua vida você desenvolveu, pois lhe deu, em curto prazo, a recompensa da ‘sensação boa’ de viver no momento.” Então, a ideia é desenvolver hábitos anti procrastinação, que te permitam sentir a vontade de procrastinar mas continuar agindo e executando apesar disso. É o princípio de substituir um hábito pelo outro, conforme indicado nos mais diversos estudos sobre o tema, inclusive em O Poder do Hábito.

São apresentadas também as 7 desculpas que as pessoas usam para procrastinar e mais a frente no livro cada hábito é relacionado a uma dessas desculpas, como um sugestão para eliminá-la. E eu achei que ficaria mais interessante aqui no post, em vez de apresentar separado – as 7 desculpas e o 23 hábitos, trazer junto com as desculpas os hábitos que são a resposta a cada uma delas. Então os hábitos ficaram fora de ordem, mas me parece que fica melhor para assimilar a ideia. Antes de começar veja abaixo os 23 hábitos na ordem em que aparecem no livro.

23 habitos anti procrastinacao lista

Desculpa 1: Não importa.

É comum ficarmos adiando tarefas que não parecem ser importantes. E muitas vezes isso acontece porque não fazemos a conexão da tarefa com seu propósito, ou seja, não temos clareza de porque ela precisa ser feita. E aí é fácil ter a sensação de que a tarefa não é importante e pode ser deixada para depois. Três hábitos para eliminar essa desculpa:

  • Hábito 2: Relacione cada ação a um objetivo M.A.R.T.E  (metas SMART). Relacione cada tarefa a um objetivo. E eu acrescento que nem precisa ser necessariamente ser uma meta de longo prazo, pode ser apenas entender qual a justificativa por trás da tarefa, porque ela precisa ser feita.
  • Hábito 12: Acompanhe o seu progresso e sucessos. A ideia é acompanhar o andamento de seus projetos de longo prazo, monitorando cada etapa e comemorando a conclusão de que cada tarefa, por menor que seja, já que ela faz parte de um objetivo maior. Também funciona como um fator de motivação.
  • Hábito 22: Seja paciente com o processo, porque é preciso entender que a criação de qualquer hábito, qualquer mudança significativa na nossa vida não acontece do dia para a noite. Quase todo mundo deseja e espera resultados imediatos, mas é preciso entender que não é assim que as coisas funcionam.

Desculpa 2: Preciso fazer … primeiro.

Os três pontinhos representam qualquer coisa que você acredite que precisa fazer antes de se dedicar a uma tarefa que está procrastinando. 

  • Hábito 5: Crie listas de projetos. O autor apresenta uma forma simplificada de planejamento, onde se deve listar todas as tarefas que precisam ser realizadas para concluir um projeto. Divida qualquer atividade muito grande ou complexa em etapas menores e mais simples
  • Hábito 6: Crie lembretes para tudo. Aqui a recomendação é criar listas de verificação, para quaisquer atividades que você precise fazer regularmente, com determinada frequência. Pode ser uma espécie de passo a passo, listando todas as etapas ou ações.
  • Hábito 19: Desenvolva competências com base em projetos. É um argumento legítimo procrastinar uma tarefa porque você precisa aprender alguma coisa ou desenvolver alguma habilidade para realizá-la. Quando isso acontece existem duas opções: delegar/contratar alguém para fazer a tarefa ou se dedicar a aprender o que precisa ser aprendido. Se escolher a segunda opção seja proativo e eficiente com o aprendizado.

Desculpa 3: Preciso de mais informações para poder começar.

Aquela situação comum de sentir que precisamos de mais informações e/ou conhecimento antes de realizar a tarefa. Tem muito a ver com a desculpa anterior, eu considero quase uma extensão dela e talvez, por isso, o autor não apresente nenhum hábito diretamente relacionado a essa desculpa.

suculente xicara de cafe caderno sobre uma mesaFoto de NordWood Themes em Unsplash

Desculpa 4:  Sinto-me sobrecarregada e tenho muita coisa para fazer.

Essa talvez seja a desculpa mais comum e muitas vezes até reflete a realidade. O ponto é evitar essa sobrecarga de afazeres e os hábitos têm a ver com isso.

  • Hábito 3: Anote suas ideias. É a conhecida recomendação de esvaziar sua mente, anotar suas ideias e pensamentos em uma caixa de entrada e não confiar apenas na sua memória para se lembrar das coisas. Não sobrecarregue sua mente com isso, porque atrapalha sua capacidade de focar nas tarefas atuais.
  • Hábito 8: Desenvolva processos e projetos individuais. Também é uma recomendação habitual, de evitar a multitarefa e focar em uma tarefa por vez. Finalize a tarefa atual antes de começar a próxima.
  • Hábito 10: Faça uma revisão mensal. O princípio é que a revisão te permite reavaliar suas prioridades, objetivos e projetos e eliminar o que for necessário, evitando gastar tempo e energia com atividades não relevantes.
  • Hábito 14: Priorize usando o método ABCDE. É um método de priorização que ajuda a identificar quais tarefas são prioritárias e, portanto, devem ser feitas primeiro. A sensação de sobrecarga também vem de achar que tudo é prioridade, quando na realidade não é.
  • Hábito 17: Comece aos poucos. Reforça o que já foi dito no hábito 5 e no hábito 22, no sentido de começar fazendo o mínimo possível, iniciar qualquer projeto, tarefa ou mesmo a criação de um hábito através de pequenas ações simples, que ajudem a dar o pontapé inicial e driblar a falta de força vontade para começar.

Desculpa 5: Não tenho tempo agora

Muitas vezes realmente todo o nosso tempo está ocupado com tarefas importantes e prioritárias mas outras tantas vezes é apenas uma desculpa para fugir de algo que não queremos fazer. 

  • Hábito 1: use a Regra 80/20 para tomar decisões.  Baseado no princípio de Pareto, identifique aquelas tarefas que são as responsáveis por trazer a maior parte dos resultado que você deseja.  Direcione seu tempo e sua energia para elas e deixe o resto para depois que elas forem realizadas.
  • Hábito 13: Comece o seu dia com TMIs. TMI significa Tarefa Mais Importante. Diariamente identifique 3 tarefas que precisam indiscutivelmente serem feitas naquele dia e comece seu trabalho por elas. Só se dedique as demais atividades depois que suas 3 TMIs estiverem concluídas.
  • Hábito 15: Crie um senso de urgência. Baseando-se na lei de Parkinson, a ideia é trabalhar com prazos mais curtos do que os reais, como uma forma de estímulo a agir de forma mais eficiente e focada. E há também o bônus de ajudar a lidar melhor com eventuais imprevistos.
  • Hábito 23: Faça o desafio dos 30 dias. Esse é o último hábito do livro, que na realidade é mais uma indicação de como colocar cada um dos hábitos anteriores em prática: um por vez, durante um período de 30 dias, para que ele se consolide e você possa se dedicar ao próximo durante mais 30 dias, e assim sucessivamente.

Desculpa 6:  Continuo me esquecendo de fazer isso

Esquecer uma ou outra tarefa de vez em quando é comum, ainda mais se você não tem um sistema de organização funcionando. Os 3 hábitos relacionados a essa desculpa tem a ver essencialmente com usar ferramentas e técnicas que te ajudem a não esquecer de suas atividades.

  • Hábito 4: Crie um sistema de 43 pastas. É o famoso tickler, que faz parte do método GTD. Conforme a Thais (referência quando se fala em GTD) explica nesse post linkado é um conjunto de 43 pastas representado os 12 meses do ano e os  31 dias do mês. Em cada pasta você vai colocar as informações/referências/lembretes específicos para aquela data (dia/mês) e as pastas devem ser checadas diariamente.
  • Hábito 7: Agrupe tarefas rotineiras semelhantes. Algo simples e eficiente é agrupar aquelas pequenas tarefas que fazemos diariamente e que ficam dispersas ao longo do dia. Reúna as tarefas de acordo com o local onde você está (casa/rua/trabalho), o horário (rotina da manhã/da noite), a função (bloco de resposta) ou qualquer outro critério que fizer sentido para você.
  • Hábito 9: Programe uma revisão semanal. Não tem muito tempo que eu fiz um post falando sobre a importância da revisão semanal: identificar erros e eventuais ajustes, atualizar projetos em andamento, rever metas e usar tudo isso de base para planejar a semana seguinte.
caderno caneta fone notebook caneta oculos sobre uma superficie amarelaFoto de Volodymyr Hryshchenko em Unsplash

Desculpa 7: Não estou com vontade de fazer isso

Muitas vezes procrastinamos por que não temos motivação ou força de vontade para fazer as tarefas. Existem vários motivos para isso e os hábitos a seguir ajudam a lidar com os principais.

  • Hábito 11: Diga não as atividades menos prioritárias. Certas tarefas, mesmo que não gostemos, precisam ser feitas, fazem parte da vida. Associar um objetivo ou motivo a tais tarefas pode ajudar. Quanto às outras, é o óbvio que precisa ser dito: saiba dizer não.
  • Hábito 16: Torne-se publicamente responsável. Compartilhe com amigos e conhecidos seus objetivos, projetos, tarefas e responsabilidades. Há um efeito psicológico em saber que nossas ações estão sendo observadas .
  • Hábito 18: Recompense a si mesmo. Criar um sistema de recompensas pode ser útil para superar a falta de vontade. Use pequenas recompensas ao longo do dia para as tarefas diárias e recompensas maiores para projetos de longo prazo.
  • Hábito 20: Obtenha motivação indireta. A recomendação é criar uma mentalidade que te ajude a continuar fazendo uma tarefa mesmo quando você está sem vontade. Palestras e programas motivacionais são indicados.
  • Hábito 21: Pratique técnicas de visualização. O próprio autor diz não acreditar na lei da atração, mas reforça que a ideia de visualização pode ter um lado motivador, quando nos conecta mais fortemente aos nossos objetivos. É especialmente útil quando estamos desanimados.

Como deu pra notar a ideia do livro é bem simples e direta e muitos dos conceitos apresentados eu já falei por aqui. Acho que é uma boa leitura para quem está começando a pesquisar sobre organização e produtividade ou para quem tem dificuldade em implementar as informações que encontra, já que traz dicas para colocar a teoria em prática. Se alguém já leu, comenta aí o que achou. E se quiser me recomendar algum livro nessa temática, vou adorar!

Até mais,

Juliana Sales

10 comentários sobre “23 hábitos anti procrastinação, S. J. Scott

  1. Dica sensacional, não conhecia essa obra e a anotei aqui para um futuro investimento, sinto que dei uma leve melhora na minha procrastinação e quero melhorar mais.

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    • Esse livro tem várias dicas legais Gustavo. E por mais que ele não traga nenhuma grande novidade, como eu disse no post, gosto da forma como ele indica para colocar as dicas em prática.

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  2. Eu creio que para buscar alcançar objetivos, temos que, antes de tudo, termos um… objetivo. Tentando sobreviver ao período que estamos passando, não ouso iniciar nenhum projeto antes de ter alguma perspectiva para onde iremos como sociedade. Por enquanto, a desculpa Nº 7 é a quem tem prevalecido, Juliana!

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  3. Minha cara Ju, nessa pandemia (como eu já disse) muita coisa escapou e eu percebi que nesse 2021 eu tenho deixado para depois mas não é desculpa (ou será que é?). Me identifiquei com a 7. Mas é cansaço mesmo do cenário, de ficar a casa. De não conseguir sair sem se preocupar com tanta coisa. Já fui do luto ao horror e hoje nem sei qual é o meu lugar-emoção. Não sei mesmo. Mas tem me faltado vontade para coisas que antes eu fazia sem titubear. Tenho reagido as coisas, planejado pela manhã o que vou fazer a tarde (claro que isso não dá certo) e ainda não encontrei um meio para sair disso. Desligar a televisão não resolveu porque o telefone toca várias vezes com notícias de tudo e todos.

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    • Lunna, o cenário atual desmotiva qualquer um, não é? Entendo muito esse sentimento de cansaço. Mas eu sempre falo aqui sobre como driblar a procrastinação, mas às vezes (e eu já falei isso aqui também) a melhor forma de lidar com ela é aceitar e viver esse momento de “deixar para depois”.

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  4. Esse livro é a minha cara! Já muitos dos 23 hábitos pela internet (costumo buscar umas dicas pra não acabar enlouquecendo). Desafio dos 30 dias, recompensar-se, anotar ideias, criar lembretes… pra alguns parece até fácil, mas quando chega aqueles dias soturnos onde nem queremos sair da cama aí tudo desmorona. Ainda bem que por causa da Escrita Criativa eu tenho tido mais motivação pra fazer as coisas que amo Gouvêa

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  5. Procrastinação é o pior problema da minha vida e eu nem dou desculpas, é irresponsabilidades minha, mesmo, e preciso muito mudar isso. Eu faço inconscientemente algumas dessas coisas já, pra me ajudar a ser menos irresponsável, principalmente isso de tentar agrupar tarefas parecidas para uma ir otimizando a outra, a gente vai fazendo o que dá, né? Mas queria fazer mais!

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    • Luly, eu não acho que procrastinação seja irresponsabilidade, penso que sempre tem uma justificativa, muitas vezes inconsciente, como medo de falhar, perfeccionismo, falta de motivação e muito outros. Não acho que você precisa se culpar, sabe, mas buscar entender porque isso acontece e então lidar com a causa.

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